António Guterres comenta os desafios e projetos como novo Secretário-Geral da ONU

30 de Dezembro de 2016

António Guterres entra em funções como secretário-geral das Nações Unidas (ONU) a 1 de janeiro de 2017. Em entrevista exclusiva à SIC, emitida na quarta-feira, 28 de dezembro, no Jornal da Noite, Guterres falou sobre os desafios e projetos para o futuro: “Teria coisas mais fáceis para fazer, mas houve um impulso moral muito forte”.

Entre os muitos temas abordados, Guterres classificou o conflito na Síria como um “cancro à escala global”.
Há uma consciência crescente de que isso se transformou em um cancro à escala global. Não é só o sofrimento sírio, naturalmente que isso é absolutamente horrendo, e as divisões que existem no interior da sociedade síria, é o impacto extremamente negativo para a estabilidade regional, o impacto que tem este conflito no desencadear de reações de agressividade, agressões violentas, levando mesmo aos atos terroristas, tudo isto se transformou numa ameaça global que neste momento deveria fazer os principais atores que têm influência no conflito compreender que o que têm a ganhar ou perder no próprio conflito é hoje menos do que têm a perder de certeza em relação a esta evolução que descrevi”.

“E por isso tenho a esperança de que aos poucos, já se viu dalguma maneira que Estados Unidos e a Rússia têm procurado entender-se, com todas as dificuldades para superar as suas posições divergentes em vários aspetos, e se nos tais bons ofícios, na tal capacidade de progressivamente estender pontes, superar relações de desconfiança e criar mecanismos de diálogo, o secretário geral puder ajudar, eu estou naturalmente muito interessado em ajudar com a esperança de que mais cedo ou mais tarde seja possível todos compreenderem que o melhor é por fim ao conflito e não tenhamos dúvida, se aqueles que têm influência sobre a situação decidirem acabar com o conflito, os sírios propriamente ditos não terão condições para o continuar eternamente, visto que sem apoios externos o conflito não seria possível”.

Guterres, que vai suceder a Ban Ki-moon no cargo da ONU, já se encontrou com o Presidente russo e disse querer encontrar-se com o Presidente norte-americano eleito “logo que seja possível” e que é sua “determinação estabelecer um diálogo construtivo com a nova administração”.

“Tive (…) uma excelente reunião de trabalho com o Presidente Vladimir Putin, em novembro, e espero que o mesmo possa vir a acontecer com Donald Trump”.

António Guterres afirmou que “há uma questão decisiva que é estabelecer um diálogo construtivo com a nova administração americana. “Essa é a minha determinação e tudo farei para que assim aconteça”, garantiu.

Questionado sobre o ceticismo demonstrado por Donald Trump quanto ao aquecimento global, posição que mudou ligeiramente depois da eleição, ao afirmar que pode vir a apoiar acordos internacionais contra as alterações climáticas e que tem “uma mente aberta”, Guterres admitiu uma posição diferente da nova administração.

“Haverá seguramente do novo Governo uma posição diferente” da assumida pela administração de Barack Obama, disse, frisando, no entanto, a postura aberta da sociedade e das empresas norte-americanas.

A Organização das Nações Unidas é uma instituição internacional multilateral de carácter único, procurando representar desde a sua fundação, há 71 anos, “os povos do mundo”.

A entidade da qual António Guterres será secretário-geral a partir de 1 de janeiro próximo vê-se cada vez mais pressionada a reformar o seu funcionamento de modo a responder ao muito que o mundo mudou desde o pós-II Guerra Mundial e a ser mais eficaz na sua ação.

 

Leia Mais:

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>