Com dois tweets, Trump derrota próprio partido na abertura do Congresso

Bancada republicana queria acabar com órgão independente de investigação dos conflitos de ética, mas recuou após críticas de Trump.

 

Mas pouco antes do arranque dos trabalhos parlamentares, McCarthy convocou uma reunião de última hora da bancada republicana para apresentar uma moção que repõe os poderes do gabinete de ética.

A emenda proposta pelo congressista republicano da Virgínia, Bob Goodlatte, pretendia transformar o gabinete num serviço dependente do comité de ética da Câmara de Representantes – que, como todos os comités, é composto por congressistas numa base proporcional aos votos. A ideia, disse Goodlatte, era no sentido de proteger os direitos dos deputados investigados contra investigações excessivamente zelosas.

A notícia deixou o establishment político de Washington à beira de um ataque de nervos. “Parece que a ética é a primeira baixa do novo Congresso republicano”, reagiu a líder da minoria democrata na câmara baixa, Nancy Pelosi, criticando duramente o que descreveu como manobras na sombra, na véspera da entrada em funções da nova legislatura, para “destruir” o gabinete de ética.

A algumas horas da abertura da sessão legislativa, Paul Ryan já justificava a posição do partido. “Muitos membros acreditam que o Gabinete de Ética necessita de uma reforma para proteger o processo justo e assegurar que está a trabalhar de acordo com a missão que lhe é definida.”

O momento-chave do dia aconteceu por volta das 10h,  quando o Presidente eleito veio recordar aquela que foi uma das promessas que mais ressonância teve junto do eleitorado que lhe deu a vitória – “drenar o pântano” político de Washington.

“Com todo o trabalho que há para fazer no Congresso, tinham mesmo que tornar o enfraquecimento do gabinete de ética, apesar de ser injusto, na prioridade número um. Concentração na reforma fiscal, saúde e tantas outras coisas mais importantes”, acrescentou Trump.

Bastaram 140 caracteres – ou melhor, 280, – para que a liderança republicana recuasse logo no seu primeiro dia da legislatura em que controlam as duas câmaras do Congresso. Ao mesmo tempo que reconhece que o gabinete de ética é “injusto”, dando razão à linha do partido, Trump não se coibiu de sugerir outros temas a que os congressistas devem dar prioridade.

O primeiro dia do domínio absoluto do Partido Republicano no Congresso acabou por resultar num “olho negro para a bancada e para a sua liderança”, declarava a revista The Atlantic, “talvez tornado ainda mais humilhante pelo reparo público feito pelo seu próprio Presidente eleito”.

 

Fonte: https://www.publico.pt/2017/01/03/mundo/noticia/com-dois-tweets-trump-derrota-proprio-partido-na-abertura-do-congresso-1756986

 

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