O PADRE BERRÍOS, SOBRE A VISITA DO PAPA

O povo crente do Chile sente-se abandonado pelos seus pastores
O jesuíta acredita que Francisco “deveria fazer um gesto” em relação ao ‘caso Osorno’  Redação, 6 de janeiro de 2018

Padre Felipe Berríos, sj

Não foram muito hábeis os organizadores, que não socializaram mais a visita. Foi pouco explicado. Mas este mal estar cidadão entende-se devido à ‘irritação’ para com a hierarquia

O Papa visita uma Igreja que perdeu o prestígio

“O povo crente do Chile sente-se abandonado por seus pastores e desiludido com os casos de abusos sexuais”. É a opinião do padre Felipe Berríos que, numa entrevista* ao jornal El País da Espanha prevê que o tema da polémica em torno do Bispo de Osorno, Juan Barros, “será central” na próxima visita do Papa Francisco.

O religioso, que mora num acampamento em Antofagasta, reconheceu que a visita do Pontífice foi “no meu entender, um pouco críptica em termos de organização”.

Ele também aludiu às críticas pelo alto custo da visita.

“Não foram muito hábeis os organizadores, que não socializaram mais a visita. Foi pouco explicado. Mas este mal estar cidadão entende-se devido à irritação para com a hierarquia” – avaliou.

“Não creio que seja contra o Papa, que pode trazer um ar de esperança para muitos” – acrescentou.

“Eu teria gostado que tivessem feito perguntas às comunidades de base” quando da preparação da visita – argumentou.

“Esta é uma sociedade muito mais crítica”

Berríos disse que o Papa chega a um Chile “muito mais democrático, com pessoas empoderadas” e com um “espírito libertário”.

“É uma sociedade muito mais crítica do que a que foi vista por João Paulo II” – explicou.

Acrescentou que a esse cenário veio somar-se o fato de que o país “tomou medidas firmes, especialmente com as reformas da presidente Michelle Bachelet”. “Por exemplo, pela primeira vez a educação foi considerada como um direito”.

Segundo Berríos, no Chile, “a Igreja Católica está muito afastada das pessoas, tremendamente questionada e com uma hierarquia que não vem até aos fiéis”.

Acrescentou que hoje o Papa “deve ficar surpreso com uma Igreja chilena calada, virada para dentro”. “Não está na vanguarda das mudanças na sociedade chilena” – asseverou.

Sobre o caso do bispo de Osorno, contestado pelos fiéis daquela cidade devido às suas ligações com Fernando Karadima, o religioso jesuíta considerou que o Papa Francisco “deveria fazer um gesto“. “É uma questão que dividiu e feriu a sociedade chilena. Ou não fazê-lo [o gesto], porque seria ultrajante vê-lo, por exemplo, abraçado a Barros” – reconheceu.

A resposta de Berríos a Hasbún

O padre jesuíta também respondeu às declarações do padre Raúl Hasbún. O religioso afirmou numa carta que um “Estado de tirano” receberia o Papa. Aludia à aprovação do aborto, em três casos, promovido pela administração atual.

“Hasbún está perdido no tempo. Isso ele o deveria ter dito na ditadura” – disse Berríos.

(RD / Agências)

http://www.periodistadigital.com/religion/america/2018/01/06/religion-iglesia-felipe-berrios-sj-el-pueblo-creyente-de-chile-se-siente-abandonado-por-sus-pastores.shtml

* “Siento que la Iglesia católica chilena está muy alejada de la gente”

A pocos días de la llegada de Francisco a Chile, el influyente religioso analiza la crisis del catolicismo en su país

https://elpais.com/internacional/2018/01/04/america/1515088929_983366.html

Enviado por Orlando Almeida – Goiânia Brasil

 

 

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