SNAP: casos de abuso sexual do clero de Guam poderiam chegar a 150-200

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Haidee V Eugenio – 9/04/2017 – (Foto: Frank San Nicolas / PDN)

“O abuso não parou nos anos 80” – disse Casteix. “A razão por que não se ouve mais falar de vítimas mais jovens é que muitas não estão preparadas para se apresentarem. Outras não estão suficientemente curadas. Outras estão lutando com o vício.

Muitas têm filhos pequenos e famílias. O número atual de processos não reflete necessariamente toda a extensão dos abusos do clero.

A maior rede de sobreviventes de abuso de sacerdotes do mundo diz que os casos de abuso sexual de clérigos de Guam podem chegar a centenas durante os próximos dois anos – são 46 atualmente.

Crianças de Guam foram supostamente abusadas pelo clero católico entre 1956 e 1988, com base em ações judiciais movidas em tribunais locais e federais entre 1 de novembro e 6 de abril.

“Eu não ficaria surpresa se se vissem de 150 a 200 casos nos próximos dois anos” – disse Joelle Casteix, diretora voluntária regional ocidental da SNAP – Survivors Network of those Abused by Priests [Rede dos Sobreviventes Abusados por Padres], sediada em St. Louis.

Casteix disse que sua estimativa pode parecer alta, mas que as crianças de Guam enfrentaram uma liderança católica muito influente.

Segundo os autos dos processos, ex-coroinhas disseram que seus pais, e outros adultos que conheciam, eram católicos devotos e não acreditavam neles quando tentavam falar com eles sobre um abuso do padre. Outros nem tentaram falar com os adultos, por medo de que não acreditassem neles, dizem os autos.

Casteix disse que o número atual de casos não é surpreendente, ainda.

Os atuais demandantes – 45 homens e uma mulher – têm agora entre 37 e 73 anos de idade.

“Este escândalo abalou todos os fiéis católicos de Guam, de tal maneira que a confiança em nosso clero é zero” – disse David Sablan, presidente do movimento de base ‘Concerned Catholics’ [Católicos Procupados] de Guam.

Casteix disse que outros dois fatores ainda não foram totalmente avaliados: a questão dos capelães militares e a identificação de vítimas muito mais jovens que foram abusadas nas décadas de 1990 e 2000, agora que o estatuto de limitações sobre o abuso sexual de crianças foi completamente revogado.

“O abuso não parou nos anos 80” – disse Casteix. “A razão por que não se ouve mais falar de vítimas mais jovens é que muitas não estão preparadas para se apresentarem. Outras não estão suficientemente curadas. Outras estão lutando com o vício. Muitas têm filhos pequenos e famílias”. O número atual de processos não reflete necessariamente toda a extensão dos abusos do clero.

Algumas outras, por exemplo, procuraram a arquidiocese de Agana para relatar os abusos dos padres quando eram crianças, mas não estavam entre as que já abriram processos judiciais – disse o coordenador da resposta da igreja ao abuso sexual, o diácono Leonard Stohr.

Quando visitou Guam alguns anos atrás, Casteix disse que o que ela achou chocante foi o medo e o segredo que cercavam a simples discussão do abuso sexual do clero. “Isso me mostrou que o problema era muito maior do que eu imaginava” – declarou ela ao matutino Pacific Daily News.

“Sem ter para onde escapar”

Casteix, que tem trabalhado na prevenção dos abusos sexuais infantis há quase 15 anos, disse que as crianças de Guam enfrentaram os mesmos problemas que as crianças indígenas do Alasca enfrentaram: uma liderança católica forte, centralizada e muito influente, e crianças sem terem para onde escapar.

“As crianças esquimós estavam presas nas aldeias do Alasca sem saída, exatamente como as crianças de Guam estavam presas na ilha. E durante gerações, elas foram abusadas ​​sexualmente” – disse Casteix.

 

Archbishop Anthony Apuron. – Arcebispo Anthony S. Apuron. (Photo: PDN file photo)

Ela disse que os processos judiciais de Guam são únicos no modo como eles espelham o abuso nas aldeias indígenas do Alasca Ocidental.

“São os únicos dois lugares em que eu trabalhei onde o abuso sexual das crianças era o maior e silenciado “elefante no quarto”, por assim dizer.

Em todos os outros lugares em que trabalhei – Califórnia, Delaware, Nova York, Flórida, Washington, em quase todos os estados da União, nas reservas indígenas americanas e até mesmo na Europa – o abuso era chocante para os pais e para a comunidade” –  disse Casteix.

Em Guam e no Alasca, todos estavam esperando que a primeira vítima se apresentasse publicamente – disse ela. ‘Então as comportas se abriram’ – acrescentou.

Quando homens começaram a acusar publicamente o arcebispo Anthony S. Apuron  de violentá-los ou abusá-los sexualmente nos anos 70 em Agat, o Legislativo apresentou um projeto de lei que suspendia o estatuto das limitações sobre o abuso sexual infantil. O projeto tornou-se lei em 23 de setembro de 2016.

 

“O legado do papa Francisco”

Arcebispo de Guam por quase 31 anos, Apuron também está sendo submetido a um julgamento penal canônico do Vaticano. Isso pôs sob os holofotes do mundo o escândalo de abuso sexual da igreja católica na ilha. O papa Francisco suspendeu Apuron em 6 de junho de 2016 devido às  acusações de abuso.

“O que realmente torna Guam único é Apuron. Da forma como o caso dele for resolvido, creio eu, assim será escrito o legado do Papa Francisco sobre a proteção das crianças e dos direitos das vítimas. Qual será a escolha?” – perguntou Casteix.

Father Louis Brouillard is shown in an undated photo

A situação de Guam também é única, porque seu próprio arcebispo está entre os acusados ​​de abuso, disseram advogados canônicos. A maioria dos casos nos Estados Unidos envolve um bispo ou arcebispo acusado de encobrir o abuso de seus sacerdotes.

Em 31 de outubro de 2016, o Papa nomeou o arcebispo Michael Jude Byrnes, de Michigan,  para substituir Apuron, quer Apuron seja removido permanentemente, renuncie ou se aposente.

Um ex-padre da ilha, Louis Brouillard, (foto – PDN) admitiu ter abusado de pelo menos 20 meninos enquanto estava em Guam. O número de queixas de abuso citando o nome de Brouillard como seu suposto perpetrador agora está perto de 30. 

‘Atrasado no jogo’

Em toda a América, os estados têm avaliado se aumentar ou eliminar os estatutos de limitações sobre estupro e abuso sexual infantil devido à grande repercussão das denúncias de abuso sexual.

“Guam está atrasada no jogo” – declarou o advogado David Lujan aos jornalistas quando um tribunal do Vaticano para o julgamento canônico de Apuron veio a Guam. Lujan representa a maioria das vítimas que entraram com processos por abuso do clero.

Ele disse que os processos contra os padres e a Igreja foram abertos no início de 2000 em todo o país [EUA], mas em Guam começaram só em 2016.

Cerca de 600 páginas de documentos relacionados com o projeto de lei 326-33, que revogou a estatuto civil de limitações para casos de abuso sexual infantil, foram enviadas à diocese de Agana.

 

Nearly 600 pages of documents related to Bill 326-33,

(Foto: Haidee Eugenio / PDN)

Recusas dos juízes

O sistema de justiça de Guam está apenas começando a tomar conhecimento da extensão e natureza dos casos de abusos sexuais do clero. A população de Guam é cerca de 85 por cento católica.

Todos os oito juízes do Superior Tribunal de Guam já apresentaram 89 notificações de recusas a julgar casos de abusos sexuais de clérigos, para afastar dúvidas sobre a sua parcialidade.

Alguns conflitos de interesse que os juízes citaram incluem relacionamentos com os demandantes ou com os acusados. Mas alguns limitaram-se a alegar simplesmente o fato de serem católicos. Muitos dos casos foram apresentados no Tribunal Distrital de Guam devido às recusas dos juízes locais.

O advogado Michael Pfau, de Seattle, que representou centenas de sobreviventes de abusos sexuais na infância em vários estados e é co-advogado de alguns sobreviventes de abuso de clérigos em Guam, disse que é incomum que um juiz ou juíza se declarem impedidos, mesmo que esses juízes sejam católicos.

“É extremamente incomum que tantos juízes de um tribunal se recusem como eles fizeram em Guam” – disse Pfau. “Nunca vi nada assim em meus 15 anos lidando com casos do clero católico nos Estados Unidos”.

 

FATOS RÁPIDOS

Sacerdotes de Guam que supostamente abusaram de crianças:

  1. Arcebispo Anthony S. Apuron, agora também sob julgamento penal canônico do Vaticano.
  2. Bispo aposentado Saipan, Tomas A. Camacho, um ex-sacerdote Guam.
  3. Ex-padre Louis Brouillard, tem quase 30 queixas contra ele e admitiu ter abusado de pelo menos 20 meninos.
  4. Ex-padre David Anderson, supostamente morando no Havaí.
  5. Ex-padre Raymond Cepeda, afastado em 2010 após uma investigação de denúncia de abuso sexual.
  6. Ex-padre Joe R. San Agustin (ou Andrew San Agustin), afastado a seu pedido por razões de saúde.
  7. Padre Andrew Manetta, também enfrentou queixas de abuso sexual no Havaí antes de ser transferido para Nova York.
  8. Antonio Cruz, já falecido, citado em algumas denúncias, mas não declarado réu.

 

 Haidee Eugenio

Haidee V Eugenio, heugenio@guampdn.com

Fonte: https://www.usatoday.com/story/news/2017/04/09/snap-guam-clergy-sex-abuse-cases-could-reach-150-200/100159474/

 

 

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http://www.lastampa.it/2017/02/16/vaticaninsider/ita/vaticano/il-cardinale-burke-a-guam-per-indagare-su-un-caso-di-pedofilia-Mxn9qEuGv020DHUim60wrM/pagina.html

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