Órgão ligado à Igreja Católica critica general Heleno e defende mobilização pela Amazônia

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Rafael Neves – 19/02/2019. Imagem: Ecoamazônia

O observatório da política da CBJP  (Comissão Brasileira de Justiça e Paz), órgão autônomo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), publicou nesta terça-feira (18) uma nota de repúdio a declarações do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, em relação ao Sínodo da Amazônia, reunião de bispos marcada para outubro deste ano, no Vaticano.

A reportagem é de Rafael Neves, publicada por Congresso em Foco, 18-02-2019.

 

No comunicado, a CBJP

  • pede uma mobilização de cidadãos e autoridades
  • “para que assumam uma firme e corajosa atitude em defesa da soberania brasileira sobre a Amazônia“,
  • que o órgão julga ameaçada por informações como uma suposta pretensão estrangeira de instalar bases militares na região.

Em nota, Heleno

  • nega que o GSI, mais especificamente a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), esteja investigando a Igreja Católica,
  • mas admite “preocupação funcional com alguns pontos da pauta”do sínodo,
  • que foi convocado pelo Papa Francisco em 2017 e envolve nove países sul-americanos relacionados à Amazônia.

CBJP afirma que as declarações de Heleno vão no sentido de

  • “interferir nos cultos religiosos e nas igrejas, embaraçando-lhes o funcionamento”,
  • e de “fazer acusações inverídicas, imputando vinculações partidárias à IgrejaCatólica, classificando-a como ‘esquerdista’ e inimiga do Governo Federal”.

As declarações do ministro sobre o evento vieram à tona em uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, no dia 10 de fevereiro. Dois dias depois, Heleno

  • foi questionado por jornalistas
  • e reconheceu que o governo teme que o sínodo “entre em assuntos que são afetos à soberania”brasileira.

“O que eu acho que tem que ser uma preocupação nossa é não deixar que

  • entidades estrangeiras,
  • ONGs estrangeiras,
  • chefes de Estado estrangeiros, às vezes por trás dessas ONGs,
  • queiram dar palpite em como deve ser tratada a Amazônia brasileira”,

afirmou o ministro durante o velório do jornalista Ricardo Boechat.

CNBB se posicionou apenas por meio de um vídeo gravado por Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Confederação.

 

Resultado de imagem para Sínodo da AmazôniaPanamazônia: Fonte de vida no coração da Igreja / Missionarie della Consolata

Eis a nota.

 

Nota do Observatório da Política da CBJP

Art. 5º, VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 1ºI – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes, relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;  (Constituição Brasileira de 5 de Outubro de 1988)

1. Em conformidade com seus objetivos, este Observatório Político

  • acompanha os fatos políticos que têm importância para o aperfeiçoamento da democracia em nosso país
  • e não se pode omitir sobre a entrevista publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, edição de domingo 10/02/2019,
  • do General Chefe do GSI Gabinete de Segurança Institucional, órgão integrante da Presidência da Republica,
  • criticando a futura realização do Sínodo da Amazônia, promovido pelo Vaticano
  • e fazendo acusações indevidas à Igreja Católica e à CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,
  • além de admitir que a ABIN investiga o evento.

2. Este fato é inadmissível por constituir grave violação inconstitucional, na medida em que os órgãos da estrutura do Estado, estão impedidos por força dos artigos 5º, VI e 19 da Constituição Federal, de interferir nos cultos religiosos e nas igrejas, embaraçando-lhes o funcionamento. Igual proibição consta do artigo 44, § 1º da Lei nº 10.406/2002, que instituiu o Código Civil Brasileiro.

3. Além de ser inconstitucional,

  • o pronunciamento do GSI é equivocado por fazer acusações inverídicas,
  • imputando vinculações partidárias à Igreja Católica, classificando-a como “esquerdista” e inimiga do Governo Federal,
  • gerando um desnecessário e inoportuno atrito entre o Estado e a Igreja Católica, como nunca se viu na história do Brasil,
  • ofendendo assim o sentimento religioso dos brasileiros de todas as convicções.

4. Agrava ainda mais a atitude do GSI, o fato de que

  • abertamente se imiscui em evento privado da Igreja Católica, o Sínodo da Amazônia,
  • promovido pelo Vaticano, convocado ainda em 2017, envolvendo nove países
  • com a finalidade de estudar os problemas daquela região e apontar possíveis medidas na sua solução.

5. Por quê um evento desta natureza,

  • em vez de apoio, é recebido como incômodo a ponto de produzir tão estereotipada reação?
  • Qual a causa de tanta preocupação da ABINe do Governo federal, com uma reunião da Igreja Católica, de estudos e reflexões sobre os problemas da região amazônica?
  • O que se passa ali que não possa vir à luz do dia?
  • Por quê não se analisar os legítimos interesses de quem quer que seja sobre as riquezas incomensuráveis que existem lá ?
  • Existirão interesses ilegítimos, inconfessáveis, de que os brasileiros não possam tomar conhecimento?
  • Será este receio que move quem não quer a discussão?

6. Como é dever do Governo Federal

  •  cuidar de nossa Amazônia,
  • defendê-la da cobiça que desperta em muita gente,
  • os estudos do Sínodo colaborarão, significativamente nesta tarefa.

Só devem temer o Sínodo, pois,

  • aqueles que têm interesses ilegais, escusos,
  • com referência às enormes riquezas existentes naquela região.

A soberania da Amazônia evidentemente

  • não será maculada pelos debates e análises que o Sínodo vai realizar,
  • porém pela atuação predatória, aberta ou escondida de agentes públicos e privados, nacionais e estrangeiros que dela sonham em se apropriar,
  • por meios ardilosos e sub-reptícios, aparentemente legais,
  • ou pela força se assim for necessário.

7. Nesta linha de raciocínio,

  • é dever do povo brasileiro,
  • resistir à pretensão estrangeira de instalar bases militares em nosso território amazônico,
  • seja a que pretexto for.
  • Isto sim é jogar no lixo a nossa soberania, isto sim é crime de lesa pátria.

8. Com esta Nota Pública, portanto,

  • se faz uma convocação a todos, cidadãos e cidadãs,
  • parlamentares, magistrados, entidades e especialmente, autoridades,
  • para que assumam uma firme e corajosa atitude em defesa da soberania brasileira sobre a Amazônia,
  • para que sejam identificados e denunciados aqueles que, verdadeiramente, pretendam aniquilá-la.

Brasília, 18 de fevereiro de 2019 –  Observatório da Política da CBJP

Rafael Neves
Rafael Neves  – Observatório da Política da CBJP

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/586772-orgao-ligado-a-igreja-catolica-critica-general-heleno-e-defende-mobilizacao-pela-amazonia

 

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