[Os bastidores] Dossiês e chantagem: eis o plano secreto para condicionar a escolha do novo papa, e o “jogo” de Francisco para deter o ataque

[Il retroscena] Dossier e ricatti: ecco il piano segreto per condizionare la scelta del nuovo Papa e la mossa di Francesco per fermare l’assalto 

Carlo Di Cicco, Tiscali, 25/11/2018 

Tradução: Orlando Almeida

É a iniciativa de um grupo conservador americano.

Este grupo chama-se Better Church governance group”[Melhor grupo de governança da Igreja], ou seja, um grupo para melhorar o governo da Igreja.

É constituído  por abastados conservadores americanos. Através da operação “Red Hat Report”, Relatório sobre os barretes vermelhos, visa recolher notícias de qualquer natureza  sobre os cardeais, incluindo os lados mais reservados  e pessoais, com o objetivo de influenciar o próximo conclave.

Mas com uma reforma, os dossiês sobre os cardeais seriam em vão. Não se pode excluir uma eventual modificação do atual conclave que poderia ser reservado aos presidentes das conferências episcopais do mundo, em vez dos atuais 120 cardeais.

 

Sobre o papa Francisco e mais em geral sobre a Igreja Católica circulam

  • muitas fake news que visam à renúncia de Bergoglio
  • ou a apresentar a Igreja Católica como não confiável em comparação com outras expressões religiosas,
  • desde o dia em que na cadeira de Pedro está sentado Francisco.

Em alguns setores tradicionalistas

  • chegou-se a pensar o impensável com o fim de desacreditar o pontífice atual,
  • pintando-o como um perigo para a fé católica.

No passado mês de outubro vieram à luz notícias sobre

  • um grupo de católicos tradicionalistas norte-americanos
  • que, através de um intenso trabalho de montagem de dossiês secretos,
  • pretendem controlar minuciosamente a vida dos cardeais para poder chantageá-los,
  • influenciando dessa maneira o futuro conclave.

Esperam evitar assim a surpresa de um novo Francisco. De fato, estão convencidos que

  • a eleição de Bergoglio tenha sido o resultado de um infeliz golpe de mão
  • que originou sérios problemas na Igreja Católica.

Portanto,

  • é um perigo atual
  • que deve ser enfrentado e neutralizado por todos os meios
  • para forçá-lo a renunciar.

Representa

  • uma anomalia provocada pelos cardeais eleitores
  • que é preciso esconjurar
  • para que não possa acontecer de novo da próxima vez.

Este grupo – como já se sabe – chama-se “Better Church governance group“, ou seja, um grupo para melhorar a governança da Igreja.

É constituído por abastados americanos conservadores. Através da operação “Red Hat Report”, Relatório sobre os barretes vermelhos, visa

  • recolher notícias de qualquer natureza sobre os cardeais,
  • incluindo os dados mais reservados e pessoais,
  • com o objetivo de influenciar o próximo conclave.

Fica evidente o objetivo

  • de condicionar, de modo particular, as orientações dos cardeais considerados mais ‘papáveis’ do que outros,
  • pondo em evidência quaisquer limites e responsabilidades deles em escândalos que, principalmente nos últimos tempos,
  • marcaram a Igreja.

Para alcançar este objetivo,

  • o grupo investiu um milhão de dólares por ano,
  • envolvendo profissionais, professores, especialistas em comunicação e investigação.

O projeto deveria estar concluído em 2020. Dá-se por certo que as informações sobre os cardeais serão procuradas de modo especial no âmbito

  • dos escândalos sexuais
  • e da gestão econômica dos bens da Igreja,
  • desencavando e registrando as mínimas sombras.

Alguns eclesiásticos de bom senso

  • qualificaram este projeto político – de pilotar a eleição do futuro pontífice romano – como autêntica presunção,
  • além de apresentar de um estilo completamente estranho ao estilo da Igreja.

Mas também sugerem a ideia de uma iniciativa aventureira, já que ‘faz as contas sem a presença do dono do negócio’:

  • no plano da fé, perspectiva com que se deve entender a eleição de um papa,
  • não se pode considerar apenas o poder do dinheiro,
  • mas sobretudo a intervenção da providência divina.

É doutrina católica comum que na eleição de um papa

  • entram certamente elementos humanos,
  • mas que o determinante no momento decisivo continua a ser o Espírito Santo
  • que bagunça sempre os planos dos homens.

Não é por acaso que um ditado secular diz que “quem entra papa no conclave sai cardeal”.

Entre os observadores dos acontecimentos do Vaticano

  • olha-se com grande interesse a reviravolta que Francisco deu à solução radical dos escândalos de pedofilia,
  • escândalo que não pode ser transformado num problema apenas do Vaticano.

Enquanto as conferências episcopais do mundo, a italiana incluída, se preparam para dotar-se de instrumentos jurídicos para enfrentar a grave situação,

  • o Vaticano – com a notícia da convocação para o próximo mês de fevereiro dos presidentes de conferências episcopais para estudar juntos um modus operandi
  • pediu às conferências episcopais para aguardarem o resultado dessa reunião, antes de legislarem sobre o assunto.

É a primeira vez que, desde sempre, uma conferência deste tipo é convocada.

Trata-se de

  • uma consulta que recolherá as contribuições de todas as dioceses do mundo
  • sobre uma questão relevante que abalou a credibilidade da Igreja
  • e a sua confiabilidade no plano educacional.

E, ao mesmo tempo, será uma reunião

  • verdadeiramente representativa e autorizada,
  • que expressa plenamente a colegialidade entre bispos e papa.

Por que excluir que,

  • aperfeiçoando os sínodos e também outras encontros dos presidentes dos episcopados de todo o mundo – que permitem uma consulta  mais ágil e rápida, tratando-se de menos de 120 presidentes –
  • o papa possa ser eleito, num futuro próximo, precisamente pelos presidentes das conferências episcopais?

O concílio reconheceu e revalorizou a figura dos bispos como sucessores dos apóstolos e portanto como um carisma de serviço para a unidade da igreja.

  • Não se trata pois de um cargo honorífico,
  • mas de uma tarefa que remonta à própria indicação de Jesus dos apóstolos.

Decidir escolher o sucessor de Pedro

  • no âmbito do colégio apostólico, que hoje inclui todos os bispos do mundo,
  • e fazer com que seja eleito  pelos presidentes das conferências episcopais reunidos em conclave,
  • poderia ser considerado um completamento da revalorização dos bispos que o Concílio Vaticano II desejou fortemente.

O cardinalato é comumente entendido

  • não como um valor sacramental
  • mas como um título honorífico e uma dignidade
  • que tem pouco a ver com a tradição apostólica,
  • tendo sido constituído no início do segundo milênio para fazer frente à crise do papado e da igreja.

Não é de origem divina como o episcopado: ademais o cardinalato durante os séculos não foi reservado apenas aos bispos.

Após o concílio,

  • os papas procuraram de várias maneiras regulamentar e reformar o colégio dos cardeais,
  • mas com o crescimento da vitalidade dos sínodos
  • e com o papel crescente dos episcopados do mundo
  • não se exclui que o cardinalato sofra declínio. 

O próprio Papa Francisco introduziu critérios inteiramente novos para a nomeação de cardeais.

Falta apenas uma nova legislação que regule a eleição do papa. Até agora, estamos parados nas disposições de São Paulo VI. Como excluir que,

  • se a reunião dos presidentes das conferências episcopais for bem-sucedida,
  • possa nascer ou ser confirmado o projeto de repensar o modo de eleição do papa?
  •  E se se concretizasse tal eventualidade, que consistência poderiam ter iniciativas como a que pretende recolher dossiês sobre a vida privada dos cardeais?
  • E quem pode excluir que Francisco queira e possa maturar a ideia da urgência de novas regras para o conclave?

 Neste caso, todas as operações externas voltadas para condicionar a eleição do futuro papa poderiam ser em vão. Apesar dos dólares.

 

Carlo Di Cicco

 

Carlo Di Cicco

 

Fontes:https://notizie.tiscali.it/esteri/articoli/Ecco-il-piano-segreto-per-condizionare-la-scelta-del-nuovo-Papa/

 

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