Abusos sexuais na Igreja: chegou a hora de fazer as contas com alguns momentos e passagens do pontificado de João Paulo II

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Luis Badilla 24/02/2019 – Foto: Outras Palavras

 Que a tragédia da pedofilia clerical, e especialmente o erro e o horror das políticas de ocultação e acobertamento, tenha a ver com algumas passagens e momentos relevantes do longo pontificado de Karol Wojtyla, é indiscutível. Embora em grande parte ainda seja um assunto tabu, na realidade é outro segredo de polichinelo.
Há tempo se fala sobre isso, em diferentes ambientes, dentro e fora da Igreja, dentro e fora da Cúria e no curso do Encontro sobre a proteção dos menores – que recentemente terminou – o “período doPapa Wojtyla” pairava em cada instante, mas sempre como algo “inominado”.

O comentário é de Luis Badilla, publicado por Il Sismografo, 23-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

 

A crise dos abusos, particularmente nos primeiros países onde o escândalo estourou publicamente – Canadá e Estados Unidos – e as condutas da hierarquia do Vaticano sob o papado de João Paulo II nunca foi estudada, investigada e analisada. Por enquanto,

  • é um buraco negro
  • no complexo e dramático episódio dos abusos sexuais por membros do clero.

A esse respeito, nada se sabe de concreto, que seja demonstrável e transparente, sério, honesto e fidedigno. Por enquanto

  • se fazem suposições,
  • se prospectam cenários e decisões, mas sem qualquer confirmação,
  • se elencam montanhas dos suspeitos

e se apontam com o dedo supostos responsáveis

  • na Secretária de Estado daquela época,
  • nos escritórios da Cúria
  • e no próprio grupo próximo ao Papa Wojtyla.

Não poucas das pessoas indicadas ainda são membros importantes da hierarquia católica e vaticana.

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Como se sabe, um ponto central deste período

  • é o episódio de Marcial Maciel
  • que, em muitos aspectos, em especial no que diz respeito à sua relação com os colaboradores mais próximos de João Paulo II,
  • ainda não está totalmente claro e transparente.

A chaga da pedofilia clerical, tudo que já foi feito para combatê-la e o que parece certo será feito após esta cúpula que se encerrou no domingo com um discurso do Santo Padre,

  • só pode ser erradicada se toda a Igreja, todos os seus membros,
  • fizerem as contas com o que realmente aconteceu nesse âmbito durante os últimos pontificados,
  • especialmente durante o de João Paulo II.

Não é bom, nem saudável e menos ainda produtivo que essa questão seja classificada como

 

  • um “mistério envolto em um enigma”,
  • um tabu
  • ou uma zona explosiva da qual é melhor não se aproximar.

Seria ainda pior, como acontece atualmente, que se fale sobre a questão sem ter informações e feedback confiáveis e verdadeiros.

Talvez, como em casos recentes sob o papado de Bento XVI, uma comissão de cardeais e especialistas poderia ajudar a escrever a verdadeira história desses momentos e passagens.

 

 

 

Luis Badilla

 

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