SUDÃO DO SUL – Mons. Paulino Lukudu: “Trabalhando por uma visita papal em 15 de outubro”

O Arcebispo de Juba: “Francisco pode mediar o acordo de paz”

LORENZO SIMONCELLI

 Juba (Sudão do Sul) -22/05/17

Foto: Sa Stampa/ Vatican Insider. Arcebispo Paulino Lukudu

A Igreja. A religião mais difundida é a Anglicana. O arcebispo de Canterbury foi convidado a visitar o Sudão do Sul

Tradução: Orlando Almeida

“A situação humanitária no Sudão do Sul é dramática por causa do contexto político e da retomada dos confrontos em todo o país. Há soldados por toda parte que, além de combater entre si, se degradam com conduta impróprias contra civis (isto foi denunciado até pelo presidente Salva Kiir, ndr). A população está fugindo, não consegue mais trabalhar, faltam as coisas básicas para a sobrevivência a começar pela comida. Esperamos que a visita do Papa Francisco possa ser o elemento chave no processo de paz”.

As palavras de Paulino Lukudu Loro, arcebispo católico de Juba desde 1983, soam como uma mensagem desesperada dirigida à comunidade internacional para que não esqueça o Sudão do Sul e os quatro milhões de católicos do país, cerca de um terço da população total.

 

Está confirmada a viagem do Papa?

“Estamos trabalhando para trazer a Juba, em 15 de outubro, o Santo Padre e o arcebispo de Canterbury [Cantuária], Justin Welby, primaz da Igreja anglicana (a maior confissão religiosa do país, ndr). Por estes dias emissários do Vaticano estarão no Sudão do Sul para iniciar os preparativos. Além dos encontros institucionais  com o presidente e a oposição, existe a vontade de concelebrar uma missa num espaço público e organizar uma visita relâmpago ao campo de deslocados internos sob proteção da ONU em Juba”.

 

A segurança será garantida?

“O ambiente é muito fluido. Mas tenho certeza de que no dia da chegada do Papa haverá um acordo entre as partes em conflito para um cessar-fogo e a segurança dos dois líderes espirituais será preservada”.

 

Il Papa: andremo in Sud Sudan con il primate anglicano Welby – La Stampa 

 

O senhor acredita que a visita pode marcar um ponto de inflexão no processo de paz?

“Todos ouvirão as palavras de Welby e de Francisco, representantes religiosos de quase todo o país, a começar pelo presidente Kiir, que também é católico. Espero que depois de concluídos os encontros e os apertos de mão, a mensagem de paz seja implementada e possa ser duradoura”.

 

Qual é o primeiro passo a ser dado e qual é o papel da Igreja Católica?

“Chega de armas, chega de estupros, chega de mortes. Enquanto houver cadáveres nas ruas será difícil dialogar. O nosso papel é crucial, nós instituímos junto com as outras confissões religiosas o Conselho das Igrejas do Sudão do Sul, ator protagonista no acordo de paz assinado em agosto de 2015”.

 

Como vocês estão ajudando os civis em fuga?

“As igrejas, especialmente no Norte do país, foram transformadas em abrigos para os deslocados. Mas o dinheiro nos bancos desapareceu, por isso não estamos mais conseguindo comprar comida para alimentá-los. A população entendeu que já não estamos mais em condições de ajudá-la, mas as pessoas preferem vir morrer de fome nas nossas paróquias do que ficar em casa”.

 

Alguns acusaram vocês de ajudar os rebeldes.

“Nas poucas vezes que conseguimos distribuir comida à população, eventualmente em áreas onde atuam as milícias antigovernamentais, fomos acusados ​​de sustentar os rebeldes. Eu não sei quem eles são, só sei que são seres humanos que estão morrendo de fome e não podemos virar a cara  para o outro lado”.

 

http://www.lastampa.it/2017/05/22/vaticaninsider/ita/inchieste-e-interviste/larcivescovo-lukudu-al-lavoro-per-una-visita-del-papa-il-ottobre-v1iDuWKRiMvuVDbGVQSj2K/ page.html

 

 

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