A Ordem de Malta opõe-se frontalmente ao Papa Francisco

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Nicolas Senèze, 11/01/2017

Papa recebe Representantes do Ordem de Malta

“Enquanto o grão-mestre da Ordem rejeitou desde o início a jurisdição da Santa Sé nesta matéria, Mons. Tomasi por seu lado acredita que, tendo o grão-mestre invocado uma “recusa de obediência” do grão-chanceler para demiti-lo, isto permitiria que a Santa Sé investigue no interior da Ordem que, mesmo sendo soberana, é também uma “ordem religiosa leiga”.

Por ocasião dos seus votos de boas-festas ao corpo diplomático credenciado à Ordem soberana de Malta, na terça-feira 10 de janeiro, em Roma, o seu grão-mestre, Fra’ Matthew Festing, repetiu que a exoneração do grão-chanceler, no início de dezembro, foi um “ato de administração interna do governo” da Ordem.

Numa declaração publicada ao mesmo tempo no ‘site’ da Ordem, o grão-magistério, “levando em conta a inutilidade jurídica” da comissão de inquérito nomeada pelo papa, “decidiu não cooperar com ela” a fim de “proteger a sua soberania”.

Em 6 de dezembro, o grão-mestre da Ordem soberana de Malta, Fra’ Matthew Festing, tinha convocado ao seu  gabinete o seu grão-chanceler, Albrecht von Boeselager, exigindo a sua demissão na presença do Cardeal Raymond Burke, cardeal protetor e representante do Papa junto à Ordem, que teria explicado que este pedido era feito “de acordo com os desejos da Santa Sé”.

“Recusa de obediência”

A Santa Sé negou, depois, a vontade do papa de exonerar quem quer que seja, e foi nomeada uma comissão de inquérito para lançar luz sobre este assunto, presidida pelo Arcebispo Silvano Tomasi, antigo núncio apostólico e delegado do novo dicastério para o desenvolvimento humano integral.

Enquanto o grão-mestre da Ordem rejeitou desde o início a jurisdição da Santa Sé nesta matéria, Mons. Tomasi por seu lado acredita que, tendo o grão-mestre invocado uma “recusa de obediência” do grão-chanceler para demiti-lo, isto permitiria que a Santa Sé investigue no interior da Ordem que, mesmo sendo soberana, é também uma “ordem religiosa leiga”.

“O carácter religioso da Ordem não prejudica o exercício das prerrogativas soberanas da Ordem na medida em que ela é reconhecida pelos Estados como um sujeito de direito internacional”, observa no entanto o grão-mestre, citando as constituições da Ordem.

Além disso, segundo Fra’ Matthew Festing, sendo o grão-chanceler um “cavaleiro de segunda classe”, a sua promessa de obediência não teria carácter religioso.

O grão-mestre lembra finalmente que o ex-chanceler pode contestar a sua decisão perante o sistema judiciário da Ordem.

 “Os depoimentos não podem estar em contradição com a decisão do Grão-Mestre”

No entanto, ele esqueceu-se de mencionar que, em nome da “promessa de obediência”, ele intimou formalmente os membros da ordem a não contestar a sua decisão, salientando que os que forem contra  esta [decisão] serão objeto de um procedimento disciplinar”.

“A posição do grão-magistério é que os depoimentos que os membros individuais julgariam poder dar à comissão não podem (…) estar em contradição direta ou indireta com a decisão do grão-mestre e do conselho soberano  no que diz respeito à substituição do grão- chanceler” – conclui a declaração do grão-mestre.

 

Nicolas Senèze

Nicolas Senèze

http://www.la-croix.com/Urbi-et-Orbi/Vatican/LOrdre-Malte-soppose-frontalement-pape-Francois-2017-01-11-1200816413

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