França. Os coletes amarelos não se abrandam

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Foto: Mises Brasil – O governo francês, um dos mais ativistas na causa das mudanças climáticas, quer reduzir o consumo de petróleo. Mas gerou uma revolta ao aumentar o preço do diesel.

Executivo francês não encontrou ainda a receita para abrandar os “coletes amarelos” (colete obrigatório para motoristas na Europa, se precisarem sair do carro para concertos… – NdR) para que nesse final de semana a capital Paris escape da hostilidade dos injustiçados sociais. O macronismo começou a cambalear quando o chefe do Estado estava na Argentina.

O artigo é de Eduardo Febbro, publicado por Página/12, 06-12-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

França sempre tem muitas coisas para nos ensinar. Esse país inconformado se arruma de uma ou outra forma, para marcar um sentido que havia se diluído.
A revolta dos coletes amarelos tirou do túmulo retórico
  • dos chamados populismos,
  • dos nacionalismos,
  • das xenofobias oportunistas,
  • da defunta esquerda e social-democracia
  •  e dos cantos enfurecidos da globalização,

a mais radical e irrenunciável das aspirações humanas:igualdade.

Há duas semanas,

  • um punhado de esquecidos pelo sistema,
  • de cuja existência quase ninguém no poder havia se inteirado,
  • irrompeu para derrotar a petulância das elites
  • e da desigualdade como programa de governo.

Era preciso ver as expressões aturdidas dos jornalistas dos canais de informação para se dar conta de que, para eles, algo relativo à ordem gaulesa estava ocorrendo.

Não entendiam

  • quem eram
  • e de onde vinham
  • essas pessoas que rompiam a ordem consensual por uns alguns centavos a mais aplicados no preço do diesel.

Ainda mais, essas pessoas

  • não eram de esquerda,
  • nem anarquistas,
  • nem fascistas (fachos),
  • não pertenciam a nenhum sindicato,
  • não eram operários,
  • nem desempregados
  • , nem terroristas islâmicos,
  • nem imigrantes clandestinos,
  • nem sequer eram racistas que se manifestavam contra os estrangeiros.

Eram brancos, falavam meio rude, e no alto de todos os cumes, repudiavam a nobre causa ecológica do aumento.

 

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Paris – Coletes amarelos em ação – Foto: bomdia.eu

 

De onde saíram? São daqui? Pareciam se perguntar com seus olhares perdidos e seus especialista e ministros convidados. Haviam saído do povoado oculto

Para alguns pediam para pagar mais caro o combustível que usavam para trabalhar,

para outros deixavam

  • seus carros de luxo,
  • seus cavalos,
  • seus iates,
  • suas joias,
  • seus lucros obtidos mediante a especulação financeira
  • e seu patrimônio imobiliário

livre de todo imposto.

Disseram que não.

“Não foi um movimento social, mas sim um levantamento social”, escreveu o economista Frederic Lordon. Segue em pé e o Executivo não encontrou ainda a receita para abrandá-los para que esse fim de semana Paris escape da hostilidade dos injustiçados sociais.

O tempo premia e o país palpita denso.

Macron ampliou inclusive a suspensão dos aumentos

  • do combustível,
  • do gás
  • e da eletricidade

a todo o ano de 2019 e não somente aos seus primeiros seis meses.

macronismo começou a cambalear quando o chefe de Estado se encontrava na Argentina, na cúpula do G-20. Em Buenos Aires, Macron elogiou a globalização enquanto que na França seu povo estava firmando sua ata de morte política. Seu povo serrou o globo.

Chalecos amarillos bloquean el acceso a una refinaería de petróleo en Fontignan.

Coletes amarelos bloqueiam o acesso a uma refinaria de petróleo em Fontignan. Imagen: EFE

 

Os coletes amarelos fizeram voar em pedaços o requintado conto de fadas segundo o qual haveria

  • um mundo bom, o globalizado,
  • e outro mau e em retrocesso, o nacionalismo e o regionalismo.

A dualidade global (moderno) e nacional (atrasado) trouxe uma evidência central:

  • ainda que estejam abundantemente manipulados pelos populistas profissionais,
  • nacionalismo, o regionalismo são uma resposta à bizarra racionalidade da globalização.

Isso disseram os coletes amarelos a Macron:

  • União Europeia, o Euro, o Banco Central Europeu, o FMI e todos os demais irmãos, tios e sobrinhos da globalização
  • não nos dão de comer.

Sem likes na telinha. Com isso, também apareceu o vergonhoso analfabetismo dos meios, no qual, na Argentina, supera a velocidade da luz e os mistérios compactos da escuridão.

  • Na Argentina se qualifica certos meios de imprensa como “meios dominantes”.
  • Na França, a expressão é mais justa e conotada (pela Segunda Guerra Mundial): “meios colaboracionistas”.

Na realidade, não dominam nada. Somente colaboram com aquilo que os domina.

  • Em troca de algumas moedas
  • pisoteiam e mentem
  • em uma irmandade indestrutível entre ignorância e oportunismo.

Os coletes amarelos

  • tiraram as máscaras desses meios
  • que enchem o espaço com o vazio astronômico de seus cérebros.

A cara limpa, se viu que eram similares ao sistema:

  • uma miragem,
  • uma mentira impressionante e astuta.

França regional,

  • a dos queijos e vinhos,
  • das baguettes,
  • dos tratores e dos campos feito quadros

se cruzou com violência no caminho da fratura e da marcha triunfal do liberalismo.

Macron não inventou essa fratura. Somente foi o último soldado de um clero perverso.

 

Imagen del autor

 

 

Eduardo Febbro

Fontes: http://www.ihu.unisinos.br/585299-franca-os-coletes-amarelos-nao-se-abrandam

https://www.pagina12.com.ar/160223-los-chalecos-amarillos-no-se-ablandan

 

 

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