Padres brasileiros e o grave momento político: uma palavra à luz da evangélica opção pela vida e a paz

26 Outubro 2018

“Como servos do povo de Deus que não podem deixar morrer a voz profética da Igreja, pedimos ao nosso povo que não se permita manipular por ideologias totalitárias. (…)
Pedimos ao nosso povo que trabalhe pela paz e assegure a democracia que garante nossa liberdade, abrindo mãos das lógicas de violência e de todo e qualquer tipo de preconceito e de ódio.”

 

Publicamos aqui uma “carta aberta” divulgada por um grupo de padres diocesanos e religiosos de diversas dioceses, congregações e institutos de vida consagrada de todo o Brasil, ‘refletindo e se unindo a favor da democracia e dos valores evangélicos’.

 

Eis o texto.

Brasil, 25 de outubro de 2018

Queridos irmãos e irmãs, somos um grupo de padres que teme pelo destino político que está sendo gestado para o Brasil. No corrente ano de 2018, depois de uma campanha marcada por mentiras, “Fake News”, e por manifestações claras de ódio e de indiferença quanto ao diálogo, nós queremos recordar ao povo que nos foi entregue, nossa firme convicção pelos valores evangélicos.

A fé cristã exige de nós uma firme postura diante do mal.

Os seguidores de Cristo não podem se permitir corromper por interesses, sejam eles ideológicos ou econômicos. Muito mais escandaloso, então, é a possibilidade de que os discípulos e discípulas de Jesus se permitam motivar pelo ódio contra as minorias, já tão esmagadas em nosso país.

  • Os pobres,
  • sem teto,
  • sem trabalho,
  • sem o mínimo de dignidade humana

são nossos senhores e sem eles, nenhum de nós poderá chegar à comunhão com Cristo (Mt 25,31-46).

 

As minorias são muitas nesse país marcado pela desigualdade:

  • os negros e quilombolas que enfrentam o preconceito e a desigualdade de condições sociais;
  • as comunidades indígenas que lutam para sobreviver;
  • os grupos LGBTs tão perseguidos, desrespeitados e marginalizados; os imigrantes que buscam uma nova vida em nosso país;
  • as mulheres que, ainda hoje são violentadas e ficam em cargos secundários na sociedade.

Todos esses grupos, e outros que sofrem injustiça são expressão de Cristo crucificado entre nós.

Tendo em vista essas realidades,

Deixar de lado a democracia para acolher e confiar num discurso de um candidato que possui uma fala extremamente excludente e marcada pela violência, é abandonar o Evangelho e colocar a esperança em falsos deuses.

 

A democracia brasileira é recente e precisa constantemente ser melhorada. Não esqueçamos que a democracia não é o regime político onde

  • maioria manda
  • e as minorias se calam.
  • Ou, em casos extremos, onde a maioria procura exterminar as minorias.

A democracia é o sistema em que todos têm seus direitos e deveres assegurados, pois cada ser humano é reconhecido em sua dignidade.

Como servos do povo de Deus que não podem deixar morrer a voz profética da Igreja, pedimos ao nosso povo que não se permita manipular por ideologias totalitárias. Os cristãos

  • são movidos pelos valores do Evangelho,
  • são pobres de espírito,
  • pacificadores,
  • mansos de coração,
  • têm fome e sede de justiça,
  • são misericordiosos,
  • são construtores da paz
  • e, se preciso for,
  • são perseguidos por defender esses valores que brotam do coração do Evangelho (Mt 5,1-11).

Pedimos ao nosso povo que trabalhe pela paz e assegure a democracia que garante nossa liberdade, abrindo mãos das lógicas de violência e de todo e qualquer tipo de preconceito e de ódio.

Somos um grupo formado por padres diocesanos e religiosos de diversas dioceses, congregações e institutos de vida consagrada de todo o Brasil, refletindo e se unindo a favor da democracia e dos valores evangélicos.

(seguem 111 assinaturas)

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/584116-padres-brasileiros-e-o-grave-momento-politico-uma-palavra-a-luz-da-evangelica-opcao-pela-vida-e-a-paz

 

 

 

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