Papa aos sacerdotes: “Padres de sala de estar ou discípulos missionários?”

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Salvatore Cernuzio – 09 Outubro 2017

Padres “de sala de estar”, tranquilos e acomodados, ou discípulos missionários pronto para se empenhar pelas pessoas?
Francisco escava na alma de cada sacerdote, recordando a urgência de seu ministério e convidando-os a se deixar “moldar” como “barro” por um Deus que é um “Oleiro com ‘o’ maiúsculo”, paciente e atento às suas criaturas.
É justamente nessa imagem de memória bíblica que o Pontífice sintetiza toda a formação dos sacerdotes, tema central da “Ratio Fundamentalis Institutiones Sacerdotalis” sobre a qual se realizou de 4 a 7 de outubro, em Roma, um encontro internacional organizado pela Congregação para o Clero, cujos participantes foram recebidos em audiência na Sala Clementina.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 07-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

 

Em seu longo discurso o Papa Francisco ressaltou que o tema da formação sacerdotal “é determinante para a missão da Igreja”, porque “a renovação da fé e o futuro das vocações só é possível se tivermos sacerdotes bem formados.” Mas esclareceu que essa formação “é essencialmente dependente da ação de Deus em nossas vidas e não de nossas atividades.” Portanto, não é uma obra “que se resolve com alguma atualização cultural ou alguma iniciativa local esporádica”, mas o fruto do trabalho de um “Deus artesão, paciente e misericordioso” que “coloca em sua roda de oleiro o barro, modela-o, plasma-o e assim, dá-lhe forma”. E “se percebe que o vaso não ficou bom”, “atira novamente a argila na massa e, com ternura de Pai, volta novamente a moldá-la”.

Uma metáfora, esta, observou Francisco, que ajuda a compreender que “quando nos distanciamos de nossos hábitos confortáveis, da rigidez dos nossos esquemas e da presunção de já ter chegado lá, e temos a coragem de nos colocar diante do Senhor, então Ele pode retomar o seu trabalho sobre nós, nos moldando e transformando”.

É preciso ser repetido com força, afirmou o Papa:

“Se alguém não se deixa formar pelo Senhor todos os diastransforma-se em

  • um padre apagado,
  • que se arrasta no ministério por inércia,
  • sem entusiasmo pelo Evangelho,
  • nem paixão pelo povo de Deus”.

Pelo contrário, quando se coloca nas mãos experientes do Oleiro “irá conservar o entusiasmo no tempo “ e “falar palavras que podem tocar a vida das pessoas”, conseguindo aliviar suas “feridas”, “expectativas” e “esperanças”.

Mas existe também outro aspecto a considerar:

“Cada um de nós, padres, é chamado a colaborar com o divino Oleiro! Nós não somos apenas barro, mas também ajudantes do Oleiro, colaboradores da sua graça”, explicou o Papa Francisco. Nessa “oficina do oleiro” existe também outro protagonista: o próprio padre ou seminarista que se deixa moldar por Deus quando não se fecha “na pretensão de já ser uma obra acabada”.

Isto implica alguns “sim” e alguns “não” a serem ditos: o padre ou futuro padre – destacou Bergoglio

  • “mais que o ruído das ambições humanas, vai preferir o silêncio e a oração;
  • mais que confiar em suas obras, vai saber se entregar às mãos do oleiro e sua providencial criatividade;
  • mais que os esquemas pré-concebidos, vai se deixar guiar por uma inquietação saudável do coração, de modo a orientar sua própria incompletude para a alegria do encontro com Deus e com os irmãos.
  • Mais que o isolamento, procurará a amizade com os irmãos no sacerdócio e com o seu povo”.

Francisco também discutiu o papel dos bispos e de todos aqueles que, na Igreja, são chamados a serem os primeiros formadores da vida sacerdotal:

  • o reitor,
  • os diretores espirituais,
  • os educadores,
  • os responsáveis pela formação permanente do Clero.

“Se um formador ou um bispo não “descer na oficina do oleiro” e não colaborar com a obra de Deus, não podemos ter sacerdotes bem formados”, advertiu o Papa. Sacerdotes, portanto, que saibam anunciar o Evangelho com “entusiasmo e sabedoria”, que tenham condições de “acender a esperança lá onde as cinzas cobriram as brasas da vida, e gerar a fé nos desertos da história”.

Nesse sentido, é fundamental

  • “uma vizinhança cheia de ternura e responsabilidade pela vida dos padres,
  • ma capacidade de exercer a arte do discernimento como instrumento privilegiado de todo o caminho sacerdotal“.

“Trabalhem em conjunto!”, recomendou o Papa principalmente para os bispos. “Tenham um coração grande e um forte preparo para que sua ação possa cruzar os limites da diocese e se conectar com a obra dos outros irmãos bispos”.

Portanto, continuou,

  • “é preciso dialogar mais,
  • superar os paroquialismos,
  • fazer escolhas compartilhadas,
  • juntos dar início a bons percursos de formação
  • e preparar mesmo de longe formadores à altura dessa tarefa tão importante”.

Finalmente, não devemos esquecer as pessoas, com “as dificuldades das suas situações, com as suas demandas e as suas necessidades”.

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