Lideranças feministas convocam ofensiva internacional contra a extrema direita

 Brasil de Fato – 08 Março 2019 – Imagem: Daqui

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 Vinte e quatro lideranças feministas de diferentes países lançaram nesta quarta-feira (6) um manifesto contra o fortalecimento da extrema direita. Na semana do dia 8 de março, em que se realizam mobilizações em todo o mundo, a ideia é convocar uma ofensiva internacional para “deter o trem do capitalismo global, que descamba a toda velocidade em direção à barbárie, levando a bordo a humanidade e o planeta em que vivemos” – segundo o próprio manifesto.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 06-03-2018.

 

O texto, intitulado “Para além do 8 de Março: rumo a uma Internacional Feminista”, pode ser assinado on-line. Para isso, é necessário informar o nome completo e as informações para contato via telefone e e-mail.

Das 24 autoras do manifesto, quatro são brasileiras: a escritora e ativista Antonia Pellegrino; Jupiara Castro, integrante do Núcleo de Consciência Negra; a arquiteta Mônica Benício, viúva de Marielle Franco; e Sônia Guajajara, liderança da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Além delas, assinam personalidades como Angela Davis, filósofa socialista estadunidense, e Verónica Gago, liderança do movimento Ni Una Menos na Argentina.

 

Leia o manifesto na íntegra.

Para além do 8 de Março: rumo a uma Internacional Feminista

Pelo terceiro ano consecutivo a nova onda feminista transnacional chamou um dia de mobilização global no 8 de março: greves legais do trabalho assalariado – como as 5 milhões de grevistas do 8 de março de 2018 na Espanha e as centenas de milhares no mesmo ano na Argentina e na Itália; greves protagonizadas pelas bases de mulheres sem direitos ou proteção trabalhistasgreves do trabalho de cuidado e não pagogreves de estudantes, mas também boicotes, marchas e trancamentos de vias. Pelo terceiro ano consecutivo mulheres e pessoas que por todo o mundo estão se mobilizando contra os feminicídios e toda forma de violência de gênero; pela autodeterminação de seus corpos e acesso ao aborto seguro e legal; por igualdade salarial para trabalhos iguais; pela livre sexualidade.

Se mobilizam também contra os muros e fronteiras; o encarceramento em massa; o racismo, a islamofobia e o anti-semitismo; a desapropriação das terras de comunidades indígenas; a destruição de ecossistemas e a mudança climática. Pelo terceiro ano consecutivo, o movimento feminista está nos dando esperança e uma visão para um futuro melhor em um mundo em desmoronamento. O novo movimento feminista transnacional é moldado pelo sul, não só no sentido geográfico, mas também no sentido político, e é nutrido por cada região em conflito. Essa é a razão de ele ser anticolonial, antirracista e anticapitalista.

Estamos vivendo um momento de crise geral. Essa crise não é de forma alguma somente econômica; é também política e ecológica. O que está em jogo nessa crise são nossos futuros e nossas vidas. Forças políticas reacionárias estão crescendo e apresentando-se como uma solução a essa crise.

  • Dos EUA à Argentina,
  • do Brasil à Índia, Itália e Polônia,

governos e partidos de extrema direita

  •  constroem muros e cercas,
  • atacam os direitos e liberdades LGBTQ+,
  •  negam às mulheres a autonomia de seu próprio corpo
  • e promovem a cultura do estupro,

tudo em nome de um retorno aos “valores tradicionais” e da promessa de proteger os interesses das famílias de etnicidade majoritária. Suas respostas à crise neoliberal não é resolver a raiz dos problemas, mas atacar os mais oprimidos e explorados entre nós

  • nova onda feminista é a linha de frente na defesa contra o fortalecimento da extrema direita.
  • Hoje, as mulheres estão liderando a resistência a governos reacionários em inúmeros países.

Em setembro de 2018, o movimento “Ele Não” juntou milhões de mulheres que se levantaram contra a candidatura de Jair Bolsonaro, que agora tornou-se um símbolo mundial dos planos da extrema direita para a humanidade e o catalisador de forças reacionárias na América Latina. Os protestos ocorreram em mais de trezentas cidades no Brasil e em todo o mundo.

Hoje, Bolsonaro está colocando em prática uma guerra contra

  • os pobres,
  • as mulheres,
  • as LGBTQ+
  • e as pessoas negras.

Ele apresentou uma reforma da previdência draconiana e afrouxou as leis de controle das armas. 

  • Feminicídios estão disparando num país que já em 2018 tinha um dos maiores números de feminicídios do mundo,
  • sendo 70% dessas mulheres assassinadas negras.
  • 126 feminicídios já ocorreram em 2019.

O movimento feminista brasileiro

  • está respondendo esses ataques
  • e se preparando para a mobilização no 8 de março e novamente no 14 de março, no aniversário do assassinato político de Marielle Franco,

ao mesmo tempo em que

  • emergem informações sobre os fortes laços
  • entre os filhos de Bolsonaro e um dos milicianos responsáveis por sua morte.

 

Da mesma forma,

  • Non Una Meno na Itália é hoje o único movimento organizado respondendo às políticas anti-imigrantes e misóginas do governo de direita da Liga Norte e do Movimento Cinco Estrelas.
  • Na Argentina, mulheres lideraram a resistência contra as políticas neoliberais de direita do governo Macri.
  • E, no Chile, o movimento feminista está lutando contra a criminalização da luta dos povos indígenas e o machismo sistêmico de uma educação muito cara.

movimento feminista também está redescobrindo o significado da solidariedade internacional e da iniciativa transnacional. Nos últimos meses

  • o movimento feminista argentino usou o evocativo nome de “Internacional Feminista”
  • para se referir à prática da solidariedade internacional reinventada pela nova onda feminista,
  • e em alguns países, como a Itália, o movimento está discutindo a necessidades de encontros transnacionais
  • para melhor coordenar e compartilhar visões, análises e experiências práticas.

Diante da crise global de dimensões históricas,

  • mulheres e pessoas LGBTQ+
  • estão encarando o desafio
  • e preparando uma resposta global.

Depois do próximo 8 de março, chegou a hora de

  • levar nosso movimento um passo adiante
  • e convocar reuniões internacionais e assembleias dos movimentos:
  • para tornar-se o freio de emergência capaz de deter o trem do capitalismo global,
  • que descamba a toda velocidade em direção à barbárie, levando a bordo a humanidade e o planeta em que vivemos.

 

Brasil de Fato

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/587245-liderancas-feministas-convocam-ofensiva-internacional-contra-a-extrema-direita

 

 

 

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