Os sacerdotes casados ​​celebram 40 anos de “protesto conjunto”

 “Jesus não impôs condições aos 12” – “A Igreja Católica coloca condições a Deus”

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Rufo González 3/11/17

Foto: MFP-2012 -XVIII Encontro Nacional em Fortaleza – Ceará

“A Igreja Católica coloca condições a Deus e ensina-lhe o que tem a fazer para “ordenar” bispos e sacerdotes.Ensinaram a Deus o que ele tem de fazer: dar o dom de ser solteiro pelo reino e o dom do amor pastoral à mesma pessoa.

Não há respeito pela consciência pessoal que vai evoluindo e tem o direito de mudar diante de exigências humanas peremptórias (físicas ou psíquicas).”

 Tradução: Orlando Almeida

Quarenta anos de Jesus “chamando à  porta” (Ap 3:20).

A Igreja Católica, em suas instâncias mais elevadas, não percebeu que é Jesus de Nazaré que “bate à sua porta, nem o ouve, nem abre para ele, nem, portanto, o deixa entrar em sua casa e cear juntos” (Apoc 3 , 20).

  • É Jesus, através dos sacerdotes casados, das suas organizações, da sua história e congressos…,
  • é Jesus que vem chamando incansavelmente às portas da Igreja Católica.
  • Pede para restaurar a liberdade na disciplina: que o que foi “antes recomendado aos sacerdotes, e que depois foi imposto por lei a todos os promovidos à Ordem sagrada na Igreja Latina” (PO 16), continue a ser “recomendado”, respeitando assim o seu Evangelho (Mt 19, 12).

Paulo VI reconhecia que Jesus “não pôs esta condição prévia na eleição dos Doze, nem tampouco os Apóstolos a punham diante das primeiras comunidades cristãs (1Tim 3, 2-5, Tit 1, 5-6)” (Paulo VI: Sacerdotalis Caelibatus 5).

Jesus só o insinuou como opção livre para qualquer discípulo, se este o entendesse como dom divino e quisesse “tornar-se solteiro a si mesmo por causa do reino dos céus” (Mt 19, 11-12). Ele não o vinculou a nenhum ministério pelo reino.

A vinculação com o “ministério ordenado” é espúria em relação ao agir  dele. Hoje, Jesus ajudaria os pastores das comunidades a serem bons maridos ou esposas e pais e pastores da comunidade. O que fazem tantas igrejas cristãs, que “estão na dianteira” em termos de liberdade evangélica.

 

4-5 de novembro, uma celebração eclesial

Neste fim de semana (4-5 de novembro) o Moceop (Movimento pelo celibato opcional) celebra perto de Madrid – no Centro de Congressos “Fray Luis de León”. Guadarrama (Madrid) – os quarenta anos de sua caminhada.

Lá os membros do movimento

  • recordarão os seus “muitos dias, muita luta, muita fé e muita esperança…
  • Cantarão, dançarão e festejarão esta longa caminhada com uma jornada de convivência, lembranças e ação de ação de graças”.
  • Obviamente, com a Ação de graças cristã, a Eucaristia, onde sentimos a presença ressuscitada de Jesus que acompanha e sustenta o trabalho para a vida, a liberdade, o amor a todos.

Seria bom que as comunidades cristãs se lembrassem disso e rezassem por intenções tão santas.

 

Milhares de sacerdotes católicos casados

A história dos sacerdotes casados ​​e das suas organizações atuais é um fato histórico na nossa sociedade e na Igreja. Eles estão presentes no mundo inteiro.

  • Em 25 de maio de 1986, foi constituída em Paris a Federação Internacional de padres católicos casados.
  • Em 1987, realizou-se o seu Primeiro Congresso em Ariccia (a trinta quilômetros de Roma). Dele participaram clérigos da Europa, da América, da África e da Ásia. Foi criada formalmente a FISCC (Federação Internacional de Sacerdotes Católicos Casados) e a sua revista “Ministerium Novum“.  

Outros Congressos foram realizados em

  • 1990 (em Doorn, Holanda),
  • 1993 (em Madrid),
  • 1996 (em Brasília),
  • 1999 (em Atlanta, EUA),
  • 2002 (em Leganés, Espanha),
  • 2006 (em Wiesbaden, Alemanha).

Neste último estavam presentes as 4 federações existentes:

  • a Latino-americana,
  • a Filipina,
  • a Europeia
  • e a do Atlântico Norte;

nele foi constituída a Confederação Internacional.

O VIII Congresso, em 2015, teve lugar em Guadarrama (Madrid), no mesmo lugar onde nestes dias o Moceop celebra os seus quarenta anos de história.

Por seu lado, a América Latina já celebrou sete congressos:

  • em 1991 (Curitiba, Brasil),
  • em 1995 (Lima, Peru),
  • em 1999 (México),
  • em 2001 (Lima, Peru),
  • em 2005 (Asunción, Paraguai),
  • em 2006 (Quito, Equador),
  • em 2011 (Buenos Aires, Argentina).

http://www.moceop.net/images/imagenArticulo/congreso-curas-casados.jpg

VIII Congresso da Federação Internacional, em Guadarrama (Madrid), em 2015 – Foto Moceop

Duas associações de padres casados ​​na Espanha

Ambas nascidas em 1977.

  • Uma de tendência mais conservadora (ASCE),
  • outra mais renovadora (MOCEOP).

Como veio acontecendo na Igreja desde os primeiros tempos,

  • uns acentuam mais o interior, a oração, o expor-se diariamente ao amor do Pai;
  • outros acentuam o esforço para transformar a vida e as estruturas para que “a nossa alegria alcance a plenitude” (1 Jo 1, 4).

Num ponto, uns e outros coincidem: não é vontade do Pai a imposição do celibato aos sacerdotes e bispos da Igreja. Todos pedem que sejam renovadas a teologia e a disciplina do ministério, voltando ao espírito de Jesus.

Um dos fundadores da ASCE e atual presidente, José María Lorenzo Amelibia, mantém o Blog Sacerdotes secularizados, mística y obispos  em Religión Digital,

  • dedicado à espiritualidade
  • e para difundir a necessidade de corrigir a “injustiça teológica” de impedir o exercício do sacramento da Ordem a padres casados.

O MOCEOP, agora coordenado por uma mulher, Tere Cortés, esposa de um padre casado, está presente na Internet “moceop.net” e publica uma revista trimestral (“Tiempo de Hablar. Tiempo de Actuar”) que já está no número 150. Esta revista recolhe a vida destes homens, reflexões e encontros de todos os tipos.

Nela, percebem-se

  • a seriedade das suas abordagens,
  • a solidez da sua teologia,
  • as suas contribuições teológicas para o ministério eclesial, etc.

“Provocando e exigindo uma resposta” desde há séculos

A história destes cristãos, consagrados como servidores das comunidades cristãs, está “provocando e exigindo uma resposta“. “Provocação” que vem

  • desde há muito tempo atrás,
  • desde que esta história celibatária começou a andar.
  • Desde que começou a ser inoculado o erro de que “uma pessoa não pode estar casada e ser perfeita”.
  • Desde os rigoristas do século II que começaram a exigir de todo o cristão a continência (“enkrateia”) sexual: encratismo, gnosticismo, montanismo…

Desde que a Igreja, pelos seus dirigentes mais universais, defendeu e até decretou que “todo padre que dormir com a sua esposa na noite anterior a rezar missa perderá o seu emprego” (séc. IV).

Desde que se cultivou a presumida “tradição apostólica” sobre a famosa “continência” dos Apóstolos.

Tradição que até hoje alguns querem defender.

  • Com o intuito de proteger a lei,
  • violentam textos
  • e até contradizem a liberdade que respira o capítulo sete da primeira carta aos Coríntios sobre ser solteiro pelo Reino.

Uma mulher, movida pelo Espírito

María (mariaercilia6@hotmail.com) –  não sei mais do que o seu nome e email –  convencida de que “o padre casado é uma riqueza para as comunidades, para a teologia e para a igreja em geral”, reagiu a um post meu de dezembro de 2013, repreendendo a hierarquia católica:

  • “Quando terminará esse capricho da nossa hierarquia em impor obrigatoriamente o celibato?
  • Quantos talentos e servidores se estão perdendo na Igreja católica?
  • Quando acabará a injustiça e a incoerência de admitir padres casados ​​entre os convertidos e não admitir os próprios?
  • Quando perceberão o pecado gravíssimo que cometem ao privar muitas comunidades de assistência espiritual?

Roguemos para que Deus ilumine Francisco e seus colaboradores para que se deem conta de tamanha injustiça e incoerência…”.

Essa mulher lembra a Judite de Betúlia:

“Ouçam-me, chefes dos habitantes de Betúlia, porque não são retas as palavras que vós dirigistes diante do povo… Porque, quem sois vós para tentar a Deus no dia de hoje e para vos colocardes no lugar de Deus entre os homens?… Não comprometais os planos do Senhor, nosso Deus, porque não se pode ameaçar ou julgar a Deus como a um homem. Por isso, na espera da sua salvação, invoquemo-lo a nosso favor e ele ouvirá a nossa voz se lhe agradar “(Judite 8, 11-12, 16-17).

A Igreja Católica

  • coloca condições a Deus
  • e ensina-lhe o que tem a fazer para “ordenar” bispos e sacerdotes.

Se Deus não concede o celibato pelo reino, as comunidades ficam sem Eucaristia. O “fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 20), só vale se Deus conceder o celibato por toda a vida a quem preside a comunidade.

Ensinaram a Deus o que ele tem de fazer: dar o dom de ser solteiro pelo reino e o dom do amor pastoral à mesma pessoa. Não há respeito pela consciência pessoal que vai evoluindo e tem o direito de mudar diante de exigências humanas peremptórias (físicas ou psíquicas).

A brutalidade da lei envolve tudo, o humano e o divino:

  • exílios forçados,
  • esposas invisíveis,
  • filhos clandestinos,
  • vida dupla,
  • escândalos,
  • o direito da comunidade de ter pastores e de celebrar a Eucaristia, etc.

 

 

Rufo González

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/opinion/2017/11/03/los-sacerdotes-casados-celebran-40-anos-de-protesta-conjunta-religion-iglesia-moceop-celibato.shtml

3 comments to Os sacerdotes casados ​​celebram 40 anos de “protesto conjunto”

  • Padre Geraldo Coimbra de Castro

    De fato, denota-se que o Papa FRANCISCO tem pensado no assunto, mas creio que não irá fazer nada, haja visto que não depende somente dele e sim dos demais bispos e mandatários da Santa Sé, e esses não tem nenhum interesse em ter padres casados ou readmitir os egressos padres casados ao pleno exercício do ministério ordenado. Os referidos bispos do Brasil, citados, não vão fazer nada, pois se assim quisessem fazer, já teria iniciado uma visita às igrejas nacionais ou pequenas iniciativas de padres casados que não deixaram de celebrar a Missa e construíram igrejas, centros comunitários, etc. e nunca deixaram de exercer o ministério. Historicamente, desde de 1910 houve iniciativas no Brasil, para que a Igreja particular (diocese) tivesse padres casados, conforme propôs Cônego Amorim, mas ele não era bispo, então, a proposta morreu com ele, sendo revitalizado em 1928 com a fundação da congregação dos Padres Missionários Andrelinos (Ordem de Santo André), porém, somente em 1945 o bispo de Botucatu (Dom Carlos Duarte Costa), aboliu o celibato e começou a celebrar a missa em língua vernácula. Depois, em 2005 levanta-se na África, o arcebispo dom Emmanuel MILINGO, que bem mais centrado e sem ficar no discurso, casou-se e começou a percorrer o mundo organizando os padres casados.
    Caríssimo irmãos Padres e irmãs, tenho 48 anos de idade, fui ordenado aos 27 anos de idade. Durante 15 anos fui vigário e pároco em São Paulo e estou a 03 anos casado, em processo de acolhida na Venerável Ordem Católica de Santo André, fundada por Dom Salomão Ferraz, que foi bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. …

  • Sandro Vespasiani

    Ate que em fim alguém se movimentou. O Papa, não falou de se ‘movimentar’? O silencio não movimenta “NADA”. Não é obediência porque nos ‘jogaram’ “fora”. É com PROTESTO racional, respeitoso, etc… etc… mas tem que ser PROTESTO MESMO para não deixar o nosso Papa sozinho entre as feras estamos vivos, pedimos ajuda aos que nos precederam; vamos pensar no futuro do “CORPO DE CRISTO”, … mas não vamos demorar mais ainda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Beto

    Se tanta gente e durante tantos anos já se mobilizaram, se tanta gente estudou, discutiu e se reuniu a respeito deste tema, não seria agora a hora de forçar a hierarquia voltar às origens e readmitir sacerdotes casados como fez o Mestre? E´necessário mostrar a esta hierarquia purpurada que não são os donos da Igreja. Mas isto é só possível por meio da Federação internacional que precisa tomar decisões mais drásticas, pois certamente vai poder contar com o Papa Francisco. Mas tem que ser logo, pois o Papa já tem 80 anos.

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