“Pode haver outra organização na Igreja, onde não seja preciso haver um homem” 

Cameron Doody, 15/08/2017

Foto: Arcebispo Víctor M. Fernández

Encoraja a “pensar mais na comunidade do que em uma pessoa que mande” Quer paróquias em que “crescem diferentes carismas de homens e de mulheres”

“Sem necessidade de eliminar o celibato, poderia haver outro tipo de estrutura organizacional nas paróquias onde seja menos problema o padre dever ser celibatário e isso seja menos questionado”

Tradução: Orlando Almeida

Outro sinal de que, sob a regência do papa Francisco, não há quem pare o movimento para uma Igreja colaborativa e não-clerical. Víctor Manuel Fernández, reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina e uma das pessoas mais próximas ao pontífice, não só questionou a obrigatoriedade do celibato do clero, mas também assinalou que poderia ​​haver outra estrutura organizacional nas paróquiasque não a de ter o padre como chefe.

Numa entrevista ao diário La Voz del Interior de Córdoba, publicada em duas partes (1, 2), o arcebispo Fernandez reiterou, antes de tudo, que “o celibato não é uma regra de fé, de modo que se poderá algum dia discutir se convém ou não convém. Sim, atualmente “a Igreja acredita que convém”, uma vez que os religiosos celibatários estão livres para se dedicar “todas as energias” às suas tarefas, e isso “de uma maneira até muito eficiente”. Mas isso não quer dizer, segundo o bispo argentino, que a Igreja esteja fechada para a possibilidade de que algum dia a exigência do celibato  clerical obrigatório “​​seja modificada“.

As modificações que poderia sofrer esta disciplina do celibato para os sacerdotes – continuou Fernandez – podem ser inferidas da grande contribuição para a Igreja dada pelos diáconos permanentes, que são, em muitos casos, homens casados​​.

“Muitas pessoas que têm uma vocação forte para o matrimônio descartam o sacerdócio, mas é preciso ter em mente que o diaconato é ordem sagrada – disse o colaborador do papa. “Na prática” – detalhou – o diácono permanente “pode ​​exercer funções semelhantes às de um pároco”, embora lhe sejam proibidas tanto a celebração da missa como ouvir confissão.

Mas – como também apontou Fernández – colocar o debate em termos de se um padre deve ou não viver de forma casta não chega ao cerne da mudança para a qual o papa Francisco está impulsionando a Igreja. Ou seja, que a organização da comunidade não seja uma hierarquia em que o que prevalece é o poder.

“Ás vezes discute-se muito o celibato porque ele é entendido como poder, e o pároco entendido como chefe da comunidade” – ressaltou na mesma linha o acadêmico.Mas pode haver perfeitamenteoutro tipo de organização, onde não tem que haver necessariamente  um homem“.

Se a enfocarmos – disse Fernández – como “uma questão de ministérios distintos, uma comunidade onde crescem e amadurecem os diferentes carismas, tanto de homens como de mulheres” será aí que estarão os verdadeiros frutos da revolução ‘franciscana’. Haverá uma comunidade “cheia de riqueza porque há muitas pessoas que se complementam entre si, com a multiplicidade dos carismas”.

Se, em outras palavras, não se olhar tudo como se a paróquia dependesse apenas dessa pessoa que confessa e celebra a missa, podem abrir-se novos horizontes para toda a Igreja.

“Sem necessidade de eliminar o celibato, poderia haver outro tipo de estrutura organizacional nas paróquias onde seja menos problema o padre dever ser celibatário e isso seja menos questionado” – disse Fernández.

Pensar mais numa comunidade do que numa pessoa que mande” – concluiu o prelado: é disso, ao fim e ao cabo, que se trata.

 

 

Doody

 

Cameron Doody

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/america/2017/08/15/religion-iglesia-argentina-victor-manuel-fernandez-puede-haber-otro-tipo-de-organizacion-en-la-iglesia-donde-no-tiene-que-haber-un-varon-clericalismo-igualdad-mujeres-laicos.shtml

 

 

 

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TEXTOS ORGINAIS DA ENTREVISTA:

Víctor Fernández: “El Papa no viene a Argentina para no exacerbar divisiones”

http://www.lavoz.com.ar/politica/victor-fernandez-el-papa-no-viene-argentina-para-no-exacerbar-divisiones

Niega una crisis de las vocaciones

http://www.lavoz.com.ar/politica/niega-una-crisis-de-las-vocaciones

 

 

 

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