Esta é a resposta do Papa aos cardeais dos “dubia”

MANDA PUBLICAR A TESE DOS BISPOS DE BUENOS AIRES COMO “MAGISTÉRIO AUTÊNTICO DA IGREJA”Resultado de imagem para Amoris Laetitia

José Manuel Vidal, 6/12/ 17

Tradução: Orlando Almeida

“Francisco responde de maneira clara, conclusiva e concreta. Com fatos consumados”

“O documento é muito bom e explica cabalmente o sentido do capítulo VIII de Amoris Laetitia.

Não há outras interpretações. E tenho certeza que fará muito bem. Que o Senhor os recompense por este esforço de caridade pastoral”

 

Rebelaram-se publicamente. Colocaram Francisco no pelourinho contrariando o seu juramento de fidelidade ao Papa, “até o derramamento de sangue”, que juraram como cardeais. No início, eram quatro: Carlo Cafarra, Raymond L. Burke, Joachim Meisner e Walter Brandmüller. Nos últimos meses, dois deles (Cafarra e Meisner) foram-se para o reino da luz e da paz, onde tudo é claridade, sem dúvidas de qualquer tipo. Mas os dois que permanecem vivos continuam a exigir uma resposta do Papa. Pois bem, eles já a têm.

O Papa responde-lhes de uma forma clara, concludente e concreta. Com fatos consumados. Com critérios já anteriormente aprovados por Francisco e que os cardeais “rebeldes” não puderam ou não quiseram ver. Trata-se da resposta enviada por Bergoglio, em 2016, a uma carta remetida pelos bispos da região de Buenos Aires, na qual explicavam os critérios para a aplicação do famoso capítulo VIII da Amoris Laetitia.

Agora, para que não haja lugar para mais dúbia e para que os que têm ouvidos ouçam, o Papa fez publicar a carta dos prelados de Buenos Aires e a sua resposta em Acta Apostolicae Sedis e consagrou-os como velut Magisterium authenticum , isto é, como o magistério autêntico da Igreja.

Mas, se não há pior cego do que o que não quer ver, pior surdo do que o que não quer ouvir e pior fariseu do que um rigorista, é de supor que para os recalcitrantes cardeais dos dubia tampouco valerá esta resposta papal. E eles continuarão obstinadamente com a sua matraca. Secundados pelos da correctio filialis e por todos os rigoristas (poucos, mas ruidosos) que os seguem fazendo onda e ameaçando com o cisma.

Os mesmos que, nos pontificados de João Paulo II e Bento XVI, anatematizavam tudo o que se movia ou exorbitava, segundo eles, dos parâmetros estabelecidos na Cúria e de algumas supostas “verdades não negociáveis, para gritar heresia com o costumeiro estribilho semper cum Petro“. Um estribilho que agora mudaram para nihil cum Petro. É a santa coerência daqueles que colocam a sua ideologia acima do magistério e, é claro, do Evangelho.

 

CARTA APOSTÓLICA

Ao Ex.mo Senhor Sérgio Alfredo Fenoy, delegado da Região Pastoral de Buenos Aires, bem como o documento anexo (Critérios básicos para a aplicação para a aplicação do Cap. VIII da Exortação Apostólica “A Alegria do Amor – Amoris Laetitia)

 

Mons. Sergio Alfredo Fenoy,

Delegado da Região Pastoral de Buenos Aires

 

Querido irmão:

Recebi o documento da Região Pastoral de Buenos Aires “Critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII de Amoris laetitia”. Muito obrigado por tê-lo enviado para mim; e felicito-os pelo trabalho que tiveram: um verdadeiro exemplo de acompanhamento aos sacerdotes … e todos sabemos quanto é necessária esta proximidade do bispo com o seu clero e do clero com o bispo. O próximo “mais próximo” do bispo é o sacerdote, e o mandamento de amar o próximo como a si mesmo começa, para nós bispos, precisamente com os nossos sacerdotes. 

O documento é muito bom e explica cabalmente o sentido do capítulo VIII de Amoris laetitia. Não há outras interpretações. E tenho certeza que vai fazer muito bem. Que o Senhor lhes retribua este esforço de caridade pastoral. 

E é precisamente a caridade pastoral que nos move a sair para encontrar aqueles que estão afastados e, uma vez encontrados, a começar um caminho de acolhimento, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial. Sabemos que isso é cansativo, trata-se de uma pastoral “corpo a corpo” não satisfeita com mediações programáticas, organizacionais ou legais, ainda que necessárias. Simplesmente: acolher, acompanhar, discernir, integrar.

Destas quatro atitudes pastorais, a menos cultivada e praticada é o discernimento; e considero urgente a formação no discernimento, pessoal e comunitário, nos nossos Seminários e Presbitérios.

Finalmente, gostaria de recordar que Amoris laetitia foi o fruto do trabalho e da oração de toda a Igreja, com a mediação de dois Sínodos e do Papa.

Por isso lhes recomendo uma catequese completa da Exortação que certamente ajudará no crescimento, consolidação e santidade da família. 

Mais uma vez agradeço o trabalho realizado e encorajo-os a seguir adiante, nas diversas comunidades das dioceses, com o estudo e a catequese de Amoris laetitia. 

Por favor, não se esqueçam de rezar e de rezar por mim.

Que Jesus os abençoe e a Virgem Santa os assista. 

Fraternalmente,

Vaticano, 5 de setembro de 2016. 

FRANCISCUS PP.

 

 

Os Bispos da Região Pastoral de Buenos Aires

 

 

ADDITUM AD EPISTOLAM (Anexo à Carta do Papa Francisco) 

REGIÃO PASTORAL DE BUENOS AIRES 

Critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII de Amoris laetitia

 Estimados sacerdotes:

 Recebemos com alegria a exortação Amoris laetitia, que nos chama antes de tudo a aumentar o amor dos esposos e a motivar os jovens para que optem pelo matrimônio e pela família. Estes são os grandes temas que nunca deveriam ser descuidados nem ficar ofuscados por outras questões. Francisco abriu várias portas na pastoral familiar e somos chamados a aproveitar este tempo de misericórdia, para assumir como Igreja peregrina a riqueza que nos oferece a Exortação Apostólica nos seus diferentes capítulos.

Agora vamos parar apenas no capítulo VIII, uma vez que se refere às “orientações do Bispo” (300), a fim de discernir sobre o possível acesso aos sacramentos de alguns “divorciados em nova união”.

Cremos ser conveniente, como bispos de uma mesma região pastoral, estabelecer concordemente alguns critérios mínimos. Oferecemo-los sem prejuízo da autoridade que cada Bispo tem em sua própria Diocese para precisá-los, completá-los ou limitá-los. 

  1. Antes de tudo, lembramos que não convém falar de “permissões” para aceder aos sacramentos, mas de um processo de discernimento acompanhado por um pastor. É um discernimento “pessoal e pastoral” (300). 
  1. Neste caminho, o pastor deveria enfatizar o anúncio fundamental, o kerigma, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cfr. 58). Acta Francisci Pp. 1073 
  1. O acompanhamento pastoral é um exercício da “via caritatis”. É um convite a seguir “o caminho de Jesus, o da misericórdia e da integração” (296). Este itinerário exige a caridade pastoral do sacerdote que acolhe o penitente, escuta-o atentamente e mostra-lhe o rosto materno da Igreja, e ao mesmo tempo aceita a sua reta intenção e o seu bom propósito de colocar a vida inteira à luz do Evangelho e de praticar a caridade (cfr. 306). 
  1. Este caminho não acaba necessariamente nos sacramentos, mas pode ser orientado para outras formas de integrar-se mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou de reflexão, compromisso em diversos serviços eclesiais, etc. (299). 
  1. Quando as circunstâncias concretas de um casal o tornem possível, especialmente quando ambos sejam cristãos com um caminho de fé, pode-se propor o compromisso de viver em continência. Amoris laetitia não ignora as dificuldades desta opção (ver nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da Reconciliação quando se falhar nesse propósito (ver nota 364, de acordo com o ensinamento de São João Paulo II ao Cardeal W. Baum, de 22/03/1996). 
  1. Em outras circunstâncias mais complexas, e quando não se pôde obter uma declaração de nulidade, a opção mencionada pode não ser de fato factível. No entanto, é igualmente possível um caminho de discernimento. Se se chega a reconhecer que, num caso concreto, existem limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade (ver 301-302), particularmente quando uma pessoa considere que cairia numa falta ulterior, prejudicando os filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (ver notas 336 e 351). Estes, por sua vez, dispõem a pessoa a continuar amadurecendo e crescendo com a força da graça. 
  1. Mas deve-se evitar entender esta possibilidade como um acesso irrestrito aos sacramentos, ou como se qualquer situação o justificasse. O que se propõe é um discernimento que distinga adequadamente cada caso. Por exemplo, requer cuidado especial “uma nova união que venha de um divórcio recente” ou “a situação de alguém que reiteradamente descumpriu os seus compromissos familiares” (298). Também quando há uma espécie de desculpa ou ostentação da própria situação “como se fosse parte do ideal cristão” (297). Nestes casos mais difíceis, nós pastores devemos acompanhar com paciência procurando algum caminho de integração (ver 297, 299). 
  1. É sempre importante orientar as pessoas a colocar a sua consciência diante de Deus e, para isso, é útil o “exame de consciência” proposto por Amoris laetitia (300), especialmente no que se refere ao “como se comportaram com os seus filhos” ou com o cônjuge abandonado. Quando houve injustiças não resolvidas, o acesso aos sacramentos é particularmente escandaloso. 
  1. Pode ser conveniente que um eventual acesso aos sacramentos seja feito de forma reservada, especialmente quando se preveem situações conflitantes. Mas, ao mesmo tempo, não se deve deixar de acompanhar a comunidade para que cresça em um espírito de compreensão e de acolhida, sem que isso implique confusões no ensino da Igreja sobre o matrimônio indissolúvel. A comunidade é um instrumento de misericórdia que é “imerecida, incondicional e gratuita” (297). 
  1. O discernimento não se encerra, porque “é dinâmico e deve permanecer sempre aberto a novas etapas de crescimento e a novas decisões que permitam realizar o ideal de maneira mais plena” (303), segundo a “lei da gradualidade” (295) e confiando na ajuda da graça.

Somos antes de tudo pastores. Por isso queremos aceitar estas palavras do Papa: “Convido os pastores a ouvir com afeto e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e de compreender o seu ponto de vista, ajudá-las a viver melhor e a reconhecer o seu próprio lugar na Igreja” (312). 

Com afeto em Cristo.

Os Bispos da Região

05 de setembro de 2016

DECISÃO, APÓS AUDIÊNCIA COM O PAPA FRANCISCO

O Sumo Pontífice decide que os dois Documentos precedentes seja editados para  publicação no Site Eletrônico Vaticano e nas Atas da Sede Apostólica, como Magistério Autêntico.

 Vaticano, 05 de Junho de 1967

 Card. Pietro Parolin

Secretário de Estado

 

 

José Manuel Vidal

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/opinion/2017/12/06/esta-es-la-respuesta-del-papa-a-los-cardenales-de-las-dubia-religion-iglesia-amoris-laetitia-divorciados-buenos-aires-magisterio-parolin-burke-brandmuller-cafarra-meisner-vaticano-francisco.shtml

 

 

 

 


 

 

 

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