A JOVEM REVERENDA DA IGREJA HUSSITA AFIRMA QUE “MINHAS RESPOSTAS FORAM VALORIZADAS”

Reverenda Martina, a única mulher sacerdote no Sínodo: “Eu me senti aceita, minha voz foi ouvida”

 

Cameron Doody, 28/10/2018

Foto: A Reverenda Martina Viktorie Kopecká, no Sínodo dos Jovens  / Vatican Media

“Fiquei surpresa por me terem escutado… Não me rejeitaram, aceitaram-me como membro da família”

A ordenação [de mulheres] não é uma questão de gênero, mas de dignidade humana e igualdade de possibilidades.

 

(Cameron Doody) .- “Senti-me aceitada. A minha voz foi escutada”. A Reverenda Martina Viktorie Kopecká era a única mulher sacerdote presente no Sínodo dos Jovens, e afirma que se divertiu. “As minhas respostas foram valorizadas. Apoiamo-nos  uns aos outros”, afirma a sacerdote da Igreja hussita da Checoslováquia, de 32 anos. “Pôde inclusive fazer mudar o rumo” da discusão de que participava no  seu círculo menor e influir nas decisões tomadas pelo Sínodo.

Resultado de imagem para Martina Viktorie Kopecká Reverenda Martina Viktorie Kopecká, no Sínodo dos Jovens / Cirkev.czs

 

Vestindo uma túnica negra com a impressão de um cálice vermelho e uma estola branca, a reverenda destaca-se no meio da multidão de sinodais. Como reconheceu à revista America, no início, os cardeais e bispos presentes em Roma “estavam surpresos, talvez chocados” ao vê-la.

Ao ponto de esta observadora do Sínodo, representando o Conselho Mundial de Igrejas, se ver obrigada a fazer sozinha as suas primeiras três refeições na casa internacional para clérigo em que se instalou.

“Eu disse: ‘Isto é um desastre’”, reconhece a reverenda Martina. No entanto, no segundo dia, um bispo paraguaio perguntou se podia sentar-se com ela. “Eu disse: ‘Sim, por favor!’.

Martina diz que este encontro com o prelado latino-americano foi um “ponto de virada” na sua experiência em Roma. O bispo estava “muito interessado em saber quem sou”, lembra ela. “Sim, sou uma garota. Sou ordenada. Mas ele estava interessado pela minha cultura e Igreja e, depois, muitos outros se juntaram a nós”.

As coisas tinham começado a melhorar, mas o ponto culminante ainda não tinha chegado até quando fez uma intervenção diante de todos os sinodais na qual enfatizou a importância do ecumenismo, chamou o Sínodo “um sinal de esperança” e afirmou que os jovens têm a capacidade de ser construtores de pontes. Os padres sinodais, diz ela, “reconheceram-me como a garota no jantar e agora como sacerdote. Demorou um tempo, mas me aceitaram“.

A reverenda Martina, numa igreja / Periodista Digital

“Depois da minha intervenção, muitas pessoas vieram até mim nos corredores, dizendo que me tinham escutado e que se inspiraram”, continua a reverenda. “Fiquei surpresa por me terem escutado. Sou bastante jovem e uma mulher… Não estão me rejeitando. Aceitam-me como membro da família”.

Quanto às questões que a sacerdote diz que foram abordadas no seu círculo menor, diz que se  discutiu uma questão com a qual está particularmente familiarizada: a ordenação de mulheres diaconisas. “Entendo que não é uma questão fácil. È sensível”, reconhece a reverenda Martina. “Às vezes não estou de acordo, mas estou tentando aceitar os diferentes contextos e antecedentes”, observa.

“Para mim, a ordenação não é uma questão de gênero, mas de dignidade humana e igualdade de possibilidades, explica. “As mulheres trabalham muito na Igreja de hoje e devem ser consideradas como líderes espirituais e servas de Deus. Elas estão fazendo o trabalho mais duro, cuidando das pessoas em situações de miséria. Fazem com que o rosto da Igreja seja mais humano”.

Como não poderia ser de outra forma, a reverenda diz Martina afirma que outro ponto alto do Sínodo até aqui tem sido o Papa Francisco. Que, diz ela, está sempre “muito tranquilo, com um sorriso mos lábios”.

O Papa,  acrescenta a religiosa, “é realmente inspirador para muitos jovens porque não é velho”. Ela destaca que ele “é aberto, criativo e enérgico, mas também traz sabedoria e experiência, mas não no sentido de que esteja empurrando ninguém a nada.” “Apenas traz os  seus valores”, diz a reverenda.

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Cameron Doody

Fonte:  https://www.periodistadigital.com/religion/vaticano/2018/10/28/religion-iglesia-vaticano-confesiones-iglesia-husita-reverenda-martina-viktorie-kopecka-unica-mujer-sacerdote-sinodo-jovenes-ecumenismo-papa-francisco.shtml

 

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