A ‘cortina eclesiástica’

Parafraseando o conhecido ditado ‘fora da igreja não há salvação’, eu diria que ‘fora do leigo não há salvação’. Chegou a hora da autonomia dos movimentos leigos.
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Eduardo Hoornaert – 17/03/2018

Escrevo este texto para dar uma modesta colaboração, como sempre de cunho histórico, ao ‘Ano do Laicato’, atualmente em curso no seio da Igreja Católica.

Faço-o com prazer, pois cresceu em mim, ao longo dos anos, a convicção que só uma movimentação leiga é capaz de dar nova vida à Igreja católica.

Parafraseando o conhecido ditado ‘fora da igreja não há salvação’, eu diria que ‘fora do leigo não há salvação’. Chegou a hora da autonomia dos movimentos leigos.

O sociólogo italiano Gramsci escreve que movimentos novos, quando aparecem numa sociedade estabelecida, costumam passar por três fases:

  • a da afirmação,
  • do confronto com o que existe
  • e finalmente da autonomia.

Ora, o movimento leigo, dentro da Igreja católica, já tem alguns séculos e passou por duas fases:

  • a da autoafirmação de uma consciência eclesial leiga
  • e a do confronto com o sistema clerical vigente (a fase do anticlericalismo).

Agora, com as Comunidades Eclesiais de Base (no sentido largo desse termo), entramos numa terceira fase, a da autonomia. Autonomia diante do sistema clerical.

  • Não se trata mais de disputar espaço com o clero, mas de caminhar em frente e deixar o clero para trás, ‘correndo atrás do benefício’.
  • Não se trata tampouco de menosprezar, por um enraizado anticlericalismo, os trabalhos, por vezes excelentes e mesmo imprescindíveis, de determinados sacerdotes, bispos e do próprio papa.
  • Trata-se de conquistar a autonomia, o que só será possível se os movimentos leigos tiverem clareza em seus objetivos e segurança em afirmar, sem rodeios: ‘nós somos igreja’.

Para tanto, a tomada de consciência da fraqueza congênita do sistema clerical, é fundamental. E precisamente no sentido de uma tomada de consciência dessa segurança que ofereço aqui um subsídio que espero ser de alguma utilidade.

 

1. A fraqueza congênita do sistema clerical, ou melhor, seu defeito congênito, é um tema raramente verbalizado. Trata-se de externar em palavras o que muita gente sente intuitivamente, mas de que pouco se fala. Além disso, a compreensão desse defeito pressupõe uma tomada de consciência acerca de uma ‘história de longa duração’, segundo a expressão do historiador francês Fernand Braudel.

Com isso, ele quis designar

  • movimentos históricos que se tornam praticamente incontestes
  • e podem mesmo dar a impressão de serem eternos,
  • exatamente porque vigoram durante longos séculos.

Suas inovações são tão largamente integradas na cultura que não são mais sentidas como inovações. Quando uma mesma narrativa se repete por séculos por meio

  • dos mesmos gestos,
  • das mesmas palavras
  • e das mesmas imagens,

a mente humana esquece que

  • esses gestos,
  • essas palavras
  • e essas imagens

são criações históricas passageiras (como tudo que é histórico).

Elas foram construídas num determinado momento da história e, portanto, podem ser desconstruídas. As pessoas passam então a considerar essas criações como sendo evidentes e normais.

Assim não estranhamos mais quando vemos um papa falando do evangelho

  • dentre de um dos espaços mais portentosos do mundo,
  • só comparável ao Kremlin em Moscou
  • ou à Praça da Paz Celestial em Pequim.

Não estranhamos quando lemos as imensas letras ‘sobre esta pedra edificarei minha igreja’ (um anacronismo flagrante!) na cúpula da Basílica de São Pedro em Roma.

  • Estamos acostumados a essas e outras narrativas desde a infância
  • e passamos a considerá-las normais.
  • Mesmo assim, no íntimo sentimos que algo está errado.

É do íntimo do coração que brota a consciência leiga.

 

2. Consideremos por uns minutos uma história de 17 séculos atrás. Você decerto já ouviu falar da ‘reviravolta constantiniana’. Imagine: no ano 325, o Imperador Constantino convida os bispos cristãos a se reunir em sua Residência de Verão, situada num subúrbio de Bizâncio chamado Niceia. Uma surpresa total, pois seu antecessor Diocleciano havia deflagrado a mais cruel perseguição contra as comunidades cristãs.

O novo Imperador, pelo contrário, se dispõe a ajudar os bispos a resolver determinados problemas de desunião existentes entre igrejas (naquele tempo, esse termo indicava comunidades locais).

Os bispos mal percebem que,

  • por detrás de suas palavras e de sua gentileza,
  • Constantino pretende se valer das energias vigentes no movimento cristão
  • para enfrentar problemas de desunião a serem resolvidos na administração do Império.

Esses bispos

  • vêm do interior, do mundo rural analfabeta,
  • e agora são recebidos com ‘honras senatoriais’.

Ficam muito impressionados e um dos presentes, ao ver o Imperador conversando com seus colegas, exclama: ‘é o Cristo, o próprio Cristo está entre nós’. Constantino se faz de super-bispo e manda logo construir, na cidade capital Bizâncio, doravante chamada Constantinopla, uma basílica tão imensa que até hoje permanece uma das maiores construções do mundo cristão, a ‘Hagia Sofia’ (Santa Sabedoria).

No final do século IV já funciona ali

  • uma corporação de clérigos cristãos,
  • nos moldes das corporações sacerdotais da religião romana da época,

que se esmera em moldar uma nova liturgia cristã, que convenha a uma Basílica tão portentosa:

  • introitos e procissões,
  • mitras e estolas,
  • capas e casulas,
  • invocações solenes,
  • preces codificadas,
  • cortesias
  • e a indefectível hipocrisia.

Essas novidades impressionam líderes cristãos do campo rural, que passam a seguir a moda bizantina. Assim se formam paulatinamente corporações clericais em grandes centros populacionais do Império como Antioquia e Alexandria, até alcançar a longínqua Roma.

Inicia-se, ao mesmo tempo, um processo administrativo eclesiástico nos moldes do sistema administrativo romano, forma-se uma hierarquia e uma divisão do universo cristão em torno de centros urbanos (as dioceses). Tudo copiado ou pelo menos inspirado pela administração do Império Romano.

Forma-se

  • um novo tipo de bispo,
  • que sabe falar em público segundo as regras da retórica
  • e passa a cultivar modos corteses.

Mas a mudança mais importante consiste na divulgação do princípio corporativo.

  • Forma-se um corpo sacerdotal unificado,
  • que passa a controlar a multiplicidade de igrejas,
  • ou seja, de comunidades locais.

Ao acolher essas novidades do organograma clerical, os bispos praticam o que os alemães chamam de ‘Realpolitik’, ou, como se diz entre nós, assumem uma postura ‘politicamente correta’. Eles reconhecem e confirmam um fato consumado: doravante, o clero controla a Igreja.

 

3. Com esses procedimentos se interpõe uma pesada cortina entre

  • a Igreja ‘católica’ (no sentido original de ‘espalhada por toda a terra’)
  • e a tradição cristã anterior.

Não um simples biombo de fácil remoção, nem um cortinado leve que voe ao vento, mas uma cortina que vai do teto até o chão,

  • como aquele que em palácios e auditórios serve para separar grandes espaços.
  • Ou como aquela cortina que, num teatro, separa o palco da plateia.
  • Não é um muro, pois pode ser removido.

Enfim, trata-se de uma instituição que,

  • se não fecha totalmente o horizonte evangélico,
  • pelo menos dificulta a visão.

Essa ‘cortina’ consiste numa

  • remodelação
  • e ressignificação da estrutura eclesial anterior.

Aqui chegamos ao âmago da questão.

Para que a nova ordem eclesiástica surta efeitos, é preciso reler os textos evangélicos

  • de modo que confirmem
  • ou pelo menos abram espaço para o novo modelo.
  • Ou seja, fica difícil escapar a uma leitura fundamentalista dos evangelhos.

A melhor definição de leitura fundamentalista que conheço foi dado por um professor meu, nos idos de 1950, que, ao terminar sua explanação numa determinada disciplina de nosso curso teológico, deu um suspiro e disse: ‘mais uma vez conseguimos provar que a Bíblia está de acordo conosco’.

A intenção da leitura fundamentalista, confessa ou não, consciente ou não, é fazer com que o texto sagrado esteja de acordo com o que efetivamente está em curso ou se planeja. É uma leitura a posteriori.

A rigor,

  • não é leitura nem escuta,
  • é a confirmação do que já se sabe.
  • Uma perversão do pensamento.

 

4. Penso que o discurso da teologia de libertação, na medida em que se dispõe de animar o movimento leigo, não pode deixar de abordar esse fundamentalismo católico.

Costuma-se, entre teólogos da libertação, recorrer diretamente ao evangelho. Falta um aprofundamento histórico, uma apresentação mais explícita da ruptura entre

  • o sistema eclesial anterior ao século IV (o sistema de comunidades leigas)
  • e o sistema baseado na corporação clerical e no sacerdócio.

Trabalhei esse tema em meu livro ‘Origens do Cristianismo’ (Paulus, São Paulo, 2016).

Para voltar à imagem da cortina: falta demonstrar que essa cortina

  • é um dado histórico,
  • é história vivida,
  • não é ideologia.

Se não incluir esse dado histórico, o discurso da teologia da libertação

  • corre o perigo de soar algo irreal
  • e não resolver a insegurança existente no mundo leigo.

Num dia, a pessoa ouve o discurso de um teólogo da libertação e num outro dia o discurso do vigário de sua paróquia. Ela percebe a dissonância, fica insegura e pensa que se trata de pensamentos ideológicos diferentes, o que não é verdade. Trata-se aqui de história vivida, não de ideologia.

 

5. Falta credenciar as afirmações acima por meio da leitura concreta de um texto bíblico. Como aqui abordei o tema da corporação sacerdotal, me proponho, dentro dos limites deste texto, apresentar uma leitura muito resumida da Carta aos Hebreus.

A razão da escolha dessa Carta está no fato que,

  • nos cursos de formação clerical,
  • ela costuma servir de fundamentação bíblica do sacerdócio cristão.

Ensina-se, na base de uma leitura da Carta aos Hebreus, que

  • um só sacerdote verdadeiro e eterno, Cristo,
  • e que os que receberam a ordenação sacerdotal são seus ministros.
  • O ministério sacerdotal é uma participação ao sacerdócio eterno de Cristo.

Para tanto, imprime-se na alma do sacerdote cristão

  • um ‘caráter indelével’,
  • um sinal de pertença definitiva ao sacerdócio de Cristo.

Ele é ‘sacerdote para sempre’.

Serei breve. Só digo, para iniciar, que

  • a Carta aos Hebreus deve ter sido redigida por volta do ano 65,
  • portanto numa época em que ainda funcionaram no Templo de Jerusalém os serviços sacerdotais.

Provavelmente,

  • foi escrita em função de sacerdotes judeus (‘hebreus’, como reza o título da Carta)
  • que se aproximavam do movimento de Jesus
  • e se sentiam inseguros quanto ao posicionamento do movimento em relação ao sacerdócio.

Ao abordar a leitura do texto, ficamos estranhando a frequência de citações bíblicas. São mais de cem. Isso se deve ao fato que Hebreus argumenta

  • por meio da citação de textos bíblicos
  • e da apresentação de figuras bíblicas conhecidas.

Nisso segue um método de argumentação corrente nas sinagogas, que se verifica inclusive nos evangelhos, o método ‘midrash’ (‘busca’, em hebraico).

Presume-se que

  • os ouvintes ou leitores tenham suficiente intimidade com textos bíblicos
  • para ‘buscar’, guiados pelo escritor anônimo,
  • citações bíblicas e figuras emblemáticas que expressem o que ele quer dizer.

Assim, em Hebreus,

  • Abel é o injustiçado,
  • Abraão o homem de fé,
  • Moisés o legislador,
  • Josué o conquistador de Canaã,
  • Ra’ab a prostituta que colabora com o exército de Josué
  • e Esaú o irmão de Jacó, que desperdiça a bênção paterna por preferir uma sopa de lentilhas.

É dentro desse contexto que aparece a figura de Melquisedec.

 

6. Melquisedec é a senha de acesso à compreensão da Carta aos Hebreus.

Captar o significado de Melquisedec leva a compreender a Carta aos Hebreus.  Vamos, pois, à procura de Melquisedec.  No Salmo 110 (um salmo da série ‘tseva´ot’, destinada a exaltar os que lutam por Israel), Ihwh fica tão alegre por encontrar alguém disposto a lutar com ele a favor de Israel, que ele se expande em palavras elogiosas:

No esplendor santo

Na luz da aurora

No orvalho da manhã,

Você será sacerdote para sempre

Como Melquisedec (Sl 110, 2-4, citado em Hb 7, 17 e 21).

Ihwh fica ‘eternamente grato’ ao colaborador e diz que ele é, como Melquisedec, ‘sacerdote para sempre’. O que significa isso? O Salmo 40 (que Hebreus cita no capítulo 10) tem a resposta.

Melquisedec (que aqui já funciona como símbolo de Jesus) se coloca frente a Ihwh e diz:

Você, Ihwh, não gosta de sacrifícios.

Nada de ofertas, nada de fogo nem fumaça.

Então eu disse:

Estou aqui (Sl 40, 7-10, citado em Hb 10, 5-7).

 

Que sacerdote é esse, que rejeita

  • sacrifícios, fogo, fumaça, sangue de bodes e novilhos,
  • enfim, as celebrações sacerdotais?

Fica claro que, em Hebreus, o termo ‘sacerdote’ é uma metáfora.

Hebreus fala em sacerdote para dizer outra coisa. Que ‘outra coisa’? O capítulo 7 tem a explicação.

No versículo 14, para que ninguém entenda mal o raciocínio do escritor, ele afirma categoricamente que Jesus nunca foi sacerdote:

ninguém ignora que Nosso Senhor provém de Judá,

tribo sobre a qual Moisés ficou calado

quando falava de sacerdotes (Hb 7, 14).

Em que sentido se pode falar, então, de Jesus sacerdote?

Hebreus 7, 15-17 tem a resposta:

À semelhança de Melquisedec se levanta um sacerdote novo,

que não se tornou sacerdote em virtude de uma fugaz ordenação legal,

mas pelo poder de uma vida indestrutível (akatalutos).

O sacerdote novo se tornou sacerdote pelo poder de uma vida indestrutível. Não há como dizer de modo mais claro que o sacerdócio de Jesus é símbolo de vida, ou seja, que o escritor usa a expressão ‘sacerdote’ para negar a vigência de um sacerdócio ‘ordenado’ no movimento de Jesus e afirmar categoricamente que Jesus se tornou ‘sacerdote’ por seu modo de viver.

E, nos versículos 23 a 24, a Carta conclui: esse sacerdócio, por ser expressão de vida, é intransmissível:

Acrescentemos que os primeiros (os sacerdotes levíticos) foram numerosos a se tornar sacerdotes, porque a morte os impedia a continuar cumprindo seu ofício,  enquanto ele, já que fica para sempre, possui um sacerdócio intransmissível  (‘aparabaton’ em grego): Hb 7, 23-24.

Aqui nos defrontamos, nas traduções correntes do texto grego, com um erro grosseiro.

O adjetivo grego ‘aparabatos’ significa

  • ‘intransmissível’,
  • não, ‘verdadeiro’ (Tomás de Aquino),
  • nem, ‘eterno’ (Concílio de Tranto),
  • nem ‘o que não passa’ (tradução da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Hebreus afirma que a atividade de Jesus é passageira: Tudo isso ele realiza uma só vez (‘efapaks; hapaks’) (Hb 7, 27).

As realizações de Jesus são

  • passageiras,
  • submetidas às leis de tempo e espaço,
  • provisoriedade e incompletude,

como tudo que se passa na história.

Não se ‘transmitem’ por meio de algum rito. São intransmissíveis. Rito se transmite, se repete. Ato não se repete, não se ‘transmite’ (a não ser em forma de exemplo).

 

7. Podemos concluir. Não se pode alegar que a Carta aos Hebreus, por ser de leitura difícil, não seja um texto claro. É de uma clareza cristalina: Jesus é sacerdote ‘a exemplo de Melquisedec’, não ‘a exemplo de Aarão ou Levi’.

Sacerdote por seu modo de viver, não por alguma ordenação que porventura teria recebido.

  • O ‘sacerdócio’ de Cristo, na Carta aos Hebreus, funciona como metáfora da vida de Jesus, de seu modo de viver. Indestrutível, intransmissível.
  • Dizer que o sacerdócio de Jesus está na origem do sacerdócio cristão é cometer um erro flagrante de leitura bíblica.
  • Falta de atenção às palavras, de leitura apropriada.

Eis uma consideração de cunho histórico que, imagino, pode servir na formação de leigos e leigas desejosos de seguir o evangelho,

  • conscientes de sua autonomia
  • e desejosos de se livrar da tutela clerical.

Livres para ler e interpretar textos bíblicos com critério e honestidade intelectual, sem ceder a tendências fundamentalistas.

 

 

Eduardo Hoornaert

Fonte: http://eduardohoornaert.blogspot.com.br/#!/2018/03/a-cortina-eclesiastica.html

5 comments to A ‘cortina eclesiástica’

  • oscar varela

    Hola!

    1- El “Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados” publica este Artículo de uno de sus miembros, Eduardo Hoornaert.

    2- Un objetivo fundamental del MFPC es lograr que el Celibato sea “opcional” para los Padres (Sacerdotes).

    3- Sin embargo, el Artículo de Eduardo pone al borde del abismo la realidad del Padre (Sacerdocio).

    4- ¿Entonces?

  • João Tavares

    Óscar,
    Publicamos o artigo A “Cortina Eclesíástica”, de Eduardo Hoornaert, no nosso Site, como já publicamos outros bons artigos dele, bom estudioso do Movimento de Jesus, dos pontos de vista histórico e linguístico. Eu, antes de editar e publicar esse artigo, falei com ele e questionei a palavra INSTRANSMISSÍVEL, que ele aplica ao sacerdócio de Cristo e que, logicamente, anularia o nosso sacerdócio e, com isso, todo o nosso Movimento dos Padres Casados do mundo inteiro.

    Eu lhe disse que traduzir o adjetivo APARÁBATOS (particípio passado do verbo parabaino, com a negação: a) por INTRANSMISSÍVEL, é bastantante questionável. Pois ele também significa inviolável, imutável, indefectível, que não acaba, que permanece. Em contraposição ao sacerdócio perecível do AT, onde os sacerdotes morriam e eram substituídos. A vulgata traduz por sempiternum.

    Respeito muito e Eduardo e gosto de publicar seus artigos, mas nem sempre concordo com ele. Este é um dos casos de discordância.
    E te garanto, Óscar, que o MFPC, na sua grande maioria, não pensa assim: se sentem sacerdotes e sabem que sua vida não foi e não é uma ilusão.
    Os que, no Brasil, pensam que não são mais sacerdotes, ou que nunca o foram, são muito poucos. Já tentaram, mas não conseguiram adeptos para essa ideia de que não são mais padres.
    A um deles, eu perguntei uma vez onde ele tinha estudado Teologia.
    E, pelo que vi no Encontro mundial da Confederação mundial dos padres casados em Madrid em 2015, no das Lideranças europeias nas Bélgica em 2014 e, agora, na da Federação Lastino-americana em Quito, a grande maioria continua a acreditar no nosso sacerdócio como participação do sacerdócio eterno de Jesus Cristo.
    Eu pessoalmente, acredito no nosso sacerdócio, pois foi assim que aprendi desde a Catequese e, depois, aprofundei na Teologia.

    Uma coisa é contestarmos o modelo de sacerdote autoritário e centralizador tão comum na nossa Igreja, outra coisa é negar que Jesus não quis sacerdotes na sua Igreja.
    Contudo, sabemos que a Teologia do sacerdócio ordenado está ainda bastante pouco estudada e que, provavelmente o sacerdote do futuro será bem diferente do modelo atual.
    Como também sabemos, e o Eduardo insiste bastante nisso, que os leigos por direito próprio de seu Batismo e Crisma, não por bondosa concessão dos padres, têm sim, muito mais direitos do que os que lhe estão sendo dados na Igreja.
    Temos de aprofundar muito mais e de por de fato em prática o cap. II da Lumen Gentium e outros documentos conciliares e magisteriais relativos aos leigos na Igreja e no mundo.

    Inclusive, provavelmente, na celebração da Eucaristia que não é uma celebração do padre, mas da Assembleia presente. Estou me convencendo sempre mais que quando Jesus disse: Fazei isto em minha memória, o disse para todos os presentes, não só para os doze. Como aconteceu também no dia do Pentecostes, onde todos, e não só os doze receberam diretamente o Espírito Santo.

    E aquela frase de S. Tiago em 5,16: “confessem uns aos outros os vossos pecados”, me leva a pensar que talvez não precisemos tanto dos padres como até agora: como se fossem os únicos a poderem ministrar os sacramentos da Eucaristia e da Penitência. Tanto mais que, quando os Apóstolos mandaram a Assembleia escolher entre eles alguns para serem feitos Diáconos, organizadores dos vários serviços à Comunidade, deram como motivo: por que nós, os doze, vamos precisar nos dedicar sobretudo à oração e à Palavra de Deus (At, 6, 1-6).

    Quanto à atual avalanche de diáconos permanentes, estou me perguntando sempre: são super-leigos, ou mini-padres? Mais para o culto, para enfeitar o altar, ou para o serviço à administração da Comunidade? Mas, neste caso, não há o perigo de, mais ainda, ocuparem o legítimo lugar dos Leigos nas Igreja?

    João Tavares
    Editor

  • oscar varela

    ‎muito obrigado!
    Óscar.

  • oscar varela

    Hola Joao,!
    Hola Compañeras y compañeros!

    1- Anteriormente agradecí la reflexión y opción de Joao al Asunto planteado por el Compa Hoornaert.

    2- Consulté a biblista que trabajó en el Equipo de traducción de la Biblia al español. Me respondió:
    …………………

    Hola Óscar

    Estos intríngulis se desmenuzaron en 1974 con la traducción del NT.

    A mi juicio, el amigo Hoornaert está en lo cierto.

    Este adjetivo, única vez que se usa en el NT, tiene un sentido activo y su traducción sin contexto es: ‘inviolable’, ‘que no pasa’, ‘inviolable’, ‘constante’.

    En 1974 se tradujo por: ‘exclusivo’.
    …………………..
    Te copio cómo se leen los dos vv. en la traducción de Juan Mateos:

    23 De aquellos ha habido multitud de sacerdotes, porque la muerte les impedía permanecer; 24 como este, en cambio, dura para siempre, tiene un sacerdocio exclusivo”.

    …………………..
    Te copio también la explicación que da Juan Mateos a los vv. 11-28:

    A. (vv. 11-14): Insuficiencia del antiguo sacerdocio y su sustitución por otro diferente. El hecho de que surja un nuevo sacerdote en una nueva línea de sacerdocio demuestra que la institución sacerdotal antigua era deficiente. El sacerdocio era parte integrante de la Ley de Moisés; el cambio de sacerdocio lleva, pues, consigo la abolición de la Ley entera.El cambio no se refiere a la institución de nuevas ceremonias para el culto; la dedicación de la persona sustituye a los ritos. Acarrea al mismo tiempo un cambio social completo, pues la sociedad israelita estaba fundada sobre la distinción entre casta sacerdotal y pueblo y esta distinción desaparece; antes había un sacerdocio, ahora un solo sacerdote, que, además, contrariamente a la Ley, era socialmente un laico, pues no pertenecía a la tribu clerical.

    (vv. 15-19): La realidad sacerdotal de Jesús, como la de Melquisedec, no depende de una institución jurídica, sino de la calidad de su propia existencia, que no está sujeta a la muerte (Sal 110,4). El nuevo sacerdocio invalida el antiguo, y se produce una transformación radical de la situación religiosa: la antigua religión oprimía al hombre con su yugo de formalismo y legalismo, con preceptos externos, inútiles, porque no conseguían transformar al hombre; el nuevo sacerdote abre la posibilidad del verdadero contacto con Dios, que sí transforma al hombre. Hay una velada alusión al Espíritu dado a los que prestan su adhesión a Jesús.

    B. (vv. 20-22) Superioridad del nuevo sacerdocio. a) La solemnidad con que Dios promete el nuevo sacerdote (Sal 110,4) prueba la superioridad de este.

    b) (vv. 23-25) Contraste entre la multiplicidad de los sacerdotes sujetos a la muerte y la unicidad del sacerdote que vive para siempre. Esto le permite un ejercicio eficaz de su sacerdocio y elimina la necesidad de toda otra mediación sacerdotal.

    Un fuerte abrazo
    ……………..

  • Alcino Camatta

    Assunto: RES: NUEVOS REPORTES COYUNTURALES – Sobre “Cortina eclesiástica” de Hoornaert

    João Tavares, saudações. Li a resposta que você deu ao Oscar. Concordo plenamente com você. Eu trabalhei como padre e como vigário por 14 anos em Barra Mansa. Tive uma experiência muito grande porque foi durante o Concilio todo ficando atento com o andamento do Concilio. A paróquia sentiu fortes mudanças e grande entusiasmo.. Em 1966 começou a funcionar o ISPC, Instituo de Pastoral catequética, com padres vindos do Instituo Vitae,creio se não esqueço da Bélgica. E a linha de todo o ensino desenvolvido durante um ano inteiro que fiz, foi esta linha defendida por você. Infelizmente o Concilio foi bloqueado. Na minha visão curta creio que o Concilio é a maior autoridade da Igreja e não do Papa. Senti um cheiro de heresia com isto, inclusive com o modo de como a Cúria Romana nos deu a dispensa. Era uma excomunhão velada. Eu na reunião nossa aqui de padres casados, diante do meu bispo, com certo exagero disse: O jeito que a cúria nos tratou, na dispensa pedida foi de uma cúria, não de cardiais ou bispos, mas uma turma de moleques. Cristo não trataria miguem deste Jeito. Uma negação completa de amor, para quem já ‘havia dado tanta a Igreja. E acrescentei ainda algo mais que não preciso contar. Dias depois mandei ao bispo desculpas pelo meu falar pesado, embora não retirasse o que disse. A resposta dele foi de grande amigo. Eu me sinto como você hoje como bispo. E sinto a dificuldade com meus colegas no episcopado. Com meus padres grandes problemas e de leigos linha dura. E termino para não revelar a sua confiança do que me disse. Me entusiasma ver uma juventude sua de fé pela Igreja apesar de sua idade. Terminando escreveu ainda, no próximo encontro vamos tomar um “bichiere di vino”. E há bispos que dizem:
    – vamos aguentar um pouco, quando o Papa morrer vai voltar tudo como está.

    Agora João diga-me o que vai acontecer no Chile? Eu creio que toda esta questão vem por causa do celibato. Se a Igreja quiser se universalizar, ser Católica vai ter que avançar em mudanças. Bancar S. Paulo, com a questão da circuncisão para ser cristão. João vou parar, assunto não faltam. Minha experiência é longa e minha cabeça não para de me encher. No dia 30 de junho agora, vou fazer 90 anos. Creio que já me esclerosei.
    No amor de Cristo,

    Alcino Camatta.

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