Os brasileiros podem salvar a democracia

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Foto: vitimasdoinss.blogspot.com

Muitos analistas têm pruridos em designar de “fascistas” os novos partidos da extrema-direita.

Umberto Eco, num discurso em Nova Iorque, afirmou que seria mais fácil identificar um partido fascista se ele defendesse abertamente as câmaras de gás, mas com Bolsonaro não é preciso tanto.

 

Os resultados mostram a revolta do eleitorado brasileiro com os partidos do centro-direita e do centro esquerda, acusados dos atuais problemas económicos do País e que se encontram envolvidos em graves casos de corrupção.

  • Os partidos do centro direita (PMDB e PSDB) praticamente desapareceram,
  • o PT sobreviveu graças ao Nordeste, onde está presente a memória do impacto social dos governos Lula,
  • mas perdeu estrondosamente nos grandes estados do Sudeste, decisivos pelo seu peso demográfico e económico.

O movimento de Bolsonaro tem as características que Umberto Eco identificou com o fascismo.

É populista,

  • para ele o povo é uma massa indiferenciada de indivíduos sem direitos,
  • que devem seguir o líder – o “mito” como chamam a Bolsonaro.

O “povo”

  • deixou de ser o dos grandes comícios
  • e passou a ser um apanhado das declarações reaccionárias no WhatsApp.

Apela a uma classe média inquieta

  • com a crise económica,
  • com “a pressão dos mais desfavorecidos”
  • e com os direitos laborais das “domésticas”.

É abertamente

  • um inimigo da democracia
  • e um admirador da ditadura militar,
  • fazendo da violência a forma preferida de governo,
  • afirmando, inclusivamente, que os polícias devem “atirar para matar”.

Cavalga a onda da luta contra a corrupção,

  • escondendo a da ditadura militar
  • então protegida pela censura.

É um racista assumido,

  • falando de um caráter “parasita” dos afrodescendentes
  • e de “branqueamento da raça”.

É machista,

  • defende que as mulheres devem ganhar menos do que os homens
  • e a homofobia é gritante,

designadamente, quando afirma que

  • a homossexualidade se trata “à porrada”
  • e que o sangue dos heterossexuais é “mais puro”.

O seu discurso ultraconservador

  • deu-lhe o apoio de poderosas correntes fundamentalistas evangélicas,
  • cuja influência política não tem parado de subir.

Onde Bolsonaro se afasta dos velhos fascistas

  • é na defesa do ultraneoliberalismo,
  • tendo escolhido como porta-voz para a economia Paulo Guedes, da escola de Chicago.

Paulo Guedes propõe

  • reduzir os impostos dos mais ricos
  • e por em causa os programas sociais.

Tal política,

  • num dos países mais injustos do mundo,
  • mas com fortes movimentos sociais,
  • só será imposta por uma ditadura.

Bolsonaro defende uma ideologia que combina elementos do fascismo de Mussolini com o ultra neoliberalismo de Pinochet.

*

Mas o PT

  • nada tem a ver com o caudilhismo militar de Bolsonaro ou de Chávez-Maduro,
  • uma vez que se pauta pelo respeito pelas instituições democráticas.

Lula

  • recusou alterar a Constituição para tentar um terceiro mandato quando tinha mais de 80% de popularidade
  • e o PT resistiu às propostas para controlar a comunicação social,
  • mesmo sendo alvo de ataque cerrado da imprensa brasileira.

No poder,

  • preservou a estabilidade macroeconómica, herdada dos governos do PSDB,
  • ao mesmo tempo que desenvolveu programas sociais, como o da “Bolsa Família”,
  • que tiraram 30 milhões de brasileiros da miséria
  • e permitiram o acesso à educação a quem nunca tinha tido esse direito.

Comparando as trajetórias de Haddad e de Bolsonaro,

  • a escolha, para qualquer democrata, devia ser fácil.
  • No entanto, para muitos não o é,
  • por ódio ao PT ou por egoísmo social.

Se no primeiro turno Haddad teve de defender a herança de Lula, no segundo já terá de ser ele mesmo,

  • o político que foi um bom Ministro da Educação e Prefeito de São Paulo,
  • que defendeu o rigor das contas públicas com o projeto de uma cidade mais humana.

 

 

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