Relatório destaca 50 parlamentares mais “anti-indígenas”

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Deustsche Welle – 28 Setembro 2018

Foto: Regenwald Rodung /Reuters

 Estudo feito pelo Conselho Indigenista Missionário investiga origem de dinheiro doado para autores de leis que fragilizam direitos indígenas.
Lista inclui duas candidatas a vice-presidente, Kátia Abreu e Ana Amélia.

Um levantamento inédito do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, identificou os parlamentares que mais atuaram no Congresso contra os direitos indígenas nos últimos anos. Dos 513 deputados e 81 senadores, 50 são listados como os mais “anti-indígenas“.

“Nós queremos demonstrar que a ação parlamentar, institucional, repercute no aumento na violência contra os povos indígenas no campo”, disse à DW Brasil Cleber César Buzatto, secretário executivo do Cimi.

Em 2017, foram registrados 110 assassinatos de indígenas. Os estados com maior número de casos foram

  • Roraima (33),
  • Amazonas (28)
  • Mato Grosso do Sul (17).

Segundo o documento divulgado nesta quinta-feira (27/09),

  • os 50 políticos considerados anti-indígenas citados – 40 deputados e 10 senadores –
  • estão ligados a projetos de lei que fragilizam os direitos dessas populações.

O levamento mapeou pelo menos 33 propostas no Congressoa maior parte busca

  • alterar o processo de demarcação,
  • explorar recursos naturais em terras indígenas
  • e permitir que esses territórios sejam arrendados para produção agropecuária.

“São parlamentares ruralistas que trabalham incansavelmente para fazer com que as propostas contra os indígenas avancem”,diz o relatório.

A maior parte dos políticos citados no relatório é investigada por corrupção.

Dinheiro e política

documento do Cimi aponta a Frente Parlamentar Agropecuária na dianteira dos retrocessos nas políticas indígenas.

Com 207 deputados e cerca de 20 senadores, o grupo ruralista receberia apoio ainda das chamadas bancadas

  • da mineração,
  • da bala,
  • evangélica,
  • empreiteiras
  • e construtoras.

Com informações obtidas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Cimi identificou a origem de doações de campanha nas últimas eleições feitas aos 50 parlamentares mapeados no relatório.

Segundo o documento, o grupo recebeu R$ 145 milhões de empresas como

  • fabricantes de insumos agrícolas e agrotóxicos,
  • fazendas,
  • produtores e compradores de bovinos,
  • bancos privados,
  • indústria da mineração
  • e armamentista,
  • empreiteiras.

O levantamento apresenta ainda um ranking com 13 parlamentares que mais receberam doações de setores ligados ao agronegócio, mineração e empreiteiras, que são considerados os mais interessados na desmobilização de políticas indígenas.

Os deputados

aparecem entre os que mais receberam dinheiro de setores ligados ao agronegócio.

Os deputados

receberam as maiores somas de empresas ligadas às empreiteiras.

Já o setor da mineração financiou em maior parte as campanhas dos deputados Marcos Montes (PSD-MG), Geraldo Resende (PSDB-MS) e da senadora Rose de Freitas(PMDB-ES).

Alguns nomes aparecem em mais de um ranking:

  • o deputado Leonardo Quintão(PMDB-MG) com doações vindas dos setores da mineração e empreiteiras;
  • os senadores Kátia Abreu (PDT-TO), agronegócio e empreiteiras;
  • Ronaldo Caiado(DEM-GO), empreiteiras e mineradoras;
  • Antonio Anastasia (PSDB-MG), com doações do agronegócio, empreiteiras e mineração.

Kátia Abreu é candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT).

A lista também conta com outra candidata à vice-presidente, a senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP), que concorre junto com Geraldo Alckmin (PSDB).

“Fizemos esse ranking pra mostrar

  • como a atuação desses parlamentares
  • tem muito mais a ver com os interesses daqueles que financiam as campanhas deles.

Eles são a favor dos interesses das grandes empresas, e não da população em geral, do Estado brasileiro“, justifica Buzatto.

 

Resposta dos parlamentares

DW Brasil entrou em contato com os parlamentares citados como os que mais receberam doações de empresas ligadas ao agronegócio, mineração e empreiteiras.

O deputado Jerônimo Goergen disse não se considerar anti-indígena. Ele foi o relator da PL 490/2007, que quer transferir para o Congresso a palavra final sobre demarcações.

“Estou no Congresso para defender, entre outras coisas, a produção brasileira, que é quem sustenta o agronegócio“, disse sobre as doações de campanha. “Eu estou recebendo doações de gente ligada ao setor, que é o setor que eu defendo. Isso não significa que eu seja contra outros setores, como os indígenas, mas eu entendo que temos que respeitar o setor que salva a economia do país”, respondeu.

O levantamento do Cimi apontou as empresas BSBRFConstrutora Andrade GutierrezBradesco e Philip Morris como as maiores doadoras de campanha de Goergen.

O deputado Marcos Montes disse que “assuntos como a questão indígena no Brasil são geralmente envolvidos em muita desinformação – ou informações falsas, em muitos casos atendendo a interesses de organizações descompromissadas com o país, e até estrangeiras”.

Candidato a vice-governador de Antonio Anastasia, em Minas Gerais, Montes negou que as doações de empresas ligadas à mineração influenciem sua atuação política. “De maneira nenhuma. Meus votos são minha consciência”, escreveu por e-mail.

BRF, Odebrecht Agroindustrial, Vale Energia, Companhia Brasileira de Cartuchos e Forjas Taurus seriam as maiores doadoras da última campanha de Montes.

O deputado Geraldo Resende rebateu a classificação de “anti-indígena” dizendo ser o “parlamentar que mais conquistou recursos para os povos indígenas do Mato Grosso do Sul em todos os tempos”.

Segundo o levantamento do CimiResende

  • foi contra a construção de cisternas em aldeias do estado.
  • As estruturas ajudariam os indígenas a ter uma fonte limpa de água, que chega a algumas aldeias contaminada por agrotóxico das fazendas que sobrepõem áreas tradicionais.

Resende não comentou sobre a fonte do dinheiro recebido na campanha. Segundo o Cimi, as principais empresas doadores foram JBS, Vale Energia, Construtora Central do Brasil, Delta Biocombustíveis Indústria.

 

Lista completa dos 50 parlamentares listados como anti-indígenas:

Arthur Lira, deputado (PP-AL)
Lucio Vieira Lima, deputado (PMDB-BA)
Eunício Oliveira, senador (PMDB-CE)
Rose de Freitas, senadora (PMDB-ES)
Roberto Balestra, deputado (PP-GO)
Ronaldo Caiado, senador (DEM-GO)
Weverton Rocha, deputado (PDT-MA)
Edison Lobão, senador (PMDB-MA)
Leonardo Quintão, deputado (PMDB-MG)
Newton Cardoso Jr, deputado (PMDB-MG)
Aelton Freitas, deputado (PR-MG)
Marcos Montes, deputado (PSD-MG)
Bonifácio José Tamm de Andrada, deputado (PSDB-MG)
Domingos Sávio, deputado (PSDB-MG)
Antonio Anastasia, senador (PSDB-MG)
Dagoberto Nogueira, deputado (PDT-MS)
Luiz Henrique Mandetta, deputado (DEM-MS)
Tereza Cristina, deputado (PSB-MS)
Carlos Marun, deputado (PMDB-MS)
Waldemir Moka, senador (PMDB-MS)
Simone Tebet, senadora (PMDB-MS)
Geraldo Resende, deputado (PSDB-MS)
Adilton Sachetti, deputado (PSB-MT)
Carlos Bezerra, deputado (PMDB-MT)
Nilson Leitão, deputado (PSDB-MT)
Jose Priante, deputado (PMDB-PA)
Hélio Leite da Silva, deputado (DEM-PA)
Josué Bengtson, deputado (PTB-PA)
Simone Morgado, deputada (PMDB-PA)
Efraim de Araújo Filho, deputado (DEM-PB)
Nelson Padovani, deputado (PSDB-PR)
Osmar Serraglio, deputado (PMDB-PR)
Nilton Capixaba, deputado (PTB-RO)
Valdir Raupp, senador (PMDB-RO)
Édio Lopes, deputado (PMDB-RR)
Romero Jucá, senador (PMDB-RR)
Onyx Lorenzoni, deputado (PMDB-RS)
Alceu Moreira, deputado (PMDB-RS)
Afonso Hamm, deputado (PP-RS)
Jeronimo Goergen, deputado (PP-RS)
Luis Carlos Heinze, deputado (PP-RS)
Covatti Filho, deputado (PP-RS)
Ana Amélia Lemos, senadora (PP-RS)
Celso Maldaner, deputado (PMDB, SC)
Valdir Colatto, deputado (PMDB-SC)
João Rodrigues, deputado (PSD-SC)
Laercio Oliveira, deputado (PP-SE)
Nelson Marquezelli, deputado (PTB-SP)
Irajá Abreu, deputado (PSD-RO)
Kátia Abreu, senadora (PDT-TO)

 

 

Deustsche Welle

Fontes: http://www.ihu.unisinos.br/583201-relatorio-destaca-50-parlamentares-mais-anti-indigenas

https://www.dw.com/pt-br/relat%C3%B3rio-destaca-50-parlamentares-mais-anti-ind%C3%ADgenas/a-45664707

https://cimi.org.br/wp-content/uploads/2018/09/congresso-anti-indigena.pdf

 

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