Sacerdotes da Igreja Siro-Malabar acusam o Cardeal Alencherry de má gestão financeira

TERIA PERDIDO MILHÕES DE DÓLARES COM A COMPRA E VENDA DE TERRAS.

Cameron Doody, 10/02/2018 

Foto: Cardeal George Alencherry, arcebispo-mor de Ernakulam – Angamaly – Agencies

Foi enviado a Roma um relatório “para que o Vaticano se inteire a partir da fonte original”

Tradução: Orlando Almeida

Uma controvérsia sacode a segunda Igreja siro-malabar, e o impacto chegou até ao Vaticano. Sacerdotes desta igreja da Índia levaram a Roma as acusações contra o seu arcebispo, o cardeal George Alencherry, a quem atribuem perdas de quase 13 milhões de dólares através de transações questionáveis ​​de compra e venda de terras.

O padre Paul Karedan, porta-voz da arquidiocese de Ernakulam –Angamaly – presidida pelo cardeal Alencherry – confirmou à UCA News [Union of Catholic Asian News] que o conselho presbiteral da mesma enviou a Roma um informe com os detalhes das denúncias contra o cardeal.

“Isto não significa que [os sacerdotes] estejam buscando a intervenção do Vaticano” – matizou o padre Karedan, acrescentando que “o correto é que o Vaticano se informe sobre esta questão a partir da fonte original e não através da mídia”.

No final do ano passado, a imprensa indiana descobriu umas operações suspeitas que Alencherry, supostamente, teria aprovado, de compra e venda de terras em locais privilegiados na cidade de Kochi, a capital financeira de Kerala. As especulações levaram o bispo auxiliar de Ernakulam-Angamaly, Sebastian Adayanthrath, a escrever uma carta circular em que admitia a existência de uma “crise financeira” na arquidiocese.

Uma crise causada, segundo Adayanthrath, porque a Igreja havia pedido um empréstimo bancário em 2015 para comprar um terreno vendo-se depois obrigada a vender outros imóveis para pagar os juros.

Embora o valor do empréstimo original fosse de 600 milhões de rupias (9,3 milhões de dólares) – acrescentava a carta circular – as dívidas da arquidiocese agora aumentaram para 840 milhões (13 milhões de dólares), com o que são quase 3 milhões de dólares não contabilizados e que as fontes temem que tenha acabado em mãos de terceiros.

 

O padre Karedan, porta-voz da arquidiocese de Ernakulam-Angamaly, confirmou que Alencherry responderá às alegações de ter cometido um lapsus moral na sua gestão, no próximo conselho presbiteral, nos próximos dez dias. No entanto, um sacerdote diocesano não identificado, afirmou à UCA News que a intenção do cardeal de “ganhar tempo” não significa nada e que o “silêncio ensurdecedor” do cardeal “nos magoa a todos“.

“Nenhum de nós disse jamais que o nosso cardeal ou os nossos sacerdotes roubaram o dinheiro. Estamos preparados para assumir a perda. Mas temos o direito de saber o que aconteceu com os nossos ativos, como aconteceu e onde foi parar o dinheiro” – lamentou o padre.

Outra das hipóteses que foi ventilada nos últimos dias para explicar a perda de dinheiro na arquidiocese é que tudo não passa de umadisputa partidária na Igreja, que dividiu até os bispos e se baseia numa controvérsia litúrgica” – tal como explica o homem que lidera o ‘Open Church Movement’ [Movimento por uma Igreja Aberta], Reji Njallani.

Este leigo disse à UCA News que os que estão fazendo acusações contra o Cardeal Alencherry são progressistas que não querem que alguém com o seu perfil tradicionalista ocupe o cargo de arcebispo-mor da Igreja siro-malabar. Especialmente se o Vaticano decidir elevar a sua posição para a de patriarca, uma possibilidade que está ganhando cada vez mais força.

Uma teoria, a de uma conspiração contra o cardeal, que foi descartada um sacerdote sênior da arquidiocese. “Nada poderia ser mais absurdo do que reavivar agora uma disputa antiga” – diz este sacerdote. “Nenhum dos nossos padres disse uma palavra contra o cardeal nem desafiaria as suas ordens. Ficaríamos muito felizes se essa dolorosa controvérsia pudesse ser resolvida de alguma forma”.

Um auxiliar de Alencherry acusa-o de o ter insultado

 

Por sua vez, Sebastian Adayanthrath – o bispo auxiliar de Ernakulam-Angamaly –  investiu duramente contra Alencherry, acusando-o de tê-lo insultado e até mesmo ter posto em causa a sua prática do ministério sagrado por ter confirmado a existência da “crise financeira” na arquidiocese .

“Quando lhe perguntei sobre os detalhes da compra e venda de terras, o cardeal insultou-me e questionou a integridade do meu sacerdócio. Não deu nenhuma explicação sobre as operações apesar de ter recebido numerosos pedidos” – disse Adayanthrath, segundo informa um jornal local, o Deccan Chronicle.

“Foi decidido [no conselho da arquidiocese] que fossem vendidas propriedades da Igreja para liquidar dívidas, e o meu nome aparece nas atas da reunião” – continuou o bispo auxiliar.

Mas eu não tenho nenhuma ideia da série de incidentes que aconteceram depois. Tenho de aguentar insultos quando pergunto sobre os detalhes. O cardeal, o padre Joshy Puthuva [o procurador da arquidiocese] e monsenhor Sebastian Vadakkum-padan [o vigário geral] até agora não ofereceram nenhum detalhe, o que é misterioso” – opinou Adayanthrath.

 

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Cameron Doody

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/mundo/2018/02/10/religion-mundo-india-sacerdotes-iglesia-siro-malabar-acusan-cardenal-alencherry-mala-gestion-financiera.shtml

 

 

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