Clichy, prefeito pede mobilização contra “orações de rua”

Des musulmans prient devant l’Hôtel de ville de Clichy le 24 mars 2017, pour protester contre la fermeture de la salle qui leur servait jusqu’alors de mosquée. 

Wolf Besmond Senneville, 10/11/17

Foto: Bertrand Guay / AFP –  Muçulmanos rezam na frente do prédio da Prefeitura de Clichy em 24 de março de 2017, para protestar contra o fechamento da sala que até então lhes servia de mesquita.  

Rémi Muzeau, prefeito de Clichy-la-Garenne (departamento de  Hauts-de-Seine) chama os prefeitos eleitos da região para se reunirem  diante da prefeitura, na sexta-feira, 10 de novembro, para protestar contra a organização de orações de rua no seu município que começaram  oito meses atrás .

Tradução: Orlando Almeida

O prefeito (LR) de Clichy-la-Garenne, Rémi Muzeau, convoca uma manifestação “contra as preces de rua”, na sexta-feira, 10 de novembro às 12:30.

Desde março, entre 500 e 800 muçulmanos reúnem-se todas as sextas-feiras para orar em frente à sede da Prefeitura. Eles pretendem assim protestar contra o fechamento da sala que até então lhes servia de mesquita.

“Queremos interpelar os poderes públicos com uma mobilização republicana dos eleitos. Os moradores e os comerciantes estão exasperados. A situação não pode continuar” – disse o prefeito eleito ao diário Le Parisien. Uma forma de pedir ao governo regional que impeça a realização dessas orações.

“Isto cria problemas na via pública. É intolerável. A minha cidade precisa  ficar calma” – acrescentou ele na sexta-feira, falando à RTL [Radio Télé Luxembourg]. Em setembro, ele mandou colocar uma faixa sobre uma das avenidas da cidade na qual se podia ler: “Parem as orações ilegais de rua”.

A iniciativa recebeu o apoio da Associação dos Prefeitos de L’Ile-de-France, chamando a “defender a laicidade republicana e o Estado de Direito” contra essas “reuniões ilegais”.

 

Des musulmans prient devant l’Hôtel de ville de Clichy le 24 mars 2017, pour protester contre la fermeture de la salle qui leur servait jusqu’alors de mosquée. 

 

Tensões durante 8 meses

Este apelo do prefeito de Clichy insere-se na continuação das tensões, durante vários meses, entre associações muçulmanas de Clichy e a municipalidade. Anteriormente , às associações muçulmanas tinha sido cedida uma sala mediante um contrato precário. A prefeitura decidiu retomá-la para transformá-la numa mediateca municipal.

Este fechamento não deveria ter trazido problemas, argumenta a prefeitura. De fato, desde abril, existe em Clichy um centro de culto muçulmano – em um terreno cedido pela prefeitura mediante contrato enfitêutico de 99 anos – no qual os fiéis pode fazer suas orações.

O argumento não convence os organizadores das “orações de rua”, para os quais esse lugar, localizado na rua ‘des Trois-Pavillons’, é muito pequeno e muito longe do centro da cidade.

Inimizade entre associações muçulmanas

A este argumento geográfico, vem-se juntar uma inimizade entre as associações muçulmanas da cidade. “A rua ‘des Trois-Pavillons’ não tem uma sala de orações para os moradores de Clichy, aqueles que a dirigem não são de Clichy”, denuncia no Le Parisien Hamid Kazed, presidente da União das Associações Muçulmanas de Clichy. Uma forma de questionar a legitimidade do líder muçulmano que concluiu o contrato de arrendamento do terreno da rua ‘des Trois-Pavillons’, ligado à Federação Muçulmana da França (ex-UOIF, ramo francês da Irmandade Muçulmana).

O presidente da União das Associações Muçulmanas de Clichy, pede portanto a reabertura de outro “lugar de culto muçulmano decente” e garante que essas reuniões de rua não são ilegais uma vez que  “não há perturbação da ordem pública”, em particular nenhuma  interrupção do tráfego de automóveis. De fato essas orações de rua são realizadas numa área  pedonal.

Mas elas são legais? De acordo com a lei de 1905, as “cerimônias, procissões e outras manifestações exteriores de um culto” são autorizadas com a condição de respeitar as regras estabelecidas pelo artigo L2212-2 do Código Geral das Comunidades territoriais, notadamente não dificultando “a segurança e a comodidade da passagem pelas ruas” e não perturbando a tranquilidade pública. O prefeito de Clichy pediu ao governo regional que determine uma intervenção policial em razão da “proibição da ocupação ilegal do domínio público”.

 

 

Resultado de imagem para Wolf Besmond de Senneville - La Croix

https://www.la-croix.com/Religion/Laicite/Le-maire-Clichy-appelle-mobilisation-contre-prieres-rue-2017-11-10-1200891000

 

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