Enviado da UE ameaça com represálias comerciais se Paquistão não libertar Asia Bibi

António Marujo, 01/03/2018

Foto: Herald Sun

“Acusada por mulheres muçulmanas de conspurcar a água que lhes pertencia,  Asia Bibi reagiu, defendendo-se a si mesma e à fé cristã que professava e que as colegas de trabalho puseram em causa”. “… Foi esse facto que lhe valeu a acusação de blasfémia e a pena de morte…” adiada até agora

O enviado especial da União Europeia (UE) para a promoção da liberdade religiosa, o eslovaco Ján Figel, afirmou que

  • a UE pode não renovar o acordo comercial com o Paquistão
  • se o Paquistão não libertar Asia Bibi, a cristã condenada à morte por blasfémia, que está na prisão a aguardar um último recurso na justiça.

A informação, desenvolvida nesta notícia da AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), tem a ver com o estatuto privilegiado de que goza aquele país, nas trocas comerciais com a UE, que se traduz na isenção de direitos no acesso ao mercado comunitário.

Se isso se concretizar,

  • será uma atitude inédita da parte da UE,
  • cujos governos e instâncias comunitárias se têm limitado, na prática, às declarações inconsequentes de condenação.

 

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Foto: Funnyjunk

Em Setembro de 2011, a jornalista francesa Anne-Isabel Tollet, que trabalhou durante três anos como correspondente da France 24 em Islamabad (Paquistão), dizia, numa entrevista que lhe fiz para o Público:

“O que é difícil para os países europeus é que eles podem dizer o que pensam, mas não podem impor nada. O Paquistão

  • é um país muito orgulhoso,
  • que tem a bomba nuclear,
  • que deve continuar um parceiro diplomático importante para evitar que a situação se torne um barril de pólvora e que haja o risco de atentados através do mundo.”

Foi enquanto jornalista que Anne-Isabel se interessou pelo caso de Asia Bibi,

  • a mulher cristã que está presa acusada de “blasfémia”
  • mas que, na realidade, foi detida em 2009 por ter retirado água de um poço que lhe estava interdito, enquanto trabalhava no campo.

Acusada por mulheres muçulmanas de conspurcar a água que lhes pertencia, reagiu, defendendo-se a si mesma e à fé cristã que professava e que as colegas de trabalho puseram em causa.

Na entrevista citada, Anne-Isabel Tollet conta vários pormenores da história de Asia Bibi.

BlasfémiaFoi esse facto que lhe valeu a acusação de blasfémia e a pena de morte, entretanto adiada em sucessivos avanços e recuos. Asia Bibi

  • não pode ver ninguém, à excepção do marido (que tem vivido escondido,
  • tal como os filhos do casal) e do advogado.

E foi para contar todo esse caso que Anne-Isabel Tollet escreveu Blasfémia, publicado em Portugal pela Aletheia.

Tragicamente, as questões de liberdade religiosa (sobretudo quando são cristãos que estão em causa)

  • continuam a não merecer muita atenção da comunidade internacional,
  • acantonada à manifestação de preconceitos ideológicos ou político-económicos.

Com poucas excepções,

  • a regra é a do silêncio ou a das declarações inconsequentes:
  • à esquerda, o carimbo do religioso como sinónimo de fundamentalismo ou conservador,
  • à direita por causa dos interesses financeiros, económicos, comerciais e políticos.

Pode ser que, desta vez, Asia Bibi tenha um mínimo de sorte (se se pode considerar sorte ser libertada de uma prisão injusta ao fim de nove anos). Mas o calvário continuará para muitas pessoas que não têm, sequer, quem conheça e divulgue os seus casos.

 

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António Marujo 

Fonte: http://religionline.blogspot.com.br/2018/03/enviado-da-ue-ameaca-com-represalias.html

 

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