Ecumenismo em 2017: «Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele»

José Rodrigues Lima   Janeiro 2017
 «O diálogo autêntico entre as diferentes confissões religiosas tornam-se fundamentais para resolver conflitos que abalam a paz entre os povos.
Muitos cristãos de diversas igrejas trabalham juntos ao serviço da uma humanidade necessitada, na defesa da vida e da sua dignidade, da criação e contra as injustiças» (Papa Francisco, 10.1.2017).
O Reino de Deus, revelado pelo Verbo Encarnado, iniciou uma nova marcha da história e fez maravilhas no coração dos homens abertos à humanidade, à esperança, à fraternidade, à paz, à espiritualidade e à salvação.
De acordo com o documento do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em 2017 temos o 500.º aniversário do evento em que foram tornadas públicas as 95 teses de Martinho Lutero, no ano de 1517.
Refere o texto do Pontifício Conselho que, depois de extensas, e às vezes difíceis discussões na Comissão Luterana e Católica Romana sobre a Unidade, as Igrejas na Alemanha concordaram que o caminho para comemorar ecumenicamente essa Reforma devia ser uma Christusfest – uma Celebração de Cristo.
Se a ênfase fosse colocado em Jesus Cristo e no seu trabalho de reconciliação da fé Cristã, então todos os parceiros ecuménicos da EKD (Igreja Evangélica Alemanha
  • Católicos Romanos,
  • Ortodoxos,
  • Batistas,
  • Metodistas,
  • Menonitas
  • e outros)
poderiam participar das festividades desse aniversário.
A Comissão Luterana-Católica sobre a Unidade tem trabalhado com afinco para produzir uma compreensão partilhada dessa comemoração. O seu importante documento: Do Conflito à Comunhão, reconhece que ambas as tradições abordam esse aniversário numa era ecuménica, após conquistas de 50 anos de diálogo e com novas compreensões da sua própria história e teologia.
Opinião
A partir desse acordo emergiu o forte tema da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos deste ano «Reconciliação: é o amor de cristo que nos impele» (cf. 2 Coríntios 5, 14), em que sobressai o que une os cristãos:

Há um só Deus

“Há um só Deus é Pai de Todos”… (Ef 4, 6)”
O Reino de Deus é muito grande e diversos são os caminhos…
“Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança”;
“um só Senhor, uma só fé, um só batismo”;
“um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos. Age por todos e permanece em todos” (Ef 4, 4-6);
“Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt18, 20)
Somos caminheiros da verdade da beleza e da bondade, e encontramos referências e luzes e escutamos vozes e sons da eternidade que levam à harmonia existencial, à verdadeira estrutura antropológica.

Somos Família de DeusOpinião

Ecoa no nosso íntimo a oração de Jesus: «Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim» (Jo 17, 20-23).
Temos um só Pastor, Deus feito homem, Jesus Cristo. «Nele se alegra o nosso coração e em seu santo nome confiamos» (Sl 33, 22)
O evangelista S. João oferece-nos as palavras de Jesus: «Todos os que o Pai me dá virão a mim; e quem vier a mim Eu não os rejeitarei» (Jo 6, 37).
«Não há diferença entre judeu ou grego… pois todos temos o mesmo Senhor, rico para todos que invocam. Todo aquele que invocar o Senhor será Salvo» (Rm 6, 12).
“De facto, num só Espirito, fomos todos batizados para formar um só corpo, judeus, gregos escravos ou libres e todos bebemos de um só espírito» (1 Cor 12, 13).
«A vontade divina é unir os filhos de Deus dispersos para que todos tenham a vida plena e vigorosa e nenhum se perca» (Mt 18, 14).
Precisamos de aprofundar o património bíblico, teológico, litúrgico e espiritual com o conhecimento recíproco, com a conversão do coração e com a oração, no respeito da alteridade e da identidade das diversas religiões.
«Não haverá paz entre as nações sem a paz entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões se não se investigam os fundamentos das religiões», sublinha o teólogo Hans Kung, perito no Concílio Vaticano II e criador da Fundação para a Ética Mundial (1995).

Acolhemos a todos…Opinião

O acolhimento é hoje um grande sinal de misericórdia, onde a proximidade e a compaixão desenvolvem o espírito de unidade.
Deixemos as diferenças com Deus… Ele une… A espiritualidade une a todos os que tem fé em Deus Pai.
«O diálogo autêntico entre as diferentes confissões religiosas tornam-se fundamentais para resolver conflitos que abalam a paz entre os povos. Muitos cristãos de diversas igrejas trabalham juntos ao serviço da uma humanidade necessitada, na defesa da vida e da sua dignidade, da criação e contra as injustiças» (Papa Francisco, 10.1.2017).
 José Rodrigues Lima
José Rodrigues Lima, é historiador

(Texto Enviado pelo Autor, via e-mail: jrodlima@hotmail.com)

Fonte: http://minhodigital.com/news/dialogo-ecumenico-e-inter

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