Padres casados ​​alemães pedem aos seus bispos que busquem a abolição do celibato obrigatório

“O TEMPO URGE, SERIA UM PRIMEIRO PASSO DE UMA MUDANÇA RUMO A UMA IGREJA VERDADEIRAMENTE INCULTURADA”

 

Associação Alemã de Padres Casados – VKPF
– 22/11/2018

Foto: O celibato em debate / Periodista Digital

Tradução: Orlando Almeida

“Sexo e prazer não se opõem ao serviço sacerdotal, pelo contrário, fazem parte de uma espiritualidade plena”

Nós aprendemos… que uma vida sexual ativa para todos é uma necessidade existencial

 

Há mais de 40 anos atrás, a Associação de Padres Católicos e Suas Esposas (VkPF) (Vereinigung katholischer Priester und ihrer Frauen, VkPF)) tem como objetivo lutar contra a lei do celibato imposta aos diáconos, aos sacerdotes e aos bispos padres e bispos, com o desejo de aboli-la.

Fazemos isso porque aprendemos, a partir da nossa própria experiência e através do o diálogo com muitos afetados por essa lei, de qualquer orientação sexual,  que uma vida sexual ativa é de importância existencial para muitas dessas pessoas.

Sexo e prazer não se opõem ao serviço sacerdotal, pelo contrário,

  • fazem parte de uma espiritualidade plena, servidora e criativa,
  • porque ajudam a desenvolver a capacidade humana de amar.

Um dos grandes mestres espirituais do nosso tempo, disse uma vez: “Ninguém pode ser santo, sem ter uma consciência plena da sua própria sexualidade” (P. Johannes Kopp, um dos fundadores do Movimento Cristão-Zen na Alemanha).

Ou seja, em linguagem teológica:

  • a graça, e também a graça do sacramento da ordem,
  • só pode ser efetiva quando o ser humano e o sacerdote
  • aceita plenamente a realidade sexual que Deus lhe deu.

O relatório sobre os abusos pedófilos na Igreja católica alemã, apresentado pelos bispos alemães, traz uma conclusão absolutamente cristalina:

  • que o abuso sexual dentro da Igreja
  • é essencialmente o resultado de uma sexualidade imatura
  • e de estruturas hierárquico-clericais de poder.

Queremos apenas dedicar-nos aqui à primeira causa, pois o problema das estruturas de poder toca na questão de uma reforma constitucional fundamental da Igreja Católica. 

Esta questão

  • é um problema ainda mais fundamental,
  • também do ponto de vista teológico e canônico.

O problema existente de uma sexualidade imatura entre seminaristas e sacerdotes deixa claro que

  • o celibato é o ponto culminante
  • da hostilidade em relação à sexualidade por parte da Igreja Católica
  • e de uma moral sexual que está longe da realidade,
  • e por isso  extremamente imprudente.

Se a prudência é

  • a percepção indiferente e a avaliação objetiva da realidade (José Pieper),
  • então à moral sexual da Igreja fazem falta ambas.

Em vez disso,

  • estão em operação
  • mecanismos de repressão e negação,
  • cujo resultado diabólico é o abuso sexual monstruoso de menores e de pessoas vulneráveis.

Ordenação sacerdotal / Periodista Digital

 

Ao falar de percepção indiferente e avaliação objetiva, pretendemos

  • levar a sério os resultados das ciências,
  • da psicologia e da sociologia
  • a respeito da realidade da sexualidade humana.

Quando é que a doutrina da Igreja levou a sério alguma vez os fundamentos da sexualidade humana, como por exemplo foram expostos no relatório Kinsey?

A insistência quase fundamentalista do magistério

  • nas doutrinas tradicionais,
  • que se mantém longe das ciências modernas,
  • parece hoje em dia nada menos que grotesca.

 

Imagem relacionada

Foto: João Paulo II com P.e Marcial Maciel / tarata21.com

É desta maneira que se formam facilmente alianças terríveis

  • como aquela entre o Papa João Paulo II e o fundador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel,
  • com o qual o Papa celebrou oficialmente o seu sexagésimo aniversário sacerdotal
  • apesar do conhecimento que a Cúria romana tinha dos abusos de crianças e mulheres que Maciel tinha cometido.

Esse comportamento da cúria também é evidente no caso do cardeal McCarrick.

Neste contexto,

  • a canonização do papa João Paulo II
  • parece a coroação de toda essa obra maléfica.

Nós mesmos, padres casados ​​e nossas mulheres,

  • somos  vítimas dessa postura infame da hierarquia católica
  • e em especial da cúria romana,
  • ainda mais intensificada no pontificado João Paulo II.

Os membros mais antigos da nossa associação ainda

  • experimentaram discriminação e insultos,
  • porque não queriam manter em segredo o seu amor
  • e começaram oficialmente uma vida de casal e família.

Difamando-nos,

  • apelidaram-nos de os “caídos”,
  • enquanto a hierarquia católica dava cobertura a milhares de casos de abuso sexual
  • e de relações secretas, heterossexuais ou homossexuais.

Como “proscritos”, muitos dos nossos foram abandonados a uma desesperança existencial que causou

  • danos morais,
  • psicológicos
  • e existenciais
  • sem recuperação.

Muitos

  • tiveram que esperar anos antes de receberem a dispensa do celibato,
  • impedindo-se desta maneira o seu retorno a qualquer serviço eclesial.

Há pouco tempo, o chefe do departamento de pessoal de uma diocese do Sul da Alemanha disse a um padre que queria casar-se:

“As padarias estão procurando ajudantes!”

Apesar de o padre

  • ter-se formado
  • e trabalhado 25 anos dando aula,
  • foi-lhe negada qualquer possibilidade de  trabalhar como professor de religião.
  • Nem sequer o apoiaram para que pudesse ensinar numa escola pública.

Concelebração / Periodista Digital

 

Que maneira de desprezar o ser humano! Como é que os hierarcas católicos conformam o seu comportamento ao de Jesus e ao seu evangelho?

A defesa orgulhosa da lei

  • do celibato
  • e de uma moral sexual rígida
  • tem como resultado nada menos que uma realidade clerical marcada pela hipocrisia.

É nossa firme opinião de que

  • a abolição imediata da lei do celibato
  • ou um passo concreto nesse sentido na diocese alemã
  • seria um primeiro passo para a aceitação da realidade humana.

O Papa Francis pediu aos bispos que usem mais a sua própria autoridade como seguidores dos apóstolos.

Por isso

  • cada bispo em particular deve solicitar ao Papa  a abolição da lei do celibato para a sua diocese
  • ou, se possível, toda a Conferência Episcopal Alemã, para toda a Alemanha.

O tempo urge. Este seria o primeiro passo firme para uma mudança fundamental, apropriada a uma forma inculturada de vida da igreja no Hemisfério Ocidental.

 

Em nome de todos os membros  da Associação Alemã de Padres Casados e suas Esposas – VKPF,

A Diretoria: 

  • Presidente: Dr. Hans-Jörg Witter, Tel.: 0208-6352350, E-Mail: vorstand@vkpf.de
  • Vice-Presidente: Johannes Kohnen
  • Diretor de Relações Públicas: Edith Wolf, Tel.: 06181-71193, E-Mail: info@vkpf.de
  • Tesoureiro: Waldemar Wolf
  • Secretário: Ferdinand Birrewitz

Crédito Foto:  https://www.vkpf.de

Fontes: * https://www.periodistadigital.com/religion/opinion/2018/11/09/religion-iglesia-mundo-alemania-curas-casados-alemanes-piden-obispos-busquen-abolicion-celibato-obligatorio.shtml

https://www.vkpf.de

 

 

 

1 comment to   Padres casados ​​alemães pedem aos seus bispos que busquem a abolição do celibato obrigatório

  • Sandro Vespasiani

    Palmas e mais palmas aos nossos colegas. A ideia foi boa demais.Deveria-se realizar em cada nação, afinal é o que o Papa Francisco quer….para solucionar o problema. Se ordenados é = a Chamado, a conclusão é óbvia, apesar dos pesares. A igreja ganharia de supetão quantos padres testados e retestados? Só Deus sabe! Os que já foram para a casa do Pai irão regozijar-se e os últimos velhinhos como eu, poderão morrer mais tranquilos por ter feito sempre o próprio dever….contra os absurdos clericais.

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