Espanha. O atentado terrorista em Barcelona. Por que tanto ódio cego?

Resultado de imagem para Espanha. O atentado terrorista em Barcelona. Por que tanto ódio cego?(Damiano Serpi – © copyright)  – 19/08/2017  – (aos cuidados da Redação “Il sismografo”)

Foto:  Sergio Perez/Reuters – Homenagens em Barcelona: “Não há iminência de novos ataques”, disse ministro do Interior da Espanha

“Não há dúvida de que estes novos portadores da morte foram doutrinados, que certas concepções desviadas de fé condicionaram  as suas decisões de forma preponderante. Não há dúvida de que muitos deles usam como bandeira o nome de Alá, etc. Mas por que odeiam assim até quererem ver-nos mortos no meio de uma praça ou na frente de um centro comercial?  

Tradução: Orlando Almeida.

Quem de nós, querendo aprender a usar um iphone ou um ipad,  vai procurar ajuda  num livreto de uso e manutenção de um velho  Commodore 64  ou de uma máquina de escrever eletrônica Olivetti?  Ninguém, simplesmente porque fazer isso é totalmente inútil,  já que a tecnologia mudou tudo e o que era útil no passado agora não o é mais.

Pois bem, da mesma forma, para enfrentar o problema dos atentados terroristas na nossa sociedade contemporânea, todos mesmo e não apenas aqueles que são cometidos por quem se declara muçulmano, não se pode usar apenas o que nos serviu nas últimas décadas para debelar ou enfrentar outros ferozes terrorismos.

Tudo isso porque o mundo mudou, a sociedade se transformou, a percepção do homem e da humanidade sobre as coisas e, infelizmente até sobre o próprio valor da vida, mudou completamente.

A cada atentado terrorista, nós nos indignamos, sentimos medo, temos necessidade de manifestar pesar e solidariedade para com as vítimas da ferocidade assassina. No entanto, logo após a primeira fase da dor e da proximidade, continuamos a usar esquemas, explicações fantasiosas, modelos, receitas e soluções que infelizmente hoje não são mais utilizáveis ​​porque o que mudou é precisamente a essência dos fenômenos que queremos combater e não os efeitos atrozes sobre os inocentes que são escolhidos como alvos.

Toda a vez que acontecem atentados terroristas sangrentos contra cidadãos indefesos, como o de dois dias atrás em Barcelona, ​​reabre-se logo o costumeiro debate sobre como isso pôde acontecer, sobre quem está por trás disso, sobre os motivos por que o serviço secreto não conseguiu prever o acontecido e por aí fora. Todos os líderes mundiais quando se verifica qualquer atentado se sentem na obrigação de repetir que “os terroristas não vencerão e não nos poderão deter”.

In:  http://media4.picsearch.com/is?CGJfcBG9X12KxKDi5vIiia4tavlH4e3BwiBLdJpsqRA&height=191

 

Todos querem acompanhar as notícias e propor soluções, mas pouquíssimos fazem a si mesmos a pergunta necessária por onde se deve começar, ou seja, por que tudo isso está acontecendo? Uns falam de guerra de religiões, outros de islamismo político, outros de ‘jihad’, outros de doutrinação dos fundamentalistas e assim por diante.

Mas ninguém põe em evidência uma coisa simplicíssima, ou seja, que a provocar morte são sempre e em qualquer caso pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos, que vivem neste mundo e quase sempre no meio de nós, nas nossas ruas e praças. Por um momento apenas, seria preciso deixar de lado o papel do Isis ou da Al Qaeda e deter-se sobre quem realiza materialmente os atentados, sobre aquela força de trabalho a custo baixíssimo que semeia a morte nas nossas cidades. É preciso sair das categorias geopolíticas para entender como possam existir hoje jovens prontos a semear a morte, até mesmo sem usar armas ou explosivos.

Não há dúvida de que estes novos portadores da morte foram doutrinados, que certas concepções desviadas de fé condicionaram  as suas decisões de forma preponderante. Não há dúvida de que muitos deles usam como bandeira o nome de Alá, etc. Mas por que odeiam assim até quererem ver-nos mortos no meio de uma praça ou na frente de um centro comercial?  Por que querem tanto matar-nos no meio da multidão sem saber nada de nós, da nossa vida, dos nossos problemas, da nossa fé e do nosso trabalho? Por que um rapaz de apenas 17 anos, que vive na era da internet e da economia globalizada, decide pegar o volante de um furgão para ceifar a vida de dezenas e dezenas de pessoas e depois sair do veículo rindo como se para ele aquele terror tivesse sido a maior alegria da vida? Por que um jovem terrorista que nasceu e cresceu na Europa se alegra por ter matado uma criança de apenas três anos, cuja única culpa foi a de estar com sua família na rua numa tarde quente de agosto?

Muitos diriam que tudo é culpa do Isis, da Al Qaeda e do fundamentalismo que prega a morte e usa tudo e todos para trazer a morte à nossa casa e não só. Outros dirão que esses terroristas usam drogas e outras substâncias psicotrópicas para se decidirem a praticar tais barbaridades. Outros ainda sustentarão que é preciso levantar muros e impedir que quem não é ocidental entre na Europa. Há os que afirmam que estas são as últimas investidas de um estado islâmico já derrotado nos seus  próprios territórios, outros que dizem ser necessário obrigar a comunidade, ou melhor, as comunidades islâmicas europeias a isolar dentro delas mesmas os que se deixaram dominar  pelas teorias fundamentalistas para depois denunciar às  autoridades o seu comportamento. Há alguma coisa de verdade em tudo isto, mas é suficiente ou estamos olhando apenas uma parte do problema?

Não se deveria, ao contrário, procurar entender por que estas organizações criminosas conseguem tão facilmente convencer, dominar, fascinar esses jovens, muitas vezes nascidos e criados entre nós e com os nossos filhos, a trazer o terror para dentro das nossas cidades e das nossas próprias casas? Não deveríamos parar um instante para tentar entender por que esses terroristas aceitam o risco não só de morrerem eles mesmos nos atentados mas também de poderem matar na sua louca corrida  os próprios  amigos, parentes, familiares e correligionários?  Não é talvez o ódio, um ódio visceral e puro, o que une todos estes fenômenos e os que querem juntar-se a estas organizações para dar vazão a esse sentimento de vingança que se transforma nas risadas que muitas testemunhas do atentado em Barcelona viram naquele rosto de um jovem que sequer tinha 18 anos?

Dois dias atrás, depois de usar o twitter para expressar as suas condolências ao povo espanhol, o presidente Trump tem “gorjeou”* de novo para fazer saber ao mundo que com os terroristas seria necessário fazer o que fez no seu tempo um velho comandante militar americano da primeira guerra mundial, o general Pershing. Segundo uma lenda metropolitana, aliás nunca confirmada com testemunhos e documentos e portanto inverídica, este general, quando estava nas Filipinas, no final de 1800, derrotou  o terrorismo de então, de matriz islâmica, capturando  50 militantes muçulmanos e matando 49 deles com as balas previamente embebidas  no sangue de porco, animal tido como abominável  pela religião muçulmana. Segundo a lenda, os corpos destes 49 militantes mortos foram depois sepultados envoltos no couro de porco diante dos olhos do quinquagésimo militante, poupado apenas para que pudesse contar ao resto dos rebeldes muçulmanos como o exército americano os trataria se os atentados continuassem.

Mas temos certeza de que soluções deste tipo, que então talvez até pudessem ter efeito, sejam atualmente as acertadas?

  • Podemos permitir-nos usar esquemas de raciocínio tão superficiais e modelos de solução tão primários para entender e resolver este fenômeno de morte ao qual, infelizmente, estamos nos acostumando?
  • Um líder mundial, o mais importante líder político mundial, pode acaso permitir-se sugerir ao público em geral tal solução que não faz senão evidenciar as diferenças de credo religioso e legitimar o uso da violência contra quem a usou antes de nós?
  • Em tudo isto o que há, de homem e de humanidade, senão uma contínua disputa da primazia em armas e violência de uns sobre os outros? Tudo isso ajuda-nos a compreender o fenômeno de hoje?
  • Ou, ao contrário, não corre o risco de apenas aumentar o confronto e de fazer deslizar tudo para o conflito entre religiões ou entre culturas, conflito  que os próprios terroristas querem alimentar de qualquer modo?

Frequentemente, os que querem analisar a fundo a realidade do fenômeno terrorista atual são acusados de procurar justificativas para essa ignóbil violência, mas não é assim, de modo algum. Muitas vezes ouve-se dizer que, com o terrorismo que ensanguenta as nossas cidades, bastaria aplicar, por exemplo, o tratamento que pôs fim ao terrorismo das Brigadas Vermelhas ou ao dos palestinos. No entanto, esta é uma pia ilusão porque os fenômenos não são comparáveis senão pelo fato de que ambos traziam morte e dor.

O fenômeno do terrorismo moderno é, de fato, sui generis, completamente. É-o pelos objetivos, é-o pelas finalidades, é-o pelas formas de realização e é-o pelo contexto geral de uma sociedade já avançada demais para poder ser vacinada com defensivos sanitários vencidos. É-o porque este terrorismo nasceu numa sociedade globalizada em tudo, nos transportes, nas comunicações, na economia.

As Brigadas Vermelhas tinham uma finalidade subversiva, ou seja, derrotar o estado e substitui-lo, com um plano bem claro que podia até ser codificado e tornado público. O terrorismo palestino que ensanguentou a Europa nos anos 70 e 80 tinha um objetivo definido, forçar a diplomacia europeia a pressionar para que Israel pusesse fim à ocupação dos territórios. Quem se lança hoje, dirigindo um furgão, no meio de uma área reservada a pedestres ziguezagueando o mais possível para provocar o máximo de vítimas, não tem intenção subversiva, não pretende mudar a forma de estado ou de governo de um país, nem quer substituir o poder do estado ou pedir alguma coisa em troca às diplomacias dos países europeus.

Quem opta por usar o “car ramming” ou as facas dentro de um centro comercial quer somente descarregar o próprio ódio contra outros seus semelhantes que ele nem sequer conhece mas que odeia com todo o seu ser. As Brigadas Vermelhas escolhiam os seus alvos com precisão de maníacos. Juízes, políticos, policiais, advogados, homens das finanças eram as suas principais escolhas porque era preciso enfraquecer o estado. O terrorismo contemporâneo não escolhe objetivo algum. Todos são um objetivo e não importa para eles, ao contrário do que interessava aos brigadistas, conseguir o apoio do povo com uma luta de classes. Antes, pelo contrário.

Estes terroristas de hoje se regozijam em ver morrer as pessoas comuns, sentem satisfação pessoal ao ver os ferozes efeitos das suas ações. Não lhes interessa saber quem são os que eles jogam debaixo das rodas dos furgões alugados com um cartão de crédito. Não têm interesse em atrair para o seu lado a do ‘povo’ que ao contrário escolhem para matar. Tudo isso deveria fazer-nos refletir e suscitar em nós uma pergunta simples: mas por que me odeiam, porque odeiam exatamente a mim que passeio com os meus filhos numa praça, odeiam precisamente a mim que estou na rua para ganhar meu mísero salário que me permite fazer meus filhos estudar, odeiam exatamente a mim que estava na rua por acaso e não sei nada daqueles que me querem ver morto pra depois rirem de alegria pelo meu sangue derramado?

 

Fazer a si mesmos estas perguntas não significa buscar justificativas para o terrorismo, mas sim desmontar a sua essência para destruí-la. Nenhum atentado que provoca a morte é justificável, e quem o justifica é apenas um cúmplice de quem mata. No entanto, temos de começar a olhar para esses fenômenos com olhos diferentes e compreender que, para vencê-los, não podemos usar velhas receitas ou sistemas antiquados que hoje poderiam ter no máximo um efeito paliativo. Os serviços de inteligência, o controle territorial, o aumento das medidas de segurança  e o isolamento dos que pregam a morte são todas ações acertadas  e valiosas que precisam ser incrementadas, mas é preciso começar a intervir  para privar todas as siglas terroristas do combustível que torna possível  o incêndio, isto é, o ódio que permeia a vida destes jovens nascidos e crescidos na Europa e filhos da falta de integração. Sem ódio, não se consegue matar ninguém voluntariamente. Sem ódio, surgem os impedimentos à realização de um atentado sanguinário. Sem ódio há mais cuidado com a própria vida.

 

O terrorismo de hoje não pode ser derrotado só com o uso das armas, da repressão militar, da ‘intelligence’ ou com a construção de altíssimos muros intransponíveis que tornem impossível atravessar as fronteiras geográficas traçadas pelo homem ao longo da história. Não podemos apenas definir categorias simplistas como “os bons” e “os maus” para fazer floreios sobre teorias de prevalência ou de mérito. É preciso pensar em integração, em respeito, em diálogo e em quanto a sociedade globalizada contribuiu para o crescimento exponencial, em todas as partes do mundo, da indiferença e da rejeição humana. O terrorismo de hoje, exatamente por ter-se tornado “social”, diz respeito a todos nós e deve levar-nos a refletir sobre para onde o mundo contemporâneo e a sociedade humana estão indo.

 

* gorjear –  tweet em inglês

 

 

https://ilsismografo.blogspot.com.br/2017/08/spagna-lattentato-terroristico-di.html

 

sabato 19 agosto 2017

(a cura Redazione “Il sismografo”)

(Damiano Serpi – ©copyright) Chi di noi, volendo imparare ad usare un iphone o un ipad, cerca ausilio in un libretto di uso e manutenzione di un vecchio Commodore 64 o di una macchina da scrivere elettronica Olivetti ? Nessuno, semplicemente perché è del tutto inutile farlo dato che la tecnologia ha cambiato tutto e ciò che era utile nel passato ora non lo è più. Ecco, nello stesso modo, per affrontare il problema degli attentati terroristici nella nostra società contemporanea, tutti si intende e non solo quelli commessi da chi si proclama musulmano, non si può usare soltanto ciò che ci è servito nei decenni scorsi per debellare o affrontare altri feroci terrorismi.
Tutto questo perché il mondo è mutato, la società si è trasformata, la percezione dell’uomo e dell’umanità sulle cose e, ahimè sullo stesso valore della vita, sono completamente cambiate.
Ad ogni attentato terroristico ci indigniamo, proviamo paura, sentiamo il bisogno di esprimere cordoglio e solidarietà verso chi è stata vittima della ferocia omicida. Ciò nonostante, subito dopo la prima fase del dolore e della vicinanza,  si continuano a usare schemi, spiegazioni fantasiose, modelli, ricette e soluzioni che purtroppo oggi non sono più utilizzabili perché ciò che è cambiato è proprio l’essenza dei fenomeni che vogliamo combattere e non gli effetti efferati sugli innocenti che vengono individuati come bersagli. Ogni qualvolta si verificano cruenti attentati terroristici contro inermi cittadini, come quello di due giorni fa a Barcellona, ecco riaprirsi il solito dibattito sul come sia potuto succedere, su chi c’è dietro, sul perché l’intelligence non ha saputo prevenire ogni cosa e via dicendo. Tutti i leader mondiali al verificarsi di ogni attentato si sentono in dovere di ripetere che “i terroristi non vinceranno e non ci potranno fermare”.
Tutti vogliono rincorrere le notizie e proporre soluzioni, tuttavia pochissimi si pongono la necessaria domanda da cui partire, ovvero ma perché succede tutto questo ? C’è chi parla di guerra di religioni, chi di islamismo politico, chi di jihad, chi di indottrinamento dei fondamentalisti e via dicendo. Però nessuno evidenzia una cosa semplicissima, ossia che a portare morte sono sempre e comunque persone, uomini e donne, ragazzi e adulti che vivono in questo mondo e quasi sempre lo hanno fatto in mezzo a noi, tra le nostre strade e piazze. Per un solo momento bisognerebbe tralasciare il ruolo dell’Isis o di Al Qaeda e soffermarsi su chi compie materialmente gli attentati, su quella forza lavoro a bassissimo costo che porta la morte dentro le nostre città. Bisogna uscire dai contenitori di geopolitica per comprendere come si possano avere al giorno d’oggi giovani pronti a seminare morte addirittura senza usare armi o esplosivi.
Non vi è dubbio che questi nuovi portatori di morte siano indottrinati, che certe concezioni deviate di fede abbiano condizionato le loro decisioni in maniera preponderante. Non vi è dubbio che tanti di loro usino come bandiera il nome di Allah e via discorrendo. Tuttavia perché ci odiano così tanto da volerci vedere morti sul selciato di una piazza o davanti ad un centro commerciale ? Perché non vedono l’ora di ucciderci tra la folla senza sapere nulla di noi, della nostra vita, dei nostri problemi, della nostra fede e delle nostre fatiche ? Perché un ragazzo di soli 17 anni, che vive nell’era di internet e dell’economia globalizzata, decide di mettersi alla guida di un furgone per falciare decine e decine di persone per poi scendere dal mezzo ridendo come se per lui quel terrore fosse stata la più grande gioia della vita ? Perché un giovane terrorista nato e cresciuto in Europa prova giubilo per aver ucciso un bambino di soli tre anni la cui unica colpa è stata quella di trovarsi con la propria famiglia in strada in un caldo pomeriggio di agosto ?
Molti direbbero che è tutta colpa dell’Isis, di Al Qaeda e di quel fondamentalismo che predica morte e usa tutto e tutti per portare morte in casa nostra e non solo. Altri diranno che questi terroristi usano droga e sostanze psicotrope varie per essere indotti a compiere tali barbarie. Altri ancora sosterrebbero che bisogna alzare muri e impedire a chi occidentale non è di entrare in Europa. C’è chi sostiene che questi sono gli ultimi colpi di coda di uno stato islamico ormai sconfitto nei propri territori, altri che occorre costringere la comunità, o meglio, le comunità islamiche europee ad isolare al proprio interno chi si è fatto plagiare dalle teorie fondamentaliste per poi denunciare alle autorità il loro comportamento. C’è del vero in tutto ciò, ma  questo ci è sufficiente o stiamo solo guardando a una parte del problema ?
Non bisognerebbe, al contrario, capire perché queste organizzazioni criminali riescono così facilmente a convincere, plagiare, affascinare questi giovani, spesso nati e cresciuto tra di noi e con i nostri figli, a portare il terrore dentro le nostre città e le nostre stesse case ? Non dovremmo soffermarci un attimo per capire perché questi terroristi accettano il rischio non solo di morire loro stessi negli attentati ma addirittura di mettere in conto di uccidere nella loro folle corsa in auto loro propri amici, parenti, familiari e correligionari ? Non è forse l’odio, un odio viscerale e puro, ciò che lega tutti questi fenomeni e coloro che vogliono unirsi a queste organizzazioni per dar sfogo a quel senso di vendetta che si trasforma in quelle risate che molti testimoni dell’attentato di Barcellona hanno visto su quel viso di un giovane di neanche 18 anni ?
Due giorni or sono,  dopo aver usato un twitter per esprimere il giusto cordoglio al popolo spagnolo, lo stesso presidente Trump ha “cinguettato” una seconda volta per far sapere al mondo che con i terroristi bisognerebbe fare come fece ai suoi tempi un vecchio comandante militare statunitense della prima guerra mondiale, il generale Pershing. Secondo una leggenda metropolitana, peraltro mai verificata con testimonianze e con documenti e pertanto non vera, questo generale, mentre era nelle Filippine alla fine del 1800, sconfisse il terrorismo di matrice islamica del tempo prendendo 50 militanti musulmani e uccidendone 49 con dei proiettili preventivamente imbevuti nel sangue di maiale, animale ritenuto empio dalla religione musulmana. Sempre secondo la leggenda i corpi di questi 49 militanti uccisi furono poi sepolti avvolti nella cotenna di suino davanti agli occhi del cinquantesimo militante che venne risparmiato solo perché così potesse raccontare al resto dei musulmani ribelli come l’esercito statunitense avrebbe trattato loro se fossero continuati gli attentati.
Ma siamo sicuri che soluzioni di questo tipo, che allora forse potevano anche avere degli effetti, siano oggi quelle giuste ? Ci possiamo permettere di usare schemi di ragionamento così superficiali  e modelli solutori così sbrigativi per capire e risolvere questo fenomeno di morte a cui ci stiamo, purtroppo, abituando ? Un leader mondiale, il più importante leader politico mondiale, può solo permettersi di suggerire all’universo pubblico una soluzione del genere che non fa altro che evidenziare le differenze di credo religioso e legittimare l’uso della violenza contro chi lo è stato primo di noi ? In tutto ciò che ne è dell’uomo e dell’umanità se non un continuo primeggiare in armi e violenza gli uni sugli altri ? Tutto questo ci aiuta a capire il fenomeno di oggi o, al contrario, non rischia solo di aumentare lo scontro e di far scivolare il tutto verso il conflitto tra religioni o tra culture che gli stessi terroristi vogliono alimentare in ogni modo ?
Spesso chi vuole approfondire la realtà del fenomeno terroristico attuale viene tacciato di voler cercare giustificazioni a quella ignobile violenza, ma non è affatto così. Spesso ci si sente dire che con il terrorismo che insanguina le nostre città basterebbe applicare, ad esempio, la cura che mise fine al periodo del brigatismo rosso o a quello palestinese. Tuttavia questa è una pia illusione perché i fenomeni non sono comparabili se non per il fatto che entrambi portavano morte e dolore. Il fenomeno del terrorismo moderno è, infatti, sui generis, completamente. Lo è per gli obiettivi, lo è per le finalità, lo è per i modi di realizzazione e lo è per il contesto generale di una società ormai troppo evoluta per poter essere vaccinata con presidi sanitari datati. Lo è perché questo terrorismo è nato in una società globalizzata in tutto, nei trasporti, nelle comunicazioni, nell’economia.
Le Brigate Rosse avevano una finalità eversiva, ossia sconfiggere lo stato e sostituirsi ad esso con un progetto ben chiaro da essere persino codificato e pubblicizzato. Il terrorismo palestinese che insanguinò l’Europa tra gli anni 70 e 80 aveva un preciso obiettivo, costringere le cancellerie europee a fare pressioni perché Israele mettesse fine all’occupazione dei territori.  Chi si getta oggi con un furgone in mezzo ad un’area pedonale cercando di zigzagare il più possibile per provocare il maggior numero di vittime non ha alcun intento eversivo, non intende cambiare la forma di stato o di governo di un paese, né vuole sostituirsi al potere dello stato o chiedere qualcosa in cambio alle cancellerie europee. Chi sceglie di usare il car ramming o i coltelli dentro un centro commerciale vuole solo sfogare il proprio odio verso altri simili che neanche conosce ma odia con tutto se stesso. Le Brigate Rosse sceglievano i propri obiettivi con maniacale precisione. Giudici, politici, poliziotti, avvocati, manager, uomini della finanza erano le loro scelte principali perché bisognava indebolire lo stato. Il terrorismo contemporaneo non sceglie alcun obiettivo. Tutti sono un obiettivo e non importa loro, così come invece interessava ai brigatisti, procacciarsi il favore del popolo con una lotta di classe. Anzi, tutto il contrario.
Questi terroristi di oggi gioiscono nel vedere la gente comune morire, provano soddisfazione personale nel vedere gli effetti feroci delle proprie azioni. Non interessa loro chi mettono sotto con le ruote dei furgoni noleggiati con una carta di credito. Non interessa loro trascinare dalla loro parte l’opinione del “popolo” che invece scelgono di far soccombere. Tutto questo dovrebbe farci riflettere e suscitare in noi la semplice domanda : ma perché mi odiano, odiano proprio me che passeggio con i miei figli in una piazza, odiano proprio me che mi trovo in strada per guadagnarmi il mio misero stipendio che mi permette di far studiare i miei figli, odiano proprio me che ero in strada per caso e non so nulla di chi mi vuole vedere morto per poi poter ridere di gioia del mio sangue versato ?
Porsi queste domande non significa cercare giustificazioni al terrorismo, anzi significa smontarne l’essenza per distruggerla. Nessun attentato che porta morte è giustificabile e chi lo fa è solo complice di chi uccide. Tuttavia non possiamo non iniziare a guardare questi fenomeni con occhi diversi e capire che per sconfiggerli non possiamo usare ricette vecchie o sistemi antiquati che oggi potrebbero al massimo avere un effetto palliativo. L’intelligence, il controllo del territorio, l’aumento delle misure di sicurezza e l’isolamento di chi predica morte sono tutte azioni giuste e preziose che devono essere incrementate, tuttavia bisogna iniziare a intervenire per togliere ad ogni sigla terrorisrica il combustibile che rende possibile l’incendio, ovvero l’odio che pervade la vita di questi giovani nati e cresciuti in Europa e figli di una mancata integrazione. Senza odio non si può uccidere nessuno volontariamente. Senza odio nascono le remore a compiere un attentato sanguinario. Senza odio si ha più cura della propria stessa vita.
Il terrorismo dei nostri giorni non si può sconfiggere solo con l’uso delle armi, della repressione militare, dell’intelligence o con la costruzione di altissimi muri invalicabili che rendano impossibile varcare le frontiere geografiche disegnate dall’uomo nella storia. Non si possono solo individuare categorie semplicistiche come “i buoni” e “i cattivi” per ricamarci su teorie di prevalenza o di merito. Occorre anche ragionare di integrazione, di rispetto, di dialogo e di quanto la società globalizzata contribuisca attraverso la crescita esponenziale in ogni parte del mondo di indifferenza e scarto umano.  Il terrorismo di oggi, proprio perché diventato “social” ci riguarda tutti e ci deve spingere a riflettere su dove sta andando il mondo contemporaneo e la sua società umana.

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