Chile. Prisão do ex-chanceler do arcebispado de Santiago envolve suposto crime do cardeal Ezzati

Il Sismografo – 16 Julho 2018

Foto: Prisão de Pe. Muñoz Toledo: no centro centro /  https://1.bp.blogspot.com

 Durante anos, o Pe. Muñoz Toledo recebeu e protocolou denúncias por abusos e estupros de menores que o apontavam como autor, mas, sendo o escrivão do arcebispado, ele arquivava e escondia tudo. Onde estavam os seus superiores?

A reportagem é de Il Sismografo, 13-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

prisão do presbítero chileno Oscar Muñoz Toledo, na quinta-feira passada, a primeira prisão de um sacerdote nos inúmeros casos de abuso sexual na Igreja nos últimos anos, poderia criar muitos problemas jurídicos para o cardeal Ricardo Ezzati, atual arcebispo de Santiago do Chile, à frente da diocese em regime de prorrogação (ele já tem 76 anos e meio de idade), e talvez entre aqueles que em breve deixarão o cargo.

O purpurado poderia ser arrastado perante os juízes com uma acusação muito pesada e grave:

  • ter exercido sua autoridade eclesiástica
  • para ocultar e encobrir diversas denúncias de abuso sexual por parte de membros do clero.

A questão, em primeiro lugar, diz respeito à relação entre o arcebispo Ezzati e o Pe.Oscar Muñoz Toledo, até janeiro passado chanceler (isto é, “escrivão”) da arquidiocese da capital chilena, qualidade na qual, entre outras coisas, ouviu e oficializou declarações contra o sacerdote Fernando Karadima por parte de uma das vítimas mais conhecidas: o filósofo e escritor Andrés Murillo.

 

Imagem relacionada

Cardeal Ezzati. Foto: youtube.com

De acordo com o que o cardeal Ezzati publicou em maio passado no site da diocese, o Pe. Muñoz Toledo, no início do ano, havia denunciado a si mesmo por abusos sexuais de menores. Obviamente, dizia o comunicado, o padre foi imediatamente afastado e suspenso do exercício público do ministério sacerdotal.

Em junho passado, o procurador de O’HigginsEmiliano Arias, que está investigando esse caso, mas não porque tenha havido uma denúncia da hierarquia, ordenou duas investigações importantes:

  • uma nos escritórios do ex-chanceler no palácio arquiepiscopal de Santiago
  • e outra na sede da diocese da cidade de Rancagua (região de O’Higgins).

Nos dois casos, a polícia levou consigo muitos documentos importantes, hoje na base da ordem que permitiu a prisão do sacerdote. No caso da investigação de Santiago,

  • vieram à tona denúncias contra o ex-chanceler,
  • concretamente sete casos de abuso e estupro de crianças e adolescentes de 11 a 17 anos no período de 2002 a 2018,
  • mas eram denúncias escondidas e acobertadas pelo próprio chanceler (pessoa acusada e, ao mesmo tempo, pessoa encarregada de guardar as acusações contra ele e iniciar as investigações).

A procuradoria que investiga, considera que

  • nada disso poderia ter sido feito
  • sem o conhecimento e o consentimento do cardeal Ezzati,
  • superior direto do sacerdote,
  • e, portanto, agora estuda a fundo os documentos para tomar uma decisão que poderia ser surpreendente.

O procurador Arias, falando com os jornalistas, revelou inúmeros detalhes que destacam a delicadeza do caso. Ele disse que alguns abusos e estupros foram cometidos até mesmo com violência física, e que é evidente que o padre, em todas as suas ações,

Esses abusos, inúmeros no caso de cada uma das vítimas, ocorriam regularmente em lugares como

  • igrejas,
  • casas paroquiais
  • ou sedes eclesiásticas,
  • assim como em casas particulares, às quais o sacerdote tinha acesso porque era considerado um homem sério, honesto e respeitável.

Nas casas particulares, ele se apresentava com a desculpa de dar assistência espiritual à vítima, talvez por estar doente.

O procurador Arias disse que

  • o padre, no fim do processo, se não houver reviravoltas,
  • poderá enfrentar uma condenação de 10 a 15 anos de prisão.

Ele acrescentou que

  • uma pena pesada também é esperada
  • por todos aqueles em relação aos quais ficar comprovado
  • que encobriram, ocultaram ou acobertaram.

O cardeal Ezzati, neste momento, por meio de uma declaração pública, expressou solidariedade, proximidade e participação às vítimas e aos seus familiares, e, ao mesmo tempo, renovou sua total disponibilidade pessoal e da Igreja local para colaborar com a Justiça em cada momento e em tudo o que for necessário.

Il Sismografo

Fontes:

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/580856-caso-juridico-do-pe-munoz-toledo-envolve-suposto-crime-do-cardeal-ezzati

http://ilsismografo.blogspot.com/2018/07/cile-la-vicenda-giuridica-del-sacerdote.html#more

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