À espera de um desafio de Kim, China acena com sanções drásticas

Pyongyang celebrou com pompa a abertura de uma nova avenida, na presença do próprio Kim-Jong un -13/04/2017

A Coreia do Sul assegurou não ter detectado “qualquer actividade fora do normal” na base norte-coreana, admitindo, no entanto, que Pyongyang aparenta estar preparado para realizar um novo teste nuclear a qualquer momento. E um jornal japonês noticiou também que o Pentágono enviou já para o país um avião a fim de detectar radiação libertada por um eventual ensaio.

Alguns observadores dizem que para o líder norte-coreano, Kim Jong-un, seria irresistível responder ao desafio do Presidente norte-americano – que no último fim-de-semana ordenou o envio de um porta-aviões para as águas próximas da península coreana.

Isto porque, afirmam, está convencido de que Donald Trump não cumprirá a ameaça, várias vezes repetida nos últimos dias, de “agir sozinho” se a China, principal aliado de Pyongyang, nada fizer para travar o programa nuclear norte-coreano.

O 105.º aniversário do nascimento do seu avô seria o momento ideal para isso – em 2012, a data foi assinalada com o lançamento de um foguetão que tentou, sem sucesso, colocar um satélite em órbita; no ano passado foi testado um novo míssil de médio alcance.

Desta vez, 200 jornalistas estrangeiros foram convidados a visitar Pyongyang e os rumores dispararam quando foram convocados para assistir a um “grande acontecimento” nesta quinta-feira – acabariam por descobrir que se tratava da abertura de uma nova avenida na capital, inaugurada com enorme pompa e na presença do próprio Kim Jong-un.

 

PÚBLICO -

A China não parece estar tão certa de que Trump estará a fazer bluff.

“A península coreana nunca esteve tão perto de um confronto militar desde que o Norte realizou o seu primeiro teste nuclear”, admitia quarta-feira um editorial do Global Times, jornal ligado ao Partido Comunista Chinês (PCC), acrescentando que, no caso de um sexto ensaio nuclear, “a possibilidade de uma acção militar americana é mais elevada do que nunca”.

 

Trump, que falou quarta-feira ao telefone com Xi Jiping, dias depois de o ter recebido na Florida, disse “estar muito confiante de que a China vai lidar de forma apropriada com a Coreia do Norte” e elogiou Pequim por ter suspendido, já em Fevereiro, as importações de carvão norte-coreano, uma das principais fontes de rendimento do país.

Mas cortar o abastecimento de petróleo a Pyongyang seria um gesto muito mais dramático para Pequim, que é o fornecedor quase exclusivo do país. “A Coreia do Norte não se aguentaria sozinha nem três meses, o país iria paralisar”, disse à Reuters o economista sul-coreano Cho Bong-hyu, sublinhando que a China não arriscaria uma tal desestabilização do país aliado, mas poderia limitar o fornecimento ou suspendê-lo durante um período mais curto, como fez durante três dias em 2003, em resposta ao disparo de um míssil.

“O objectivo de uma declaração deste tipo não é levar por diante a ameaça”, disse à mesma agência Stephan Gahhard, especialista em economia sul-coreana. “O objectivo é enviar um sinal credível que faça a liderança norte-coreana pensar duas vezes”.

 

Ana Fonseca Pereira

Fonte: https://www.publico.pt/2017/04/13/mundo/noticia/china-acena-a-coreia-do-norte-com-sancoes-sem-precedentes-1768763

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