O peditório de Trump na sua primeira cimeira da NATO

 “Um por todos e todos por um. Centenas de milhares de soldados europeus e canadianos serviram, ombro a ombro com as tropas americanas no Afeganistão, durante mais de uma década, para garantir que nunca mais se tornaria um paraíso para os terroristas internacionais”

Os 28 Estados-membros da NATO inauguraram esta quinta-feira o novo quartel-general, em Bruxelas, numa cerimónia carregada de um simbolismo quebrado apenas pelo pragmatismo de Donald Trump. O tom “muito direto” com que pediu dinheiro e teceu críticas aos “23 países” que não cumprem as suas “obrigações financeiras” contrastou com tudo o resto.

“23 das 28 dos países membros ainda não estão a pagar o que deveriam e o que é suposto pagarem para a sua Defesa. Isto não é justo para os cidadãos e para os contribuintes dos Estados Unidos”, comentou Trump, criticando ainda que “algumas destas nações devem enormes quantidades de dinheiro dos últimos anos”.

“Os membros da Aliança têm finalmente que contribuir com a sua quota-parte justa e cumprir as suas obrigações financeiras”, disse, frisando que sobre este tópico “tem sido muito direto com o secretário-geral [Jens] Stoltenberg”. Trump tem insistido no gasto de 2% do PIB em defesa, um valor com que a NATO se comprometeu mas que só EUA, Reino Unido, Polónia, Grécia e Estónia cumprem.

As palavras de Trump, no momento solene da inauguração de um monumento composto por

  • dois pedaços do muro de Berlim
  • e os restos de ferro retorcido de uma das torres gémeas do 11 de setembro,

pareceram causar surpresa e até algum desconforto nos líderes.

joão francisco guerreiro – DN – Bruxelas – Pesquisa Google

A chanceler alemã, criada na Alemanha de Leste, tinha acabado de evocar o significado da queda de um muro que lhe marcou “grande parte da vida”, passada “do outro lado”. Mas, Trump insistiu antes para que os outros membros da NATO paguem a própria defesa, para que “no futuro possa incluir um foco enorme no terrorismo e nas migrações, bem como nas ameaças da Rússia e nas fronteiras a leste a sul”.

O primeiro-ministro português disse na cimeira que “Portugal honrava todos os compromissos assumidos e obrigações internacionais” e o governo irá “definir” até final do ano de que forma Portugal poderá atingir a metade dos 2%. Foi o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que transmitiu aos jornalistas a mensagem do líder do governo, uma vez que António Costa escusou-se a falar no final da cimeira.

Na declaração de fecho, o secretário-geral, Jens Stoltenberg considerou

“absolutamente possível ter uma mensagem ambiciosa sobre os gastos na defesa e, ao mesmo tempo, ter uma mensagem positiva. Porque a NATO está a cumprir”. “Continuamos a ter um grande caminho a percorrer. Muito ainda falta. Mas é extremamente importante, depois de anos de declínio da despesa militar, na Europa e no Canadá, invertemos a trajetória em 2015, travámos os cortes e, em 2016 tivemos um aumento significativo”, justificou.

Num plano da “solidariedade” entre Estados-membros, Stoltenberg considerou que o artigo 5º é “a espinha dorsal” da NATO e, a falar diretamente para o presidente norte-americano, lembrou-o que “a primeira vez” que a Aliança evocou a artigo quinto foi após dos ataques do 11 de Setembro.

“Um por todos e todos por um. Centenas de milhares de soldados europeus e canadianos serviram, ombro a ombro com as tropas americanas no Afeganistão, durante mais de uma década, para garantir que nunca mais se tornaria um paraíso para os terroristas internacionais”, afirmou o norueguês, considerando que é a “solidariedade que mantém as nações seguras”.

De Bruxelas, onde passou apenas 29 horas, depois de passagens pela Arábia Saudita, Israel, territórios palestinianos e Vaticano, Trump seguiu para a Sicília, onde esta sexta-feira participa na sua primeira cimeira do G7.

 

 

João Francisco Guerreiro

Fonte: http://www.dn.pt/mundo/interior/o-peditorio-de-trump-na-sua-primeira-cimeira-da-nato-8508162.htm

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