Bancos: lucro em 2017 foi maior que dois anos de Bolsa Família

08/02/2018

2017 foi um dos piores anos da história para o povo brasileiro: mais de 12 milhões de desempregados, a volta do terror da fome, redução ou fim de programas sociais (veja aqui também).

Para os banqueiros e seus associados, os rentistas, foi uma festa de gala: o lucro dos três maiores bancos no ano passado foi de R$ 53,8 bilhões, mais de duas vezes o orçamento do Bolsa Família para 2018, de R$ 28,7 bilhões. Em cinco anos, o lucro dos bancos saltou nada menos que 127%.

 

Os banqueiros e rentistas gargalham, às custas do povo brasileiro.

  • Enquanto 2017 passa à história como um dos piores anos para os mais pobres do país,
  • o Itaú, Bradesco e Santander tiveram em 2017 um lucro de R$ 53,8 bilhões, 20% superior ao lucro do ano anterior.

Isso ao mesmo tempo em que

De um lado, um punhado de famílias brasileiras que controlam o Itaú e o Bradesco e espanholas que controlam o Santander, além deles, mais 121 mil sócios do Itaú  e 321 mil do Bradesco -não some os dois números, pois milhares são sócios dos dois bancos.

Esse grupo embolsou os quase R$ 54 bilhões.

De outro,

 

A festança dos bancos e rentistas em 2017 foi tamanha que o Itaú, com lucro recorde de R$ 24,9 bi anunciou um inédito “superdividendo” para seus acionistas. Mas a voracidade do “mercado” (dos ricos, leia-se) não tem limite: mesmo o lucro de R$ 19 bilhões do Bradesco -11% maior que o de 2016- não foi suficiente e as ações do banco caíram na Bolsa depois da divulgação dos resultados do banco.

Explicação de uma das publicações porta-voz do “mercado”: o lucro ficou “um pouco abaixo do esperado” no último trimestre do ano. Para o período, os “investidores” (os ricos) esperavam lucro de R$ 4,87 bilhões; e ele foi  de R$ 4,86 bilhões!

Na Espanha, a presidenta do Santander, Ana Botín, da família controladora do banco, estava rindo à toa quando anunciou os resultados de 2017 numa entrevista coletiva há pouco mais de uma semana.

Estava rindo porque o banco teve um lucro de R$ 25,8 bilhões de reais em todo mundo -mas, sobretudo, porque sua operação arrancou o couro dos brasileiros e garantiu que o país fosse o responsável por nada menos que 26% do lucro global do Santander.

Sim, o Brasil é disparado o país de onde o Santander aufere mais lucro: a operação que aparece em segundo lugar é a do Reino Unido, com apenas 16% de participação no total da margem do banco dos Botín.  No ano desastroso para o povo brasileiro, o Santander deu um salto de 42% em seus lucros no país.

A frase de Ana Botín  no texto divulgado à imprensa é lapidar:

“2017 foi, uma vez mais, um ano muito bom, e os resultados que anunciamos hoje mostram a fortaleza de nossa dimensão e diversificação. O Santander manteve sua posição como um dos bancos mais rentáveis e eficientes do mundo”

-e isso só aconteceu por causa da operação brasileira.

Ano a ano, os lucros dos bancos crescem, numa curva brutal. Em 2013, os três grandes bancos privados lucraram R$ 23,7 bilhões; agora, R$ 53,8 bilhões – um salto de R$ 30,1 bilhões nada menos que 127%:

 

Enquanto os bancos e os rentistas auferem lucros sobre lucros, mais de 60 milhões de brasileiros adultos estão negativados por conta dos juros escorchantes cobrados pelo sistema financeiro, como apontou recentemente o economista Ladislau Dowbor, autor de A Era do Capital Improdutivo.

Esta situação

  • população endividada
  • versus bancos com lucros escandalosos
  • e controle sobre a política nacional

gera, conforme Dowbor, um sentimento de impotência:

“Perplexas e endividadas, as famílias vêm aparecer o seu ‘nome sujo’ na Serasa-Experian – aliás uma multinacional – caso não respeitem as regras do jogo. Na confusão das regras financeiras, contribuem para a concentração de riqueza e de poder através dos altos juros que pagam nos crediários e nos bancos, através dos juros surrealistas da dívida pública, e através das políticas ditas de ‘austeridade’ que as privam dos seus direitos.”

As mídias controladas por famílias profundamente imbricadas com o sistema financeiro asseguram que tudo isto é “normal”.

Escreveu Dowbor:

“Estas regras do jogo profundamente deformadas serão naturalmente apresentadas como fruto de um processo democrático e legítimo, pois está escrito na Constituição que todo o poder emana do povo.”

Mas não haverá democracia no país sem que esta concentração da renda nacional nas mãos dos banqueiros e dos rentistas seja posta abaixo.

 

 

Mauro Lopes

Fonte: http://outraspalavras.net/maurolopes/2018/02/08/bancos-lucro-em-2017-foi-maior-que-dois-anos-de-bolsa-familia/#more-2787

 

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Leia Mais:

(de: outras palavras e Ihunisios)

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