Esse não é mais um acidente. É um crime! Nota da Articulação do Semiárido

Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – 29 Janeiro 2019

Equipe de resgate em Brumadinho –Foto: Ricardo Stukert/ FP 

Defendemos a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que, de forma isenta e comprometida, possa investigar a cadeia da mineração e propor medidas legais de prevenção a este tipo de crime e punição aos responsáveis, incluindo os diretores das grandes corporações envolvidas e os governos que buscam de toda forma “afrouxar” a já combalida legislação ambiental, afirma nota pública da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Eis a nota.

Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), rede com mais de 3.000 organizações da sociedade civil, se solidariza com as famílias de Brumadinho (MG) e todas aquelas que, de alguma forma, foram ou serão atingidas por mais um crime cometido por uma grande mineradora.

No fim da manhã do dia 25 de janeiro,

  • a barragem da Mina Córrego do feijão, que pertence a empresa Vale,
  • rompeu e espalhou um mar de rejeitos que devastou a comunidade e o centro administrativo da empresa.

As dimensões ainda não podem ser calculadas, pois nem a própria empresa sabe ao certo quantos trabalhadores e trabalhadoras foram engolidas pela lama tóxica, além das comunidades em seu curso que foram tragadas de forma trágica.

A comunidade Córrego do Feijão, situada em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte,

  • está vivendo as dores pelas perdas de centenas de vidas,
  • provocadas por atividade que agride e delapida o meio ambiente,
  • e que não aprendeu com as mortes já causadas.

Pouco mais de três anos após o rompimento da barragem de rejeitos no município de Mariana, em Minas Gerais, que ceifou vidas e devastou o meio ambiente (fauna e flora, além do rio Doce e seus afluentes),

  • novamente o Estado é agredido com o derramamento de lama proveniente da atividade de extração do minério de ferro.
  • Isso só reafirma o quanto essas empresas são, na verdade, depredadoras de recursos naturais, depredadoras de vidas.

Assim como no desastre de Mariana, a proporção da tragédia é bem mais ampla e compromete outras regiões.

No caso de Brumadinho,

  • a lama já atingiu o leito do rio Paraopeba,
  • importante afluente do rio São Francisco,
  • principal fonte de água para todo o Semiárido brasileiro.

Isso

  • não apenas comprometerá a vitalidade de um rio que já vem ameaçado desde a sua transposição,
  • como também a subsistência e os modos de vidas de diversas populações
  • de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe,
  • que dependem dele para viver.

Não é possível que o Estado Brasileiro continue a tratar essa situação de risco ao qual as mineradoras colocam nossos povos como algo sem importância.

Nós da ASA repudiamos esse modelo de desenvolvimento onde quem ganha é o capital,

  • às custas da exploração do meio ambiente,
  • da devastação territórios
  • e expulsão de populações,

assim como vem ocorrendo em Minas Gerais e outros estados brasileiros.

Nesse sentido, apoiamos e defendemos a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que, de forma isenta e comprometida, possa

  • investigar a cadeia da mineração
  • e propor medidas legais de prevenção a este tipo de crime
  • e punição aos responsáveis,
  • incluindo os diretores das grandes corporações envolvidas e os governos que buscam de toda forma “afrouxar” a já combalida legislação ambiental.

Esse não é mais um acidente. É um CRIME!

Causado pela ganância de grandes corporações, nacionais e internacionais, onde o lucro é colocado acima das vidas.

 

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