O que querem e como pensam as lideranças indígenas de ontem, hoje e amanhã

 

A partir da esq., o cacique Raoni, Davi Kopenawa e Sonia GuajajaraMarina Amaral e Sofia Amaral – 17/04/2018
 
Foto: Pin it –  Arte UOL
A partir da esq.,
  • o cacique Raoni,
  • Davi Kopenawa
  • e Sonia Guajajara, candidata a Vice-Presidente.

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Raoni. Foto: Green FM

O mais famoso deles talvez seja Raoni, o líder caiapó com seu impressionante adorno no lábio inferior –o labret- sinal de compromisso do guerreiro com a terra em que nasceu.

Discursando em sua língua nativa, apesar do português aprendido com os irmãos Villas Boas, há 40 anos

  • empreendeuma cruzada pelos direitos,
  • não apenas de seu povo,
  • mas de todos os parentes

– maneira como os indígenas se referem aos que pertencem a outras etnias.

Desde 1989, quando deixou o Brasil pela primeira vez para uma turnê em 17 países com o apoio de Sting, o vocalista do grupo Police, não parou de correr o mundo em defesa da floresta amazônica, do Xingu, dos indígenas brasileiros.

“Eu quero que deixar um recado para todos vocês que são brancos, e eu quero que vocês ouçam minha palavra. Eu não aceito barragem nos rios que moramos, e não aceito extração de minérios em nossas terras”,

diz o ancião (ele tem por volta de 85 anos) no depoimento gravado para a Pública e traduzido por seu neto e herdeiro, Beptuk, pouco antes de embarcar para última Convenção sobre a Mudança do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas), na Alemanha.

RAONI: “SE CONTINUAREM A DERRUBAR MATAS, VIRÁ MUITA COISA RUIM”

Igualmente conhecido internacionalmente é o xamã Davi Kopenawa, o líder dos ianomâmis, o povo indígena mais numeroso do Brasil, com uma população de 25 mil pessoas que vive no Brasil (entre Roraima e Amazonas) e mais 15 mil na Venezuela.

Nessa entrevista para a Pública, ele relembra as ameaças sofridas pelo povo, entre elas a invasão de 40 mil garimpeiros em 1986, autorizada pelo então presidente da Funai, Romero Jucá (MDB-RR), ao seu território.

Foi também

  • através de uma cruzada internacional,
  • em companhia de outras lideranças como o próprio Raoni,
  • que os ianomâmis conseguiram finalmente demarcar sua terra e deter o genocídio de seu povo.

“Agora tá pior, muito pior pra nós, presidente Temer, ele não é honesto”, diz na entrevista gravada em Brasília, depois de uma palestra para estudantes indígenas da UnB (Universidade de Brasília).

LÍDER IANOMÂMI DIZ QUE SITUAÇÃO ESTÁ PIOR E TEMER “NÃO É HONESTO”

A esperança está na resistência, concordam os líderes, que veem com entusiasmo o despontar de uma nova líder, pela primeira vez uma mulher, que une contemporaneidade à defesa da cultura tradicional.

“Hoje o índio não está só no mato, hoje nós ocupamos todos os espaços da sociedade”, resume em entrevista Sônia Guajajara, pré-candidata à vice-presidência da República pelo PSOL.

“O ÍNDIO NÃO ESTÁ SÓ NO MATO”, DIZ PRÉ-CANDIDATA À VICE-PRESIDÊNCIA

* Este material faz parte do especial “Amazônia Resiste”, da Agência Pública.

  • Veja também os três vídeos incluídos nesta matéria.
  • Outras matérias, muito interessantes (na minha opinião) , no site da Agência Pública – Jornalismo Investigativo: apublica.org/ e https://apublica.org 

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