O maior inimigo. Para o governo Bolsonaro, há de ser o papa Francisco

 

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Mino Carta – 03 Dezembro 2018

Fotos: Daqui

 “Francisco hoje é a voz da resistência aos falsos profetas do neoliberalismo e da violência da ultradireita, contra os fanáticos do Apocalipse e os graúdos donos do mercado. Suas palavras têm a força do açoite brandido por Cristo ao expulsar os mercadores do Templo. Do Brasil de BolsonaroBergoglio só pode ser o maior inimigo”, afirma Mino Carta, jornalista, em artigo publicado por CartaCapital, 03-12-0218.

Eis o artigo.

Minha tia Bruna costumava dizer:

  • “Não é preciso ser bolchevique para ser comunista”.
  • Era Ph.D. em grego antigo, escreveu livros publicados na Itália, traduziu Teócrito, era crítica literária e manteve uma longa correspondência com Guimarães Rosa, um escritor brasileiro de dimensão mundial.
  • E explicava: “Basta ser um cristão autêntico para ser comunista, igualdade foi o que pregou Jesus”.

No princípio da minha vida, o verbo da tia Bruna, de quem levei tapas enérgicos quando, nos meus flamantes 5 anos, recusava-me a sair de um baile à fantasia (perdoem a digressão), as palavras da tia, dizia eu, gravaram-se na memória.

Ocorre-me pensar nas invectivas do futuro presidente do Brasil contra os “vermelhos”. Talvez Bolsonaro pretenda englobar petistas e comunistas.

Óbvia observação:

  • PT, vermelho na cor, nunca foi comunista,
  • creio que Lula cogitasse de um laborismo à brasileira
  • e até hoje vários petistas, tadinhos, sonham com a conciliação das elites.

Ao entrevistar Lula presidente no Palácio do Planalto no final de 2005, em pleno tempo de “mensalão”, ele negou ser de esquerda. Evoquei Norberto Bobbio, e lá no fundo a tia Bruna, para sublinhar que

  • hoje em dia para ser de esquerda
  • é suficiente defender a igualdade.
  • “Bem – admitiu Lula –, se for assim sou esquerdista”.

Permito-me imaginar como Bolsonaro enxerga o papa Francisco: “vermelho” ou, simplesmente, comunista?

Nesta quadra da história do mundo,

  • o pontífice argentino é meu herói,
  • o estadista reformador da Igreja Católica,
  • depois do longo pontificado de João Paulo II, o “santo” de Ratzinger, que eu creio envolto nas chamas do Inferno.

IOR, banco do Vaticano, sob a batuta de Wojtila e do seu lugar-tenente Marcinkus,

  • esmerou-se em lavar dinheiro sujo das mais variadas procedências,
  • mafioso inclusive,
  • enquanto esvaía em perfeito silêncio o escândalo da pedofilia sacerdotal
  • e a devassidão da Cúria Romana devolvia o Vaticano à época dos Borgia.

Francisco hoje é a voz da resistência

  • aos falsos profetas do neoliberalismo e da violência da ultradireita,
  • contra os fanáticos do Apocalipse
  • e os graúdos donos do mercado.

Suas palavras têm a força do açoite brandido por Cristo ao expulsar os mercadores do Templo. Do Brasil de BolsonaroBergoglio só pode ser o maior inimigo.

As perspectivas escancaradas desde já pelo futuro presidente

  • encantam o mercado,
  • a fraude evangélica,
  • os fardados destinados à política.

E na mídia aparece quem louve a política econômica de Pinochet. Inútil argumentar a respeito com súcubos e oportunistas.

Ninguém se espante se assistirmos logo mais

  • à rendição ao novo governo
  • e à demência das suas políticas.

O conjunto da obra é de longe a mais avançada, no sentido de terrificante, experiência reacionária ensaiada nos últimos dois séculos do mundo ocidental.

  • Quanto este pobre país, rico por natureza, vai aguentar?
  • Até que ponto haverá de chegar a percepção do desastre para que a maioria finalmente acorde?

A julgar pelas tradições históricas,

  • a soletrar a resignação de um povo constantemente humilhado
  • até mesmo nas suas raízes étnicas,
  • na miscigenação profunda desrespeitada pela minoria branca,

não há como se esperar por uma solução de curto prazo, representada por uma centelha de consciência popular.

A história da humanidade registra, porém, momentos de revolta inesperada. Não há povos melhores ou piores, e sim circunstâncias históricas diversas. Sem pré-aviso, Saulo caiu do cavalo a caminho de Damasco, lembraria o papa Francisco.

 

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Mino Carta

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/585154-o-maior-inimigo-para-o-governo-bolsonaro-ha-de-ser-o-papa-francisco

https://www.cartacapital.com.br/revista/1032/o-maior-inimigo

 

 

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