O centro da economia global está voltando para a Ásia

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EcoDebate,  – 19 Março 2019 – Foto: Daqui

“A Ásia foi o centro econômico do mundo durante milênios, em função, especialmente, do peso dos Impérios Persa, Hindu e Chinês.
A Índia e a China são os dois países mais populosos do mundo há milênios e desenvolveram grandes civilizações que deram importantes contribuições para o avanço intelectual, espiritual e material da humanidade”, escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 18-03-2019.

Eis o artigo.

Acesse a fonte de dados do gráfico aqui

 

Ásia foi o centro econômico do mundo durante milênios, em função, especialmente, do peso dos Impérios PersaHindu e Chinês. A Índia e a China são os dois países mais populosos do mundo há milênios e desenvolveram grandes civilizações que deram importantes contribuições para o avanço intelectual, espiritual e material da humanidade.

No passado, o centro econômico do mundo ficava na Ásia Central, ao norte da Índia e a oeste da China, refletindo os avanços civilizacionais desfrutados no Oriente Médio e Extremo Oriente. Até 1820, a Ásia respondia por dois terços da riqueza mundial, mas foi superada rapidamente pelo Ocidente graças

  • à Colonização da América
  • e à Revolução Industrial e Energética que garantiu a riqueza e o poderio da Europa e dos Estados Unidos.

Em 1900, o centro econômico havia mudado para o norte da Europa, que deu um salto muito à frente do resto do mundo durante o século XIX. Na primeira metade do século XX até 1950, o centro mudou para o Atlântico Norte, refletindo a ascensão econômica e populacional dos Estados Unidos, como mostra o relatório “Urban world: Cities and the rise of the consuming class”, do McKinsey Global Institute (Junho de 2012).

Mas o relatório também mostra que

  • a tendência de Ocidentalização do mundo deu um “cavalo de pau” em meados do século passado,
  • voltou a se direcionar para o norte da Europa
  • e agora essa tendência está se direcionando para o Oriente, em uma velocidade impressionante.

O que levou séculos para se deslocar para o oeste, desde as Grandes Navegações iniciadas por Cristóvão Colombo em 1492, agora faz o caminho de volta para o leste em questão de décadas.

 

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As dez maiores economias do mundo / Portal Desacato

 

McKinsey calculou onde o centro econômico ponderando o PIB nacional pelo centro geográfico de gravidade de cada país. O relatório

  • liga a grande mudança na economia global à tendência de urbanização,
  • observando que as economias em rápido crescimento sempre têm cidades em rápido desenvolvimento.

Até 2025, prevê o relatório,

Por exemplo, o crescimento urbano da China está ocorrendo 10 vezes mais rápido do que a urbanização no Reino Unido, o primeiro país a se industrializar. A China está criando megacidades (população de 10 milhões ou mais) a uma taxa de uma por ano.

De acordo com o relatório da McKinsey,

  • o centro de gravidade econômico vem mudando para leste na última década
  • a uma taxa de 140 km por ano e, em 2025, terá retornado a um lugar na Ásia central, ao norte de onde foi no ano 1.000 DC.

“Não é uma hipérbole dizer que estamos observando a mudança mais significativa no centro de gravidade econômico da Terra na história”, conclui o relatório.

O gráfico abaixo, com dados do FMI, mostra como mudou a correlação de forças entre as economias

  • dos principais países ocidentais,
  • da Ásia emergente
  • e da Chíndia (China + Índia).

A queda dos países ocidentais foi grande e a ascensão dos países orientais foi surpreendente.

  • linha azul mostra a participação no PIB global dos EUA mais o Canadá e mais a União Europeia (com 28 Estados-membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Romênia, Reino Unido e Suécia),
  • enquanto a linha laranja mostra a participação da Ásia Emergente (30 países: Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Fiji, Índia, Indonésia, Kiribati, Laos, Malásia, Maldivas, Ilhas Marshall, Micronésia, Mongólia, Mianmar, Nauru, Nepal, Palau, Papua-Nova Guiné, Filipinas, Samoa, Ilhas Salomão, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste, Tonga, Tuvalu, Vanuatu e Vietnã).

Acesse a fonte de dados do gráfico aqui

 

  • Os 30 países ocidentais tinham uma participação no PIB global de 53,8% em 1980, caíram para 32,8% em 2018 e devem ficar com 29,9% em 2023.
  • Já os 30 países da Ásia Emergente tinham uma participação no PIB global de somente 8,9% em 1980, passaram para 33,2% em 2018 (ultrapassando os 30 países ocidentais) e devem ficar com 37,7% em 2023.

Mas dentro da Ásia Emergente (que reúne os países do Leste e do Sul da Ásia) o peso fundamental é da China e da Índia (Chíndia). O gráfico também mostra que a Chíndia tinha uma participação no PIB global de apenas 5,2% em 1980 (10 vezes menos que os 30 países ocidentais), mas passou para 26,4% em 2018 e deve chegar a 30,3% em 2023, ultrapassando os 30 países ocidentais que devem ficar com 29,9%.

Portanto, a China e a Índia – as duas grandes civilizações do passado – estão voltando a ter papel central na economia internacional.

  • Como são países que somam quase 3 bilhões de habitantes e crescem muito em termos econômicos
  • estão provocando a mudança do eixo econômico de gravidade para o centro da Ásia.

 

Referência:

Richard Dobbs et. al. Urban world: Cities and the rise of the consuming class, Report McKinsey Global Institute, June 2012

 

 

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