A primeira Pedra, Eu Padre Gay

Como Krzysztof Charamsa enfrentou o preconceito da alta cúpula da Igreja Católica, largou a batina e se tornou um ativista da causa LGBTAtirem a primeira pedra

 Débora Crivellaro – 07.04.17

Assim que fez o anúncio, Charamsa foi classificado de irresponsável e afastado de suas funções. Agora, um ano e meio depois, e longe da batina, ele vive com o namorado em Barcelona e divulga o livro “A Primeira Pedra, Eu Padre Gay” (Ed. Seoman), que estará disponível no Brasil a partir desta semana.

Na obra, ele afirma, entre outras coisas, que metade do clero católico é gay.

Era véspera do Sínodo dos Bispos sobre as Famílias, no Vaticano, em outubro de 2015. E o padre Krzysztof Charamsa, na época com 43 anos, decidiu revelar sua homossexualidade. E com alarde, concedendo uma entrevista para um dos jornais mais importantes da Itália, o “Corriere Della Sera”.

 “Quero que a Igreja e minha comunidade saibam quem sou:
  • um padre homossexual,
  •  feliz e orgulhoso de sua identidade.
  • Estou disposto a pagar as consequências,
  • mas é hora de a Igreja abrir seus olhos para os fieis homossexuais
  • e entender que a solução oferecida, a abstinência total da vida amorosa, é desumana”,

disse, ao lado de seu companheiro, o catalão Eduard Planas.

O anúncio causou um alvoroço na Santa Sé, pois o monsenhor polonês não era um sacerdote qualquer. Ele fazia parte da alta cúpula da Igreja Católica.

Por 17 anos,

  • morou em Roma e desde 2003 fazia parte da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé,
  • era secretário da Comissão Teológica Internacional do Vaticano
  • e professor de Teologia da Universidade Pontifícia Gregoriana e da Universidade Pontifícia Regina Apostolorum.

Assim que fez o anúncio, Charamsa foi classificado de irresponsável e afastado de suas funções. Agora, um ano e meio depois, e longe da batina, ele vive com o namorado em Barcelona e divulga o livro “A Primeira Pedra, Eu Padre Gay” (Ed. Seoman), que estará disponível no Brasil a partir desta semana. Na obra, ele afirma, entre outras coisas, que metade do clero católico é gay.

 

Imagem: https://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=9428662&qld=90&l=430&a=-1 

Incertezas

Na ocasião do Sínodo, o padre polonês escreveu uma carta ao papa Francisco na qual escancara uma série de contradições da instituição, no seu entendimento. Não obteve resposta. Os documentos enviados ao pontífice estão no livro de 292 páginas, organizados em capítulos que também contam sua biografia.

Filho de um pai que ele considera muito machista e de uma mãe, segundo ele, “de fé inabalável, mesmo diante de comportamentos aberrantes da Igreja”, Charamsa disse que

  • sempre soube que era gay,
  • mas que também sempre quis ser padre.

“Procurava me convencer de que, meus sentimentos, na verdade, não existiam. Porém notei que a sexualidade reprimida e até negada começaram a influenciar meus estudos.”

O polonês diz que mais do que uma biografia, seu livro é também uma resposta. “Hoje, quando queremos comunicar alguma coisa, precisamos de mais do que teorias e explicações, necessitamos de testemunhos, de nos confrontar com vidas reais. Isso foi minha maneira de o fazer.”

Segundo Charamsa, a obra mostra a evolução de uma pessoa em relação à instituição para a qual ela trabalha.

  • Ele chega a chamar a Congregação para a Doutrina da Fé, o principal órgão da Igreja Católica, de uma espécie de agência governamental de serviço secreto. “Passei mais de 12 anos na sucursal da KGB”, diz, em alusão à extinta agência soviética.
  • Também não esconde sua decepção com Francisco.
  • “Dele esperava não uma resposta direta à minha carta, mas uma resposta sobre as pessoas homossexuais, que não são doentes nem pedófilos. São pessoas que vivem na sociedade, trabalham, constituem as suas famílias, buscam o amor e têm os mesmos desejos e necessidades que os heterossexuais.”

 

O recomeço

Depois de anos dedicados à Igreja, o polonês decidiu se mudar de País 

Krzysztof Charamsa

• Nascido em Gdynia (Polônia), em 1972
• Formou-se em Filosofia, Teologia e Bioética
• Foi oficial da Congregação para a Doutrina da Fé
• Foi segundo-secretário da Comissão Teológica Internacional
• Foi professor de Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum de Roma
• Atualmente se dedica à defesa dos direitos humanos das mulheres e à causa LGBT

 

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Débora Crivellaro

Fonte:http://istoe.com.br/krzysztof-charamsa-atirem-primeira-pedra/

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