Manifesto do Cardeal Müller ataca a doutrina de Francisco

Paolo Rodari – 09 Fevereiro 2019

 “O Cardeal Gerhard Müller, ex-chefe da Doutrina da fé, publicou um Manifesto que parece uma correção dos muitos dos erros doutrinais que Francisco ensinou durante seu pontificado. A intenção do Cardeal era publicar o manifesto em 10 de fevereiro.

A data é a véspera do aniversário do anúncio “da renúncia de Bento XVI ao pontificado e, também, “a véspera da ordenação do cardeal para o sacerdócio”. No entanto, “um web site polonês quebrou o embargo e o documento foi divulgado hoje”.

A reportagem é de Paolo Rodari, publiicada por La Repubblica, 09-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Com estas palavras o site conservador norte-americano Lifesitenews,

  • o mesmo que em agosto passado veiculou com grande ênfase o pedido de demissão solicitado a Francisco pelo ex-núncio de Washington, Carlo Maria Viganò,
  • lança um “Manifesto da fé” escrito pelo prefeito emérito do ex-Santo Ofício
  • visando contrastar “a crescente confusão sobre a doutrina da fé”
  • e mostra a clara intenção daquele que escreveu o documento de dar sua opinião sobre o que o pontificado em curso deixa, sempre de acordo com quem escreveu o texto, incerto.

Müller nunca menciona o Papa Francisco, mas como as palavras de Lifesitenews demonstram, é claro que o objetivo da frente conservadora, da qual ele é uma personalidade proeminente, é “dar testemunho público para a Verdade da revelação” em um momento para a Igreja que ele julga ser “sempre e cada vez mais confusão no ensinamento da fé”. Uma confusão, está implícito, que para ele e para os opositores de Francisco é provocada pelo Papa, pelo seu magistério e pelas suas palavras.

Müller não cita Bergoglio, mas busca palavras nos ensinamentos de João Paulo II:

“Hoje – afirma – muitos cristãos já nem conhecem mais os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrar mais o caminho que conduz à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua sendo a de levar os homens para Jesus Cristo, luz dos homens. Nesta situação, perguntamo-nos como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensinamento da fé”. Foi escrito com o propósito de fortalecer os irmãos e as irmãs na fé, uma fé posta duramente à prova pela ‘ditadura do relativismo’.”

Müller em um documento rico em citações eruditas fala do

  • “reaparecimento de antigas heresias”,
  • de “anticristo”,
  • da igreja como instituição que “transmite com a autoridade de Cristo a revelação divina”:

ela –escreve – “não é uma associação criada pelo homem, cujo estrutura pode ser modificada por seus membros de acordo com a sua vontade.”

Das teorias gerais o cardeal alemão passa para a prática.

E solta sua opinião sobre os divorciados recasados:

“Da lógica interna do Sacramento se compreende que

  • divorciado recasado no foro civil, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido,
  • bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica
  • e também todos aqueles que não estão devidamente dispostos,

não recebam a Sagrada Eucaristia frutuosamente, porque de tal forma esta não os conduz à salvação. Colocar isso em evidência corresponde a uma obra de misericórdia espiritual”.

O Cardeal recorda depois como

“o reconhecimento dos pecados na sagrada confissão pelo menos uma vez por ano é um dos preceitos da Igreja”

e explica que

“os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como um ‘sinal desta nova vida’ e que ‘a esse respeito, falar de uma discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma compreensão errônea deste sacramento, que não se refere a um poder terreno, mas à representação de Cristo, o Esposo da igreja”.

E depois fala de “lei moral”, que “não é um fardo, mas faz parte daquela verdade libertadora através da qual o cristão percorre o caminho da salvação e não deve ser relativizada”.

Ao mesmo tempo, ataca, mesmo sem citar nomes, os bispos

“que preferem agir como políticos ao invés de mestres de fé para proclamar o Evangelho”. E o fato de que “a morte torna definitiva a decisão do homem em favor ou contra Deus”.

Então conclui:

“calar-se sobre estas e outras verdades da fé ou ensinar o contrário é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte com todo vigor. Isso representa a última prova da Igreja, ou seja, ‘uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para seus problemas, ao preço da apostasia da verdade’. É o engano do Anticristo, que vem ‘com todas as seduções da iniquidade, em detrimento daqueles que vão à ruína porque não receberam o amor da verdade para serem salvos’”.

Finalmente, aqui está o motivo deste manifesto que parece, para além dos virtuosismos literários, como uma clara tomada de distância do pontificado em curso:

“Nós nos empenharemos – afirma – para fortalecer a fé, confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo”.

E mais:

“Possa Maria, Mãe de Deus, conceder-nos a graça de nos segurarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar”.

 

Paolo Rodari

 

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