Desde há 959 anos os cardeais são os eleitores exclusivos do Sucessor de Pedro

Da redação de “Il sismografo” – 27/06/2018

Tradução: Orlando Almeida

O termo “cardeal” deriva do latim cardo, “charneira”, “dobradiça”, entendida como centro de rotação. Os cardeais, de fato, ajudam o pontífice na administração da Cúria romana e, de maneira mais geral, no governo da Igreja universal.

O termo cardeal referia-se aos prelados que ajudavam o Bispo de Roma durante as liturgias, posicionando-se precisamente nos quatro pontos cardeais do altar.

 

Desde 1059

  • os cardeais são os eleitores exclusivos do Papa
  • e já em 1150 formavam o Colégio Cardinalício com um Decano, o Bispo de Ostia,
  • e também com um Camerlengo, encarregado da administração dos bens.

Os cardeais tiveram origem em agregações sucessivas começando

  • pelos presbíteros dos 25 títulos ou igrejas quase paroquiais de Roma,
  • pelos 7 (depois 14) diáconos   regionais  e 6 diáconos palatinos
  • e pelos 7 (a partir do século XII: 6) Bispos suburbicários.

Este Colégio agrupava, desde o início, os conselheiros e cooperadores do Papa. No século XII, começaram a ser nomeados cardeais também prelados residentes fora de Roma.

Desde o século XII, os cardeais têm precedência sobre os Bispos e os Arcebispos, e desde o século XV também sobre os Patriarcas (Bula Non mediocri de Eugenio IV, de 1439); têm, mesmo que sejam simples sacerdotes, voto nos concílios.

 


      Lista dos novos 10 cardeais eleitores:

  1. Raphael I Sako, patriarca de Babilônia dos Caldeus, Iraque;
  2. Luis Ladaria Ferrer, jesuíta espanhol, desde 1/07/2017, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;
  3. Angelo De Donatis, Vigário do Santo Padre para a Diocese de Roma, italiano; 
  4. Giovanni Angelo Becciu, Substituto da Secretaria de Estado, italiano;
  5. Konrad Krajewsky, polonês, esmoleiro  pontifício;
  6. Joseph Coutts, arcebispo de Karachi, Paquistão;
  7. António dos Santos Marto, português, bispo de Leiria-Fátima;
  8. Pedro Ricardo Barreto Jimeno, jesuíta, arcebispo de Huancayo, Peru;
  9. Désiré Tsarahazana, arcebispo de Toamasina, Madagascar;
  10. Giuseppe Petrocchi, arcebispo de L’Aquila, Itália;
  11. Thomas Aquino Manyo Maeda, arcebispo de Osaka, Japão.

     Os três cardeais com mais de 80 anos, não eleitores, que “se distinguiram por seu serviço à Igreja, são:

  1. Sérgio Obeso Rivera, arcebispo emérito de Xalapa, México; 
  2. Toribio Ticona Porco, prelado emérito de Corocoro, Bolívia;
  3. Aquilino Bocos Merino, padre, dos missionários claretianos, o único que não é bispo dentre as nomeações.

 

O Papa Emérito Bento XVI e o Papa Francisco encontram-se com os 14 novos cardeais no Vaticano Foto: OSSERVATORE ROMANO / REUTERS

                     Francisco e os 14 novos cardeais visitam Bento XVI. Foto: Osservatore Romano/ Reuter

A função dos cardeais tem suas origens na Igreja antiga, e está intimamente relacionada com o nascimento da Cúria Romana, isto é, quando o papa, para o governo da Igreja, começou a chamar para junto de si alguns colaboradores, escolhidos entre:

  • os párocos da sua diocese;
  • os diáconos da cidade, originalmente designados para cuidar dos pobres;
  • os bispos da periferia, isto é, os bispos das dioceses em torno de Roma.

Na época do papa Cleto (século I),

  • 25 presbíteros auxiliavam o pontífice no governo da comunidade cristã. Foi a partir deles que nasceu o título de cardeal presbítero, como titular de uma igreja da Diocese de Roma;
  • por sua vez as diaconias eram sete, como o número de departamentos (regiones) em que a cidade de Roma tinha sido dividida para o atendimento aos pobres, cada um deles confiado a um diácono. Daí nasceu o título de cardeal diácono.

A primeira notícia acerca  dos cardeais data do tempo do papa Alexandre I (105-115); nessa época, o papa era eleito por todo o clero da diocese de Roma.

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O número dos cardeais,  que ordinariamente não era superior a 30 nos séculos XIII-XV, foi fixado por Sixto V em 70:

  • 6 Cardeais Bispos,
  • 50 Cardeais Presbíteros
  • e 14 Cardeais Diáconos (Constituição Postquam verus, de 03 de dezembro de 1586).

No consistório secreto de 15 de dezembro de 1958 (A.A.S., 1958, Vol XXV, p. 987), João XXIII derrogou o número dos Cardeais, estabelecido por Sixto V e confirmado pelo Código de Direito Canónico de 1917 (cân. 231).  Foi ainda João XXIII, com o Motu Proprio Cum gravissima, de 15 de abril de 1962, que estabeleceu que todos os Cardeais deveriam ser distinguidos com a dignidade episcopal.

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  • Em 1059, o papa Nicolau II, com a constituição apostólica In nomine Domini, reservou o direito de eleição do papa apenas aos cardeais bispos romanos que tinham de alcançar a unanimidade.
  • Em 1179 o Papa Alexandre III, com a Constituição Apostólica Licet de vitanda discordia, conferiu o direito de voto a todos os cardeais (cardeais bispos, cardeais presbíteros, cardeais diáconos), estabelecendo para a validade da eleição a maioria qualificada de dois terços.
  • Em 1274, o beato papa Gregório X, com a Constituição Apostólica Ubi periculum, confirmou as normas estabelecidas por seus antecessores, mas introduziu o dever do segredo na eleição e, posteriormente, a obrigação do isolamento da Assembleia dos cardeais eleitores. Por isso, desde então esta assembleia é chamada conclave. Estas disposições sobrevivem na legislação em vigor.

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Paulo VI, com o Motu Proprio Ad Purpuratorum Patrum, de 11 fevereiro de 1965, determinou a participação dos Patriarcas Orientais no Colégio Cardinalício.

  • O mesmo Sumo Pontífice, com o Motu Proprio Ingravescentem aetatem, de 21 de novembro de 1970, dispôs que, completados 80 anos de idade, os Cardeais:
  1. deixam de ser membros dos Dicastérios da Cúria Romana e de todos os Organismos Permanentes da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano;
  2. perdem o direito de eleger o Pontífice Romano e, portanto, também o direito de entrar no Conclave.
  • No Consistório Secreto de 05 de novembro de 1973, Paulo VI estabeleceu que o número máximo de cardeais que têm o direito de eleger o Pontífice Romano fosse fixado em 120 (A.A.S. de 1973, Vol. LXV, p. 163).

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João Paulo II, na Constituição Apostólica Universi Dominici gregis, de 22 de fevereiro de 1996, reiterou estas disposições.

  • Os Cardeais pertencem às várias Congregações Romanas: são considerados Príncipes de sangue [real], com o título de Eminência;
  • aqueles que residem em Roma, mesmo fora da Cidade do Vaticano, são, para todos os efeitos, cidadãos da mesma (Tratado de Latrão,  art. 21).

Os Cardeais conservam as suas tradições e prerrogativas de serem eleitores e conselheiros do Sumo Pontífice no governo da Igreja universal (cânon 349).

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Estão divididos em três ordens: episcopal, presbiteral e diaconal (cân. 350), e são escolhidos livremente pelo Papa entre os clérigos que tenham recebido pelo menos o sacerdócio (cân. 351, § 1º).

Aos cardeais bispos (6 com títulos de suburbicários  mais 3 Patriarcas – 9 no total) o Papa Francisco acrescentou, com um rescrito, em 26 de junho, outros 4 sem título suburbicário. A partir de 28 de junho, junta-se a eles um quarto Patriarca criado cardeal. O total dos cardeais bispos será, portanto, de 14. São eles que elegem o Decano.

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O Colégio dos Cardeais é presidido pelo Decano ou, se ele estiver impedido, pelo Subdecano (can. 352). Os cardeais emprestam colegialmente a sua colaboração ao Supremo Pastor da Igreja nos concistórios, ordinários e extraordinários (cân. 353); se presidirem dicastérios ou institutos da Cúria Romana ou do Estado da Cidade do Vaticano, devem  apresentar a sua renúncia após completarem 75 anos de idade (cânon 354). No caso de vacância da Sé Apostólica, os Cardeais têm apenas os poderes que lhes são atribuídos pelas leis particulares vigentes.

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Aos Cardeais, após a morte ou a renúncia do pontífice, compete também a eleição do novo bispo de Roma numa assembleia denominada conclave. Normalmente o papa é escolhido entre os próprios cardeais, mas também pode ser selecionado fora do colégio dos cardeais, embora isso tenha acontecido muito raramente.

A partir de 1962, ou seja, do motu proprio Cum Gravissima de São João XXIII, todos os cardeais devem ser em princípio ordenados bispos.

De fato, porém,

  • tanto São João Paulo II
  • quanto Bento XVI
  • e Francisco

têm nomeado cardeais alguns sacerdotes com mais de oitenta anos (e portanto não votantes no conclave) sem elevá-los à dignidade episcopal.

 

Fontes: Il Collegio Cardinalizio – Cfr. Note Storiche dell’Annuario Pontificio 2013 – Schede Wikipedia.

https://ilsismografo.blogspot.com/2018/06/vaticano-da-959-anni-i-cardinali-sono.html

 

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