O inferno de May: “UE-27 não reabrirá o acordo de retirada”

João Francisco Guerreiro, em Bruxelas – 

“O presidente Juncker sublinhou que a UE-27 não reabrirá o acordo de retirada, que representa um compromisso cuidadosamente equilibrado entre a União Europeia e o Reino Unido, em que ambas as partes fizeram concessões significativas para chegar a um acordo”,

lê-se numa declaração conjunta, emitida no final do encontro, em que ambos manifestaram a vontade de evitar um hard Brexit.

 

“As conversações foram realizadas com o espírito de trabalhar em conjunto para conseguir a retirada ordenada do Reino Unido da UE”, acrescentam na declaração, onde também se lê que

  • “o presidente Juncker expressou a sua abertura para acrescentar uma formulação à declaração política”
  • para a tornar “mais ambiciosa em termos de conteúdo e rapidez no que diz respeito à futura relação entre a União Europeia e o Reino Unido”.

Essas eventuais alterações terão, porém, que ser

  • “acordadas pelo Parlamento Europeu e pela UE-27”, como vincou o presidente da Comissão,
  • dando a entender que será necessária rapidez para organizar novos textos, que reúnam o consenso de todos,
  • a ponto de evitar um hard Brexit, a escassas oito semanas da data prevista.

Poucos amigos

Theresa May chegou a Bruxelas com o semblante mais carregado que alguma vez se lhe viu por aqui. O tom sério dava a entender que a primeira-ministra pudesse estar melindrada com os termos “pouco diplomáticos” com que o presidente do Conselho Europeu se dirigiu aos “defensores do Brexit”, no dia anterior.

“Tenho vindo a questionar-me como é que será esse lugar especial no inferno, para aqueles que promoveram o Brexit sem um rascunho para o executar em segurança”, criticou ontem Donald Tusk.

 

 

Já esta manhã, o secretário de Estado-adjunto da primeira-ministra, David Lidington, em declarações à BBC, questionado se May deveria exigir um pedido de desculpas a Tusk, na sequência das declarações de ontem,

  • classificou a declaração como “pouco diplomática”,
  • mas considerou que “ele não estava a criticar a primeira-ministra”.

No entanto, esta manhã Theresa May não exteriorizava a boa disposição com que normalmente se afirma determinada em executar o Brexit. O habitual aperto de mão com que o presidente da Comissão recebe os notáveis que o visitam, foi paradoxalmente estático.

May evitou ainda qualquer declaração aos inúmeros jornalistas que aguardavam a sua chegada, apesar das insistências.

  • Tem novas propostas, primeira-ministra?”, questionou um jornalista, para logo a seguir perguntar ainda se ela “tem um plano B?”
  • “Primeira-ministra, trouxe alguma proposta específica hoje?”,perguntou outro jornalista que também não obteve qualquer resposta de Theresa May.
  • Depois uma nova questão: “Você pode fazer mudanças ao acordo, primeira-ministra?” – e nada.

Nesta altura, já inclinada para caminhar até à porta de acesso ao elevador, que a levaria ao ponto mais alto do edifício Berlaymont – o 13.º andar, onde se situa o gabinete do presidente, símbolo do poder executivo da União Europeia –, May expressou um tímido “obrigado”.

Num tom irónico, e já sem qualquer esperança de obter resposta, até porque Theresa May já estava prestes a desaparecer pela porta, um jornalista perguntou:

“É isto o inferno, primeira-ministra?”, levando toda a assistência, que se encontrava junto do vip-corner, a uma gargalhada.

 

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João Francisco Guerreiro

Fonte: https://www.dn.pt/mundo/interior/o-inferno-de-may-ue-27-nao-reabrira-o-acordo-de-retirada-10547553.html

 

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