Universidade Urbaniana, laboratório de missão e de evangelização

 

 SILVANA PEPE – ROMA, 03/04/2018

 Foto: A Pontifícia Universidade Urbaniana

Tradução: Orlando Almeida

Viagem aos Ateneus Pontifícios à luz das indicações do Papa na constituição “Veritatis Gaudium”

 

A Pontifícia Universidade Urbaniana, a “Universidade das Missões” e das periferias do mundo, fica no Monte Janículo, com vista para o Vaticano, como um terraço sobre a Roma do século XVI. A crônica conta que, quando em 1933 o Colégio Missionário de Propaganda Fide inaugurou esta nova sede, a imponência da construção provocou muitas críticas.

Polêmicas em sintonia com os tempos de mal disfarçada intolerância para com os Institutos e Colégios religiosos que, após a dissolução do Estado Pontifício (1870), foram redimensionados ou fechados por pressão popular, em nome da laicidade conquistada. Os edifícios que hoje sediam a Urbaniana são modernos, adaptados às novas perspectivas missionárias dos jovens “viandantes da fé”.

Eis os números dos que aspiram a ser missionários, ou que já o são:

  • 1.230 alunos,
  • 50% bolsistas da Congregação para a Evangelização dos Povos e de outras Congregações,
  • 112 leigos,
  • 109 nacionalidades,
  • 37% da África,
  • com quota análoga do Oriente (da Síria ao Japão passando pela Índia),
  • custo anual de matrícula entre 700 e 800 euros.

“Todos os dias, no meu gabinete entram estudantes e professores de todo o mundo, e todas as vezes parece-me estar redesenhando, repassando mentalmente a geografia do planeta”, diz o reitor Leonardo Sileo, da Ordem dos Frades Menores, que dirige o Ateneu desde agosto do ano passado.

Estudantes que Sileo descreve como

  • mais motivados do que no passado,
  • conscientes da sua fé,
  • do seu compromisso
  • e do privilégio de estudar em Roma.

Adjacente à Universidade fica o arquivo de “De Propaganda Fide“: ali está concentrada a história da evangelização, desde 1600, através de

  • cartas,
  • mapas,
  • documentos e relatórios

que os missionários enviavam para a Santa Sé daqueles mundos distantes e perigosíssimos, para informar Roma sobre o estado das coisas.

O arquivo também é a história da Pontifícia Universidade Urbaniana, criada em 1624 e erigida a Pontifícia da Congregação para a Evangelização dos Povos pelo Papa João XXIII em 1962.

A Faculdade de Missiologia (160 alunos) continua a ser a sua credencial, o bilhete de apresentação, embora a Gregoriana tenha a mesma Faculdade, mas com cerca de trinta alunos não é competitiva.

Mas o que significa ser missionários num mundo globalizado, onde não há recanto  da Terra onde a palavra cristianismo seja totalmente estranha?

Significa

  • uma Igreja que “cuida com a graça de Deus das feridas das almas e dos corpos”, como diz o Papa Francisco;
  • uma Igreja que responde às perguntas profundas da humanidade que está longe,
  • que são perguntas existenciais, de perspectiva, questões sobre o sentido da vida onde a vida vale pouco, ameaçada por guerras, catástrofes naturais, epidemias ou doenças modernas como a AIDS.

Respostas que devem ser mais convincentes do que aquelas que apresentadas pelas seitas religiosas ou pseudo-tais, que se multiplicam em ritmo rapidíssimo nessas latitudes. Oferecer soluções religiosas mas também concretas, àqueles jovens que estão prontos para enfrentar viagens intermináveis para o hemisfério rico, com uma pergunta insistente: “Por que eles têm tudo e nós não?”.

E a missão no mundo global exige

  • sabedoria,
  • fundamentos filosóficos,
  • teológicos,
  • culturais,
  • e também práticos.

A Faculdade de Teologia com os 500 alunos, é tudo menos pouco frequentada, e também a de Filosofia, terreno bastante asfíctico em toda parte, resiste com os seus 200 estudantes. E de qualquer forma, desde há dez anos, o número dos matriculados tem-se mantido estável e o sintoma desse declínio de vocações que alarma a Igreja, aqui é pouco sentido, contando quase inteiramente com jovens do sul do mundo.

Jovens estudantes, mas também professores que durante um semestre, rotativamente, a cada ano, chegam dos 103 Institutos associados no mundo (Faculdades, Universidades, Escolas religiosas que estão ligadas à Congregação para a Evangelização dos Povos),

  • da Ásia,
  • da Oceania,
  • das Américas até ao Oriente Médio,

para atualizar conhecimentos e horizontes.

Agora, está em andamento outra experiência, fruto de uma intuição simples mas muito eficaz, que é assim explicada:

  • sendo a Universidade um laboratório de pensamento e de cultura,
  • por que não levar o conhecimento do cristianismo aos não-cristãos,
  • numa versão “autêntica”
  • livre de considerações históricas e de propaganda contrária?

A Summer School

  • para os muçulmanos,
  • mas também para budistas e judeus,
  • em sua maioria leigos,
  • professores de Universidades laicas e não-laicas,
  • estudantes,
  • ‘managers’,
  • diplomatas,

do Egipto, da Malásia, do Kosovo, da China, de Israel, é um ato excêntrico, raro neste cheio e  conforme panorama romano de academias religiosas.

E tecer os fios, criar contatos com esses mundos é um trabalho muito complexo e difícil, às vezes há falhas, mas com mais frequência ganhos.

É o caso de um professor da Universidade Al Azhar do Cairo, que fulgurado pela ‘nova’ versão do cristianismo escreveu um manual para seus estudantes egípcios.

“Esta é a verdadeira Universidade Católica, de todo o povo de Deus, um povo feito de diferenças”, diz Sileo; “aqui acontece o encontro de mais Igrejas e de mais realidades. Que coincide com o que pede a nova Constituição Apostólica, pluralidade e abertura ao mundo”.

A Veritatis Gaudium, a Constituição Apostólica apresentada em 29 de janeiro, para a “reorganização” das Faculdades e das Universidades Pontifícias, é a “revolução cultural” à qual  todas devem conformar-se até janeiro de 2019,

  • com novos currículos,
  • maior colaboração entre os Institutos,
  • uma simplificação do sistema
  • com olhar mais atento à qualidade do que aos desperdícios.

A qualidade do ensino será verificada a cada cinco anos por um órgão independente, a Avepro (Agência para a Avaliação e Promoção da Qualidade), mas para o Reitor Sileo não é suficiente:

Eu esperaria a criação de um registro dos professores, uma verificação mais pontual dos títulos científicos, dos concursos, como em toda a parte. Assinámos, sim ou não, uma declaração internacional (o Processo de Bolonha para o Espaço Europeu do Ensino Superior) que prevê o mesmo sistema para todos?”.

A qualidade dos ensinamentos das Universidades e dos Institutos associados corre o risco de ser proporcional à sua proliferação recente, que é o que acontece também nas nossas universidades do Estado.

O raciocínio é aritmético: quanto mais aumenta o número de professores, mais é preciso chegar ao fundo do viveiro para o seu recrutamento.

Sete Universidades Pontifícias em Roma, significam sete Faculdades de Filosofia, de Teologia e de Direito,

  • mas os números são ainda mais consistentes
  • se levarmos em conta, sempre apenas na capital,
  • também os Ateneus, as Faculdades ( são assim chamados os Institutos com uma só Faculdade).

E depois há a multiplicação nos últimos anos dos Institutos superiores religiosos, de norte a sul da Itália, que,

  • se por um lado contribuem para ampliar o debate cultural,
  • por outro lado levanta dúvidas sobre a qualidade devido a uma oferta tão ampla.

Além disso é forte a ambição de cada Congregação de ‘construir’ o seu próprio Instituto de estudos, isto significa

  • influir no contexto teológico, cultural, filosófico,
  • ter autoridade cultural,
  • inserir-se no debate global com o plural majestático: “o nosso ponto de vista é este ».

Mas a diretiva da nova Constituição é avançar rapidamente com a simplificação, e o tempo está se esgotando.

 

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SILVANA PEPE

Fonte:  http://www.lastampa.it/2018/04/03/vaticaninsider/ita/inchieste-e-interviste/luniversit-urbaniana-laboratorio-di-missione-ed-evangelizzazione-AmopG8f7NTuXhLHY525ViM/pagina.html

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