Contagem decrescente para lançar o foguetão mais potente que temos

Foguetão Falcon Heavy, da SpaceX, está na base da Florida desde 28 de Dezembro de 2017

Andrea Cunha Freitas – 05/02/18
Foto: Foguetão Falcon Heavy, da SpaceX, está na base da Florida desde 28 de Dezembro de 2017 EPA/SPACEX 
 Estes e outros imprevistos fizeram com que a contagem decrescente para o teste de lançamento do potente veículo reutilizável que junta três Falcon 9 e que poderá servir para transportar vários tipos de carga, desde pessoas a satélites, fosse agendada para esta terça-feira, entre as 18h30 e as 21h de Portugal Continental.

A 28 de Dezembro de 2017, o foguetão foi posicionado na plataforma 39A no Centro Espacial Kennedy – a mesma plataforma usada pelo Saturno V que podia carregar cerca de 118 toneladas e que, em 1969, levou a tripulação de três homens da missão Apolo 11 até aos primeiros passos na superfície lunar de Neil Armstrong e Buzz Aldrin.

No teste de estreia desta terça-feira, Elon Musk terá o seu foguetão carregado com um carro desportivo vermelho produzido numa das suas outras empresas. “Adoro imaginar um carro à deriva pelo espaço e talvez a ser descoberto por extraterrestres daqui a milhões de anos”, justificou o empresário numa publicação no Twitter.

Mas, a carga do Falcon Heavy ou a música de David Bowie que Elon Musk quer fazer tocar a bordo do foguetão são apenas alguns adereços deste projecto. Ontem, ao final da tarde de segunda-feira, Elon Musk ainda acrescentou ao “espectáculo” um vídeo de animação que publicou na sua conta de Twitter com a mensagem “Falcon Heavy envia um carro para Marte”.

No vídeo de três minutos e vinte seis segundos vemos o Tesla descapotável vermelho à deriva no espaço, rumo ao planeta vermelho, ao som de David Bowie com “Life On Mars?” .

As contas oficiais sobre o Falcon Heavy apontam para um custo de cerca de 90 milhões de dólares (72,5 milhões de euros), embora muitos especialistas acreditem que este orçamento fica muito aquém da realidade. A propósito de números, este veículo “três em um” é impulsionado por um total de 27 motores (nove em cada foguetão) que têm de funcionar em total sintonia.

Mas o trunfo está na anunciada capacidade que terá para transportar carga para longe do planeta Terra. Segundo o site oficial do projecto, este é o foguetão mais potente do mundo. “O impulso de elevação do Falcon Heavy equivale aproximadamente a 18 aviões 747 a plena potência”, referem, acrescentando que este veículo “pode levantar o equivalente a um avião 737 totalmente carregado – completo com passageiros, bagagem e combustível – para a órbita”.

Elon Musk preparou o sacrifício de um carro desportivo naquela que se espera ser a primeira viagem de sucesso de Falcon Heavy, mas o foguetão é capaz de carregar cargas muito mais pesadas e que, segundo a empresa, podem chegar a cerca de 70 toneladas. O que representa o dobro da capacidade de elevação do maior foguetão existente na frota espacial dos EUA – o Delta 4 Heavy da rival United Launch Alliance (ULA).

O futuro da humanidade não depende obviamente do sucesso desta missão da SpaceX, mas se as coisas correrem bem no teste de lançamento podem abrir-se algumas portas para novas e mais ambiciosas missões orbitais geoestacionárias para levar satélites e mesmo para operações para lá da órbita com carga e tripulantes para explorar o espaço vizinho.

 Enquanto a SpaceX experimenta o seu megafoguetão, a NASA tem vindo a apostar no desenvolvimento de um foguetão pesado (SLS, na sigla em inglês) que será mais potente que o Falcon Heavy mas também muito mais caro.
Segundo a agência Reuters, a Administração de Donald Trump terá recentemente sugerido que a NASA poderá contratar um fornecedor comercial para lançar o primeiro componente da estação Deep Space Gateway, um posto avançado de investigação em órbita lunar, que será o sucessor da Estação Espacial Internacional na próxima década e um ponto de partida para missões dirigidas a Marte.

Independentemente do desfecho do teste de lançamento, a SpaceX já terá “clientes” para, pelo menos, três viagens no Falcon Heavy, uma delas será uma espécie de viagem turística à volta da Lua reservada por duas pessoas (cuja identidade não foi divulgada). Tal como o seu antecessor (e parte integrante) Falcon 9, o Falcon Heavy foi construído para ser reutilizável, ou seja, cada um dos seus três foguetões deverá voltar à Terra após o lançamento.

O plano é que os dois Falcon 9 laterais regressem ao centro espacial de Cabo Canaveral e, mais tarde, o foguetão central, deverá aterrar num navio-drone que se encontra nas águas do Atlântico (onde já pousou com sucesso um Falcon 9 intacto) e que (mais um detalhe curioso da produção de Elon Musk) se chama “Of Course I Still Love You”

 

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Andrea Cunha Freitas

Fonte: https://www.publico.pt/autor/andrea-cunha-freitas

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