PADRE CASADOS,  CONVIDADOS POR SEU BISPO

Carta ao bispo de Palencia

 

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JULIO PÉREZ PINILLOS,  15/03/2019 – Foto: Midwest Augustinians

Tradução: Orlando Almeida

* A luz quente da cena brota da iniciativa simples de um bispo querido e próximo do seu povo – D. Manuel Herrero, OSA,  – de reunir uma vez por ano (em torno do Natal, este foi o terceiro) os padres casados ​​palentinos – “que o desejem” – para nos sentirmos à vontade, partilhar sentimentos e experiências de vida e dar-nos confiança para o que o Evangelho e a vida nos vá pedindo, modo muito oportuno para os tampos de mudanças e inquietude.

No dizer do bispo Dom Manuel:

Fazeis uma abordagem coerente, em fidelidade ao Evangelho, ao Reino que Jesus anunciou, ao seu projeto de humanização, à porta entreaberta do Concílio Vaticano II (1965) e aos novos sinais dos tempo. Também assumis uma razão funcional, sociológica e pastoral: aproveitar o rico potencial dos padres secularizados, que vivem em matrimônio e continuam comprometidos, como é o vosso caso…”

 

 

ECLESALIA , 15/03 /2019

Amigo e bispo D. Manuel:

Muito me alegrou a chamada  telefônica do teu secretário D. Jorge  convidando-me para um

“encontro dos padres  casados de Palencia – que possam e o desejem – com o seu bispo”.

Quero agradecer-te, assim como a todos os meus amigos e companheiros  participantes, com as notas que tomei – ao correr da pena , entre a reflexão, a alegria e a oração – no trem noturno, de volta a Madri.

Obrigado

pela ideia que tiveste: não é o mais comum.

E, no entanto, que lindo-simples-evangélico-promissor! Se o exemplo se espalhar, será uma alegria e um indicador de caminho que as comunidades agradecerão. É importante saber “estar no sulco” e confiar!

  • Que diferença com outras épocas não distantes
  • de ocultamento-exclusão-condenação dos padres casados,
  • do seu estilo de vida e compromisso ministerial compatível com as atividades normais da vida!
  • Que resistência a valorizar positivamente as “contribuições” da sua reflexão-programa-reivindicações em tantos congressos nacionais e internacionais da “Federação Internacional de Padres Católicos Casados” (“FISCC” presente em 30 países de quatro continentes)!

Pela maneira como foi desenvolvida:

A começar com o cartaz de “boas-vindas” e durante o dia “de portas abertas”: com uma volta pelos gabinetes e escritórios do bispado – a casa comum –

  • dos vigários geral e pastoral,
  • dos encarregados de  cuidar da situação dos padres – com atenção especial para os mais velhos, –
  • dos  responsáveis pela pastoral da juventude, com os seus projetos e atividades,
  • de algumas das equipes pastorais em diferentes zonas da diocese…
  • e terminar rezando todos juntos, o ‘angelus’ em família, diante da Virgem de Lebanza – de tão boas lembranças para todos os convidados – e deixando registro reconhecido disso na revista diocesana.

Com almoço de amigos veteranos

no centro da rua principal, artéria mais importante e muito viva da cidade, junto à estátua da mulher castelhana, com o tradicional e conhecido vinho “Verdejo / Rueda” no balcão do bar, rodeados de pessoas e com cheiro de cidadania, quando chegávamos nós todos, os convidados. Quinze pessoas manifestando-nos a alegria e o acerto do encontro (o terceiro já): com alegria e sem pressa para terminar os temas. Sabendo que o bom era começar do que havíamos herdado e vivido durante longos e frutíferos anos,

  • na convicção esperançosa de que estes encontros
  • não se reduzirão a uma nota de agenda,

mas que se irão abrindo – foi desejo compartilhado –

  • às experiências, riquezas e eventos, nossos, de pessoas que receberam muito, e pusemos em andamento com ilusão
  • e… a vida se encarregou de nos ir amadurecendo – como o senhor sabe – na pluralidade, carinho, busca, silêncio, contemplação, mulher-filhos-família e compromisso familiar-pastoral-social-político!

Como espaço familiar ‘aberto’ aos conteúdos e expectativas que queiramos comprovar.

Pairava no ambiente o que nos próximos encontros – talvez com uma participação maior – iremos partilhando e aprofundando:

  • como a nossa vida se tem modificado e enriquecido,
  • como continuamos mantendo o nosso compromisso transformador da igreja-sociedade,
  • qual é o nosso sentido de  ‘comunidade’ eclesial  e inclusiva do ministério – celibatário ou não celibatário – a serviço das mesmas…
  • que devem ser progressivamente mais corresponsáveis e igualitárias…

Este encontro vivo e familiar tornou agradáveis as minhas duas horas de viagem de volta a Madrid, ajudando-me a recuperar e a meditar alguns dos sentimentos e convicções que me/nos vieram trabalhando durante quarenta anos no MOCEOP (Movimento pelo Celibato Opcional) e na FISCC:

  • Como recolher e agradecer as diferentes experiências presbiterais realizadas a esse respeito nos países que compõem a federação?
  • Por que o celibato dos sacerdotes prevalece sobre a Eucaristia que “conforma a Comunidade”?
  • Como centrar o ministério não no celibato – opcional, é claro – nem no clero, mas nos carismas do Espírito na comunidade que o chama e o acolhe como servidor do Evangelho?
  • Como incorporar na comunidade algumas formas presbiterais vividas a partir de uma profissão e modus vivendi próprios (os padres operários, por exemplo) e da riqueza que lhes traz a família-lar-filhos comprometidos na transformação do seu entorno (educação-bairro- paróquia) da maneira que o Espírito – parece – vai sugerindo na sua Igreja…?
  • Quando – e quem – fará o relato do processo e significado histórico dos 100.000 ‘padres secularizados’ (pioneiros-traidores-fracos-profetas, testemunhas- expurgados, buscadores impacientes…?) que, desde o Concílio Vaticano II até hoje têm procurado servir – muitos com uma espiritualidade  profunda –ao Evangelho de Jesus, à vida e às comunidades?

Já atingindo Chamartin [bairro e estação ferroviária de Madrid], lembrava as observações e sugestões da nossa última conversa contigo, com Emilia e com Nicholás Castellanos (lembra, também em Palencia, e com um agradável almoço] que o nosso amigo-bispo viajante quis traduzir em uma amorosa carta de que nos enviou com um sublinhado encorajador e significativo: “discernimento, oração e parresia” e da qual vale a pena destacar:

  • Fazeis uma abordagem coerente, em fidelidade ao Evangelho, ao Reino que Jesus anunciou, ao seu projeto de humanização, à porta entreaberta do Concílio Vaticano II (1965) e aos novos sinais dos tempos.
  • Também assumis uma razão funcional, sociológica e pastoral: aproveitar o rico potencial dos padres secularizados, que vivem em matrimônio e continuam comprometidos, como é o vosso caso, e ressaltais estes dois elementos:
  1. A opção ministerial é proposta e vivida. E a comunidade cristã a solicita. Então tem identidade teológica e pastoral.
  2. Faz-se um diálogo com o bispo – incluindo uma carta ao Papa – sem renunciar ao objetivo, tenta-se alcançá-lo com propostas, proposições teológicas, pastorais, atuais…
  • Sem pressas mas sem pausas, com uma expressão de sinodalidade e colegialidade de todo o Povo de Deus, era preciso prosseguir  com a parresia dando passos em direção ao objetivo…”.

 

Obrigado D. Manuel. Obrigado companheiros. Continuamos em contato

 

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JULIO PÉREZ PINILLOS, (e sua esposa EMÍLIA ROPBLES

É, junto com a Esposa,   um dos maiores líderes do MOCEOP (Movimento pelo Celibato Opcional) da Espanha

e da “Federação Internacional de Padres Católicos Casados” (“FISCC”

 

https://eclesalia.wordpress.com/2019/03/15/curas-casados-con-su-obispo/

 

 

 

 

NOTA DA REDAÇÃO:

O Documento de Aparecida, em seu número 200, diz o seguinte:

Levando em consideração o número de presbíteros que abandonaram o ministério, cada Igreja particular procure estabelecer com eles relações de fraternidade e mútua colaboração conforme as normas prescritas pela Igreja.

Até onde sabemos, são bem poucos, no mundo, os bispos  que seguem esta orientação. Sei de um em Portugal, o antigo de Viseu, agora este de Palência, de um no Chile e de um aqui em S. Luís, Maranhão. Deve haver mais alguns, mas não chegaram ao nosso conhecimento.

Em geral somos uma pedra no sapato da hierarquia. Nossa simples existência e presença, incomodam. Mesmo calados, suscitamos muitos questionamentos. Pouquíssimos bispos tiveram a coragem de convidar um padre casado para algum trabalho nas Pastorais diocesanas…

Discuti bastante este assunto nas várias Entrevistas à grande imprensa nacional. Estão acessíveis neste Site.

João Tavares

Editor

4 comments to PADRE CASADOS,  CONVIDADOS POR SEU BISPO

  • oscar varela

    Hola!
    Importante la NOTA DE LA REDACCIÓN (al final)

  • Beto

    Seria útil mandar este artigo para todos os bispos do Brasil,principalmente para a cúpula da CNBB e demais órgãos eclesiásticas. Será que não temos nenhum bispo no Brasil que inicia esta mudança?

  • João Tavares

    Beto, podes copiar e enviar, citando a fonte

  • oscar varela

    Hola!
    Convendría recordar que fue un OBISPO y SU COMPAÑERA
    quienes iniciaron, valientemente y sin violencias,
    en la década del ’60, la propuesta profética.

    En este asunto, espinoso para la Iglesia,
    ni el Papa Francisco, y mucho menos Episcopados, Obispos
    e incluso los Curas (Padres) en el Ministerio
    se han mostrado a la altura de nuestro tiempo.

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