Uma Proposta – Permitir a ordenação de ‘viri probati’

HELMUT HOPING,  PHILIPP MÜLLER – Weihe Ständiger Diakone am 14. März 2009 im Dom zu Paderborn. Während der Allerheiligenlitanei liegen die Weihekandidaten auf dem Boden.

Tradução: Orlando Almeida -Foto:Bild:KNA

Os administradores diocesanos conhecem o problema desde há tempos. Devido à falta de padres, muitas dioceses correm o risco de ver enfraquecer sua estrutura sacramental básica. Este artigo faz uma proposta sobre as condições em que os diáconos casados podem aceder ao sacerdócio, sem que isto seja em detrimento do sacerdócio celibatário.

 

Para a construção da igreja são imprescindíveis os serviços sacerdotais de

  • orientar a comunidade,
  • proclamar e explicar a palavra de Deus,
  • presidir a eucaristia, ouvir confissões,
  • administrar a unção dos enfermos.

A forte diminuição do número de padres tem efeitos consideráveis ​​na vida eclesial. O número de padres diminuiu cada vez mais claramente desde o início dos anos noventa.

Em 2015 apenas 58* homens receberam o sacramento da ordenação sacerdotal – nunca antes haviam sido tão poucos. É verdade que no ano seguinte o número de ordenações sacerdotais tornou a subir fortemente, chegando a 80*. No entanto há dioceses em que já não se pode celebrar anualmente uma ordenação sacerdotal.

A isto junta-se o fato de  que no ano passado só uns 100 jovens* começaram o seu estudo da teologia como candidatos ao sacerdócio. Não se pode esperar que esta tendência se vá alterar. Assim, a relação entre os sacerdotes que se aposentam e os novos deverá continuar desequilibrada por um longo tempo.

 

A estrutura sacramental básica da igreja corre o risco de sofrer danos

O número de lugares onde a Eucaristia não pode mais ser celebrada regularmente está aumentando. Este processo que está ocorrendo traz consequências para o ministério sacerdotal, pois este deve concentrar-se mais do que antes na direção e na administração dos sacramentos em regiões pastorais cada vez maiores. Quase não sobra tempo para outras atividades pastorais que para os sacerdotes são muito satisfatórias.

Os administradores diocesanos conhecem o problema desde há tempos. Com três estratégias compensatórias procura-se reorientar o problema, embora não resolvê-lo de modo definitivo.

Para atenuar a falta de padres, aposta-se na criação de profissões pastorais para “leigos” (homens e mulheres assistentes pastorais comunitários). Com base no batismo e na confirmação e mediante uma missão por parte do bispo, homens e mulheres formados em teologia têm-se encarregado de várias tarefas que até agora estavam reservadas aos sacerdotes.

Mas o seu trabalho, por mais valioso que seja, encontra os limites que lhe impõe a estrutura sacramental da Igreja. Os sacerdotes só podem ser substituídos por outros sacerdotes nas suas tarefas específicas. O número de candidatos ao ministério pastoral dos leigos está diminuindo, assim como o dos candidatos ao sacerdócio; no futuro não se chegará nem de longe a ocupar todos os postos de trabalho previstos para eles.

Os padres estrangeiros dão uma boa contribuição para manter de alguma forma as estruturas pastorais existentes. Na Alemanha, um em cada seis sacerdotes é estrangeiro. A maioria vem da Índia e da Polônia. As comunidades têm experiências diferentes com esses padres. Muitos deles adaptam-se bem ao país, outros têm dificuldades com o idioma e a mentalidade alemã mesmo depois de anos. Por muito que os padres estrangeiros possam enriquecer a pastoral, o seu serviço não é a solução ideal para a falta de vocações no nosso país. Uma igreja local deveria estar em condições de suprir por si mesma o número de sacerdotes de que precisa.

 

A Eucaristia deixa de ser fonte e culminância?

Como as regiões ou áreas pastorais se tornam cada vez maiores, em muitas localidades celebram-se apenas liturgias da palavra, com ou sem comunhão, dirigidas por

  • diáconos,
  • assistentes pastorais ou comunitários
  • e voluntários formados e encarregados oficialmente pelo bispo, que trabalham com grande dedicação.

No entanto, tais celebrações implicam o risco de que a eucaristia deixe de ser “a fonte e a culminância” (Lumen Gentium, nº 11) da vida eclesial e que chegue um momento em que os fiéis deixem de sentir falta dela.

É preocupante que o ministério sacerdotal não tenha nenhum papel nas linhas pastorais que estão sendo discutidas em uma das maiores dioceses alemãs. Com isso está-se ferindo o núcleo do que na teologia católica se entende por igreja. E como se deve reagir diante do convite de comunidades protestantes a fiéis de uma paróquia católica eucaristicamente “órfã” para que participem no culto evangélico?

Perante aporias como estas que tocam profundamente a estrutura básica sacramental da Igreja católica, torna-se necessário tomar mais claramente consciência da importância dos sacramentos para a vida eclesial, a pregação e a catequese.

Ein Vorschlag: Viri probati zur Priesterweihe zulassen

Weihe Ständiger Diakone am 14. März 2009 im Dom zu Paderborn. Während der Allerheiligenlitanei liegen die Weihekandidaten auf dem Boden.

 Proposta de Homens Casados para as Paróquias

A conexão do sacerdócio e o celibato

Ao mesmo tempo é preciso sondar com responsabilidade teológica as condições da função sacerdotal. Se João Paulo II negou claramente o acesso das mulheres à ordenação sacerdotal na sua “Ordinatio Sacerdotalis” (1994), há mais liberdade de movimento com relação a homens casados.

Paulo recomenda viver sem mulher, como ele mesmo vivia, para estar mais livre para Cristo, mas repetindo que não há “nenhum mandato do Senhor” (1 Cor 7:25) a respeito de viver sem casar. As cartas pastorais supõem que

  • os presbíteros são geralmente homens casados,
  • mas devem ser “maridos de uma só mulher” (Tito 1.6),
  • e não se casar de novo em caso de viuvez.

Até à Idade Média homens casados ​​eram ordenados sacerdotes na Igreja do ocidente. Mas exigia-se que vivessem em abstinência. Esta regra de celibato de abstinência havia sido estabelecida nos primeiros séculos.

Na Alta Idade Média desencadeou-se um processo que levou a que no segundo Concílio de Latrão (1139) fosse decretada a lei do celibato para os sacerdotes. Um clero celibatário na sua totalidade só existe desde o Concílio de Trento, no qual vários teólogos explicaram que o celibato sacerdotal

  • era de direito eclesiástico,
  • não de direito divino.

Daí que não haja nenhuma conexão necessária entre sacerdócio e celibato, de tal modo que o papa pode dispensá-lo, por exemplo, quando faltam sacerdotes.

No oriente manteve-se a prática de ordenar homens casados. Bem depressa deixou de estar vigente a abstinência sexual total, mas os viúvos não deviam casar-se de novo. O Sínodo Trulano (691) obrigou os bispos a manter celibato e abstinência total, diferentemente dos padres e diáconos.

Pela primeira vez recentemente, no século XX, foi dada dispensa papal do celibato a um clérigo anglicano e a um pastor protestante, convertidos, para serem ordenados sacerdotes na Igreja católica. Embora João XXIII tenha defendido o celibato sacerdotal diante de perguntas críticas, todavia, numa conversa com Etienne Gilson explicou que o celibato

  • não era dogma da igreja
  • e que segundo a Escritura não era imperativamente obrigatório.

O concílio Vaticano II afirma que

  • “o celibato tem muita conformidade com o sacerdócio”,
  • mas, “como aparece pela prática da Igreja primitiva e por tradição das Igrejas orientais”,…
  • a perfeita e perpétua abstinência sexual “não é exigida certamente  pela natureza mesma do sacerdócio, “( Presbyterorum Ordinis, N ° 16).

Assim, o Concílio reconhece a tradição das Igrejas orientais nas quais, ao lado de padres e bispos celibatários, há também “padres beneméritos casados”.

No Direito Canônico para a Igreja Católica Oriental

  • confirma-se a prática dos padres casados;
  • no entanto, deve ter-se em alta estima a forma de vida de sacerdotes não casados, de acordo com a tradição de toda a Igreja (cân. 373 CCEO).

O papa Francisco ampliou o direito dos bispos das igrejas católicas orientais de ordenar sacerdotes homens casados​​ em todas as regiões onde a sua jurisdição se estende.

Mesmo que não haja nenhuma conexão necessária entre sacerdócio e celibato, uma boa maioria dos votantes no Concílio Vaticano II fortaleceu o celibato para os sacerdotes da Igreja latina. É verdade que durante a preparação do Concílio

  • alguns bispos latino-americanos tinham recomendado a ordenação de homens casados ​​provados (viri probati).
  • Mas Paulo VI considerou inoportuna a discussão de então sobre o celibato, de modo que que a proposta de ordenar viri probati não pôde ser apresentada ou estudada no Concílio.

Paulo VI reforçou o celibato na sua encíclica “Sacerdotalis caelibatus” (1967). No sínodo dos bispos sobre o serviço sacerdotal (1971), 87 dos 202 bispos com direito a voto, com duas abstenções e dois votos nulos, votaram pela possibilidade de que o papa permitisse que viri probati fossem ordenados sacerdotes por razões pastorais.

João Paulo II na sua exortação pós-sinodal “Pastores dabo vobis” (1992) destaca “a relação que o celibato tem com a ordenação sagrada, pois esta configura o sacerdote com Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja” (No. 29), e chama o celibato uma “característica” da Igreja Católica.

Fundamenta-se o celibato sacerdotal,

  • primeiro, na vida de não casados “pelo reino dos céus” (Mt. 19, 12) que tem um valor especial de sinal escatológico no seguimento de Cristo (1 Cor 7: 25-35);
  • segundo, na maior liberdade para Cristo e para o serviço eclesial.

O próprio Jesus viveu sem casar-se, como Paulo. Seria uma grande perda que a presença de um sacerdote celibatário como guia da comunidade, anunciador da palavra de Deus e presidente da eucaristia e das demais celebrações sacramentais, acontecesse só em casos excepcionais.

Somos a favor, portanto, de

  • reforçar a posição do sacerdote celibatário na comunidade e à frente dela, e de intensificar a pastoral das vocações sacerdotais.
  • Mas isso não será suficiente, a nosso ver, como resposta à falta de padres.
  • O caminho que propomos tampouco irá resolver todos os problemas de uma vez, mas é uma proposta teológica e pastoralmente responsável e traria um alívio sensível.

 

A ordenação sacerdotal de diáconos casados

Numa conferência realizada em 1969 sobre o tema “Que aspecto terá a Igreja em 2000?”, Joseph Ratzinger disse que

  • a Igreja do futuro seria pequena
  • e portanto deveria introduzir “certas novas formas de ministério” como “ordenar sacerdotes profissionais cristãos provados”1.

Em 1970 os bispos alemães receberam um memorando assinado por nove professores de teologia sobre a questão do celibato. Entre os signatários estavam Walter Kasper, Karl Lehmann e Ratzinger.

Segundo eles,

  • deve ser mantida em princípio a vinculação entre ordenação sacerdotal e celibato,
  • mas ao mesmo tempo deve-se  estudar se, ao lado dos solteiros e celibatários, não poderiam também ser ordenados sacerdotes homens casados.

Não cabe nenhuma dúvida de que a Igreja Católica tem a liberdade para fazê-lo, se isso lhe parece conveniente por razões pastorais.

Em vez disso pode-se avançar de maneira pragmática,

  • confiando tarefas sacerdotais a diáconos e leigos em ministério pastoral
  • e adequando ao mesmo tempo as áreas pastorais ao número de padres disponíveis.

Muitos exigem que seja dada liberdade aos padres para escolherem o seu modo de vida.

Por nossa parte, sustentamos que nenhum dos dois caminhos atrás referidos é útil.

  • Não é possível estender indefinidamente os espaços ou áreas pastorais.
  • O sacerdote como pastor de almas deve estar ao alcance dos fiéis, perto deles, e não só como celebrante da eucaristia, pois o seu ministério é constitutivo para a igreja.

Os caminhos pragmáticos levam a dissolver a estrutura sacramental da Igreja. Dar liberdade aos sacerdotes para escolher a sua forma de vida

  • traria no curto prazo um aumento no número de padres,
  • mas é possível que desta forma se perca o sinal profético do celibato.

A escolha da sua forma de vida deveria ser uma opção para sempre. Por este motivo somos também contra de que se permita o exercício do ministério aos padres que deixaram o ministério e foram dispensados do celibato e das obrigações vinculadas ao sacerdócio.

Para enfrentar a falta de sacerdotes propomos que, sob certas condições e dispensando-os do impedimento do matrimônio,

  • sejam ordenados sacerdotes homens que estão no grupo dos diáconos permanentes e já participam da ordem sacramental (Código de Direito Canônico can. 1042, 1).
  • Entre essas pessoas também podem incluir-se também os assistentes pastorais que logo depois da sua ordenação trabalharam um tempo como diáconos.

Os sacerdotes casados ​​deveriam normalmente trabalhar em tempo integral. Também se poderia pensar em padres casados ​​que trabalhem para a igreja em tempo integral, mas numa ocupação que não seja estritamente pastoral (por exemplo, em colégios, universidades, administração do bispado ou em outros lugares).

Sacerdotes em tempo parcial poderiam ir ganhando importância com o passar do tempo, numa perspectiva de médio prazo. Pois não há nenhuma garantia para o futuro da nossa igreja financiada por impostos eclesiásticos. Está claro que o consenso a respeito deste modelo está desmoronando**

 

É necessário um estudo teológico completo

O que a última publicação daRatio Fundamentalis (2016) exige dos candidatos não casados ao sacerdócio, poderia, em nossa opinião, valer também para os viri probati.

Eles deveriam estar capacitados em quatro aspectos:

  • no humano,
  • no espiritual,
  • no intelectual
  • e no pastoral2.

O presbiterado, diferentemente do ministério do diácono, é caracterizado principalmente pela sua competência pastoral.

O vir probatus teria de ser também um vir theologicus, se se atenta que a “Ratio fundamentalis” exige uma capacitação intelectual ou formação acadêmica do candidato ao ministério sacerdotal.

Pensamos que os cursos teológicos cursados pela maioria dos diáconos não são suficientes para o ministério sacerdotal. Em conjunto com as faculdades de teologia, poderia ser desenvolvido um programa de formação do tipo blended learning [cursos à distância com momentos presenciais] para os diáconos que não têm um estudo teológico completo.

Não nos convence a proposta de ordenar homens que trabalham como voluntários sem formação teológica correspondente porque as comunidades locais das sociedades do conhecimento ocidentais têm um alto nível de exigências em relação à competência profissional.

Para poder ordenar sacerdotes homens casados ​​padres há outros pressupostos que devem ser satisfeitos junto com a maturidade humana, a formação espiritual, a competência científica e a capacitação pastoral.

  • A casa do vir probatus deve estar em ordem, segundo as exigências das cartas pastorais (1 Timóteo 3.4; Tito1,6).
  • É necessária a concordância expressa da esposa para que o marido possa ser ordenado sacerdote.
  • Pensamos que a idade não deve ser inferior a 50 anos;
  • a educação dos filhos  deve ter terminado.

Assim se guardaria uma prudente distância da idade dos candidatos não casados ​​ao sacerdócio que fazem a sua promessa de celibato ao serem ordenados diáconos. Com isto e com o limite de idade mencionado, seria de esperar que o problema do divórcio de padres casados ​​não ocorreria com muita frequência. (A taxa de divórcios entre pastores evangélicos é significativamente elevada).

Acreditamos que com os requisitos que acabamos de formular para os padres casados, fica salvaguardada a necessária liberdade para Cristo e para o ministério sacerdotal. Em caso de morte da esposa, o sacerdote deveria ser obrigado ao celibato.

A nossa proposta não põe em causa o valor do celibato. Pelo contrário, continua a afirmá-lo, mesmo diante da falta de sacerdotes. Pode-se objetar que, no futuro, quase haverá não haverá homens que prometem viver no celibato. A resposta é que o celibato

  • não é primeiro uma lei,
  • mas um carisma dado por Deus.

Estamos confiantes de que Deus continuará dando este carisma à sua igreja no futuro. Mas é preciso acordar e promover as vocações a uma vida de celibato.

 

O papa e os bispos abrem o caminho

Faz algum tempo o cardeal Lehmann lançou um pergunta numa assembleia na Universidade de Freiburg: o que é que nos impede de ordenar sacerdotes alguns dos nossos diáconos permanentes? Diante da diminuição do número de sacerdotes e dramaticamente escasso número de candidatos ao sacerdócio, continuou dizendo o cardeal, soa a hora em que os bispos têm de se preocupar intensamente com a questão da ordenação de alguns viri probati.

Em uma conversa com o bispo Erwin Kräutler, o papa Francisco encorajou as conferências episcopais a fazer ‘propostas corajosas’3. A Conferência Episcopal Alemã poderia acolher esses apelos e dirigir-se ao Papa Francisco com uma petição que seja a favor da possibilidade de ordenar sacerdotes entre os viri probati nas condições aqui expressas.

Dado que

  • um clero composto por padres celibatários e casados ​​seria uma novidade na Igreja Católica,
  • para introduzi-lo seria necessário proceder com cuidado.

Duas ou três dioceses poderiam ir na frente e, com a permissão do papa, ordenar sacerdotes alguns diáconos casados.

 

__________________

* Estes números referrem-se somente à Igreja na Alemanha

**Estes dados referem-se quase certamente à Alemanha, Itália e  poucos mais países onde o Estado ainda paga o clero e ainda existe o “imposto religioso”, como o 0,8% (ou 8 por mil) já bastante contestado na Itália.

_________________

1 “Wie wird die Kirche im Jahre 2000 aussehen?”, In: JOSEPH RATZINGER, Gesammelte Schriften, volume 8/2 [2010], 1167.

2  KONGREGATION FÜR DEN KLERUS , Das Geschenk der Berufung zum Priestertum, Nº 89-1186.

3 ERWIN KRÄUTLER, Habt Mut! Jetz die Kirche und die Welt verändern,

(2ª ed., Innsbruck 2016), 91.

 

[Nota biográfica e bibliográfica]

Helmut Hoping, nascido em 1956, é professor de Dogma e Liturgia na Faculdade Católica de Teologia da Universidade de Freiburg (Alemanha). Antes era Professor Assistente em Tuebingen e Prodessor de Dogma na Universidade de Lucerna. A sua tese de doutorado foi sobre o pecado original, a sua tese de habilitação [como Professor] sobre a relação entre filosofia e teologia em Tomás de Aquino.

Philipp Müller, nascido em 1960, ensina Teologia Pastoral na Universidade de Mainz; foi ordenado sacerdote em 1991; dirige o Seminário Sacerdotal da Arquidiocese de Freiburg em St. Peter (Floresta Negra, Alemanha). O artigo foi publicado na revista Herder Korrespondenz, ano 71 (2017), caderno 3 13-17.

 

 

Resultado de imagem para helmut hoping freiburg

Helmut Hoping, Philipp Müller 

 

https://www.herder-korrespondenz.de/heftarchiv/71-jahrgang-2017/heft-3-2017/ein.vorschlag.viri-probati-zur-priesterweihe-zulassen

 

Tradução do alemão para o espanhol: Manuel Ossa

O texto em espanhol está em: http://www.centromanuellarrain.uc.cl/images/pdf/BUSCADOR/2017/HopingMullerViriProbati.pdf

 

Comentário do Editor:

  1. Um estudo muito interessante, sob vários pontos de vista, mas, a meu ver, alemão demais, portanto bastante restrito.
  2. Pelos vistos falta aos autores mais amplos conhecimentos da realidade da Igreja noutros continentes, nomeadamente na África e América Latina.
  3. A visão de Igreja e de pastoral deles centra-se sobretudo sobre os sacerdotes como casta superior e dona da Igreja, visão bastante diferente da visão de Povo de Deus no cap. II da Lumen Gentium. E também do cap. III 
  4. Trata-se de uma Igreja construída a partir de cima, do clero, não a partir do Povo de Deus que, na sua marcha, vai descobrindo de que serviços/ministérios precisa e os escolhe dentro das suas comunidades locais.
  5. Não falam nada sobre os perigos reais de um celibato obrigatório que isola o padre e o expõe a graves perigos psicológicos e morais, com escândalo para o Povo de Deus: pedofilia, homossexualidade crescente, filhos de padres nunca assumidos, etc.
  6. A visão pastoral parece muito mais centrada na sacramentalização do que no Anúncio da Boa Nova a todos, muito mais no cuidado do rebanho (igreja para dentro), do que numa Igreja-em-saída para as periferias existenciais, muito mais no cuidado das 100 do aprisco do que na busca das ovelhas perdidas ou que nem ouviram falar da Boa Nova

João Tavares

3 comments to Uma Proposta – Permitir a ordenação de ‘viri probati’

  • Beto

    Se o Papa Francisco pede propostas corajosas e isso já faz tempo – por que não se ouve ou vê por aí que alguns bispos mais “capacitados”, inclusive o bispo Erwin Kräutler, do Amazonas, “recrutaram” diversos “Ex-padres” que pela formação filosófica e teológico, pela vida de casado, pela educação dos filhos, pelo trabalho leigo e pela firmeza da fé são verdadeiros “viri probati”? – A Paróquia não pode ser mais uma franquia de Roma que segue só um modelo. Vejam p.ex: a composição da missa: 5 minutos de sermão, geralmente chatos, sem conteúdo, fora da realidade, apenas sendo contado de novo o que disseram as escrituras e 40 minutos de uma porção de rezas que o celebrante “despacho” a galope. Por causa da vida agitada o cristão, que vai hoje em dia uma e outra vez na missa, precisa receber “alimento de adulto” e não mais sopinha como dizia São Paulo. Por isso o pregador que não precisa ser um padre, precisa sabe falar para um público e testemunhar o que está pregando. Portanto, Srs. Bispos, voltem ao modelo simples da “Urgemeinde” (Igreja de Jerusalém – NdR) e tenham coragem de jogar fora todo o lixo que se acumulou na Igreja durante estes 2.000 anos.

  • Pe. MaiKol

    _____________________________________________

    Eu estou de licença do Presbiterato, em virtude do Ano Sabático.
    Penso em me tornar Diácono Permanente, casado.
    Mas, se permitirem Padre Casado, reassumo o Ministério.
    Pe. Máikol

  • Pe. Alfredo Neres (missionário no Congo Kinshasa)

    Caríssimo João Tavares
    Espero bem que os diáconos casados
    e de boa reputação sejam ordenados padres.
    Um abraço
    Alfredo

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