Que fará o Papa Francisco com os sacerdotes secularizados?

 “Sabe que a atual lei do celibato não pode ser revogada com uma penada”

Josemari Lorenzo Amelibia, 10 de março –  Foto: da internet

Durante um pouco mais de cinquenta anos, dediquei muitas horas ao estudo do celibato. Publiquei alguma coisa, fruto desses estudos.

Tradução: Orlando Almeida

Hoje só enumerarei algumas das conclusões desta pesquisa. E com conhecimento de causa acho que indicarei qual é o plano muito provável do Papa Francisco quanto ao celibato clerical. O que digo está muito pensado, mas sem qualquer pretensão de infalibilidade; todos podemos errar.

Estas são as minhas conclusões:

  1. O celibato pelo Reino dos Céus é algo querido e desejado por Cristo para aqueles a quem foi dado o dom.
  2. O celibato imposto como obrigação ou condição para o sacerdócio, não pode ser considerado evangélico.
  3. A hierarquia da Igreja não deveria reservar para si a dispensa de votos daqueles que se comprometem, mas deixar isso à consciência dos próprios compromitentes de modo que aqueles que livremente decidiram pela castidade, com essa mesma liberdade possam casar-se.
  4. A obrigatoriedade legal favorece os que mandam. Domina-se mais facilmente um celibatário do que um casado.
  5. A virgindade ou continência ritual está superada em todas as religiões.
  6. “Se Cristo virgem, também os sacerdotes” não tem valor, nem religioso, nem social, nem místico.
  7. O celibato será a joia da Igreja quando não for obrigatório.
  8. Os benefícios da lei do celibato não compensam os escândalos que causou. Maiores benefícios seriam obtidos com um celibato livre.
  9. A questão econômica tem sido uma das principais razões para manter esta lei.

 Francisco Com Fam de Padres casadosFrancisco, com padres casados e suas famílias. Foto: Osservatore romano.

Percorrendo um pouco a história:

  1. São Paulo foi celibatário, mas não o impôs a ninguém. Fomentou-o; e inclusive criou algumas comunidades de virgens, mas sem votos embora sim com uma determinação de continuar, mas de tal maneira que a qualquer momento podiam contrair matrimônio sem humilhação ou extorsão para eles.
  2. Muitos Sacerdotes fervorosos e idealistas viviam em continência nos primeiros séculos, mesmo quando eram casados. Encorajavam outros a fazer o mesmo. Era um idealismo mais de tipo ritual. Com o tempo esses idealistas trataram de impor a todos a sua decisão.
  3. Esta pretensão é julgada por muitos como soberba e desejo de poder.
  4. Viram a utilidade do celibato para proteger os bens da Igreja e não transmiti-los por herança aos descendentes.
  5. Nos séculos quarto e seguintes mais do que vetar o casamento aos clérigos ordenava-se que não o usassem quando imediatamente depois tivessem de administrar sacramentos. Chegou-se até a mandar que nunca fosse usado porque a qualquer momento poderiam ser requisitados para administrar um batismo.
  6. O celibato demorou a impor-se totalmente antes de Trento. Sempre foi atendido, e nunca cumprido no seu aspecto mais positivo, exceto nos casos de pessoas muito santas. Não eram muitos os amancebados, mas para a maioria foi um fardo duro e improdutivo.

Levando em conta tudo isto o que vai fazer Papa Francisco?

É muito pouco o que ele tem falado sobre o tema, mas tem-no muito na alma. O papa Francisco sabe muito bem que a atual lei do celibato não pode ser revogada com uma canetada. Se assim o fizesse poderia ser altamente prejudicial para a Igreja. Por outro lado, nunca abolirá esta lei por sua própria conta. Ele o fará depois de ter sondado a opinião de todos os bispos do mundo. E acredito que já se está trabalhando neste sentido.

O processo para a reforma da lei do celibato seguirá com grande probabilidade estes passos

1) Começar-se-á  e logo por ordenar sacerdotes homens já casados ​​(catequistas) na África e outros lugares onde o celibato não tem nenhum valor ou é até uma aberração.

2) Existem muitos diáconos casados ​​que desejariam ser ordenados padres. Há que aproveitar também em breve esta conjuntura.

3) Reintegração dos padres secularizados casados que o solicitem, depois de passados alguns anos de casados.

4) Ordenação de homens casados ​​(os “viri probati”) como sacerdotes, especialmente em aldeias onde não haja padre ou em cidades com grande carência.

5) Os padres celibatários que optem por contrair matrimônio teriam de conseguir um emprego civil, tal como o têm hoje os diáconos e viver alguns anos sem exercer o ministério. Depois reingressariam.

Sempre haverá padres celibatários, liberados de qualquer trabalho civil. Isso é absolutamente necessário na Igreja. Os bispos sempre serão celibatários porque precisam de uma dedicação completa e exclusiva; e se quiserem casar-se passariam a exercer não o papel de bispos, mas o de padres normais.

 

 Josemari Lorenzo Amelibia

Josemari Lorenzo Amelibia

Fonte: http://blogs.periodistadigital.com/secularizados.php

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