Aumenta a pobreza e a extrema pobreza no Brasil

 

José Eustáquio Diniz Alves – 14 Agosto 2018 – Foto: IHU
 
“O Brasil não deve cumprir o objetivo 1 dos  ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que trata da “Erradicação da Pobreza” e que estabelece: “Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares” até 2030.

Em vez de cair, o número de pobres e de indigentes (extrema pobreza) subiu”, escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 13-08-2018.

Eis o artigo.

Fonte: EcoDebate

 

A economia brasileira vive a sua mais longa e mais profunda recessão da história republicana. Um dos resultados

É o que mostra o gráfico acima, retirado do Relatório LUZ 2018, do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030.

O número de pessoas na pobreza, no Brasil,

  • em 1993, estava em 45,6 milhões de indivíduos.
  • Este número caiu para menos de 40 milhões depois do lançamento do Plano Real (e da redução da inflação)
  • e chegou a 41,8 milhões em 2003.

Com

  • a retomada do crescimento econômico durante o superciclo das commodities
  • e ao aumento do gasto social
  • a exclusão social caiu rapidamente
  • e o número de pessoas em situação de pobreza diminuiu para 14,1 milhões de pessoas em 2014.

Mas depois do estelionato eleitoral de 2014 e no segundo mandato da dupla Dilma-Temer, a pobreza voltou a subir,

  • chegando a 17 milhões em 2015,
  • 21,6 milhões em 2016
  • e cerca de 22 milhões em 2017.

A indigência teve comportamento semelhante.

O número de pessoas na extrema pobreza no Brasil,

  • em 1993, estava em torno de 20 milhões,
  • caindo para algo em torno de 14 milhões depois da implantação do Plano Real.
  • Em 2013, estava em torno de 13 milhões
  • e caiu para 5,2 milhões de pessoas em 2014.

Mas o número de pessoas em situação de extrema pobreza aumentou para 6,4 milhões em 2015, 10 milhões em 2016 e 11,8 milhões em 2017.

Não há dados ainda para o ano de 2018, mas

  • a expectativa de retomada da economia e do emprego
  • não está ocorrendo conforme previa o governo
  • e, provavelmente, o número de pessoas em situação de pobreza e de indigência aumente também em 2018.

Ainda mais com a desvalorização cambial. Ou seja, o Brasil está regredindo no que diz respeito ao objetivo número 1 dos ODS.

 

 

A redução da pobreza é um processo que vem ocorrendo no longo prazo no Brasil. Avanços civilizacionais têm melhorado a qualidade de vida dos cidadãos em termos de renda, educação e saúde, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial. Não sem novidade, a maior redução da pobreza no Brasil ocorreu nos tempos do chamado “milagre econômico” e da “economia em marcha forçada”, isto é entre o final da década de 1960 e o ano de 1980.

A pesquisadora Sonia Rocha, em texto publicado no XXV Fórum Nacional do BNDES, em maio de 2013, documentou o processo de redução da pobreza no Brasil entre 1970 e 2011.

  • Na década de 1970, a proporção de pobres no país caiu fortemente de 68,4% em 1970 para 35,3% em 1980.
  • A pobreza voltou a subir durante a recessão ocorrida no governo Figueiredo, entre 1981 e 1983.
  • Caiu especialmente durante o processo de congelamento de preços do Plano Cruzado
  • e voltou a subir para a casa de 30% durante a recessão dos governos Sarney e Collor.
  • Depois do governo Itamar, a pobreza foi reduzida para algo em torno de 20%
  • e chegou ao nível mais baixo, em torno de 10% no final do governo Lula.
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Foto: Controvérsia

 

Portanto, a pobreza vem caindo no Brasil no longo prazo, mas não de forma linear. A experiência passada mostra que nas crises econômicas a pobreza sobe e volta a cair na retomada da economia. Contudo,

  • este padrão pode não se repetir na atualidade,
  • pois a atual recessão é a mais longa e profunda
  • e a que tem mostrado o ritmo mais lento de recuperação.

Além do mais, o melhor período do bônus demográfico já passou e a janela de oportunidade começou a se fechar.

Oxalá o próximo governo, a ser eleito em 2018, consiga por ordem na casa e possa cumprir com as metas acordadas na Agenda 2030 da ONU. Porém, o nível do debate eleitoral até o momento não tem gerado muito otimismo no eleitorado.

O país utópico do futuro sem pobreza está cada vez mais distante e o Brasil distópico é a realidade que insiste em permanecer presente.

Referências:

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José Eustáquio Diniz Alves

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/581771-aumenta-a-pobreza-e-a-extrema-pobreza-no-brasil

 

 

 

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