Samir Nassar: “O Menino Jesus tem muitos companheiros na Síria”

O bispo maronita de Damasco lança um novo apelo para o fim da guerra e fala do Natal nesta nação martirizada

 Paolo Affatato – 20/12/2016

Tradução: Orlando Almeida

Foto: Refugiados sírios

“O menino Jesus tem muitos companheiros na Síria. Milhões de crianças já  não têm casa e vivem sem proteção, em barracas ou em abrigos improvisados, tal como Jesus no estábulo de Belém. Jesus não está sozinho na sua miséria”.

 “O barulho infernal da guerra sufoca o canto de Glória dos anjos. A angélica sinfonia do Natal dá lugar ao ódio, a atrocidades cruéis cometidas na indiferença global. Hoje pedimos ao Emmanuel, ao Deus-conosco, que nos traga, com a Sua graça, os dons de que a Síria necessita urgentemente: a paz, o perdão e a compaixão: é o apelo de Samir Nassar  (Foto abaixo), arcebispo maronita de Damasco que, em vista do Natal, torna a pedir a todos os atores em cena e à comunidade internacional um compromisso sério para trazer a paz à nação síria.

Diante da onda de ataques terroristas que atingiram novamente a Europa e a Turquia, o bispo Nassar lembra ao ‘Vatican Insider’ que “depois de cinco anos de guerra, a população da Síria compartilha o destino de todos os que sofrem e viverá outro Natal num clima de desconforto,  com falta de alimentos, no frio, em condições de indigência e de pobreza, entre luto e sofrimento, enquanto o país continua a ser devastado pela violência“.

Resultado de imagem para Samir Nassar, arcebispo maronita de Damasco

O menino Jesus tem muitos companheiros na Síria. Milhões de crianças já  não têm casa e vivem sem proteção, em barracas ou em abrigos improvisados, tal como Jesus no estábulo de Belém. Jesus não está sozinho na sua miséria.

As crianças sírias, abandonadas, órfãs e psicologicamente devastadas pelas cenas de violência que experimentaram e viram, gostariam muito de estar no lugar de Jesus, porque Cristo, ao menos, tinha os seus pais. Esta amargura vê-se nos seus olhos, nas suas lágrimas e no seu silêncio entristecedor” – diz com palavras amarguradas o bispo maronita.

 “Muitas crianças sírias invejam Jesus – continua – porque Ele encontrou pelo menos um lugar humilde para nascer e uma proteção, ao passo que alguns deles nasceram debaixo de bombas ou durante um êxodo que os levou para longe da sua pátria”.

Também as mulheres sírias se identificam com a Virgem Maria: “Na Síria há muitas mães em dificuldade: mães infelizes que vivem em condições de extrema pobreza, obrigadas a assumir sozinhas os encargos familiares, sem os seus maridos, mortos ou desaparecidos. Mulheres que buscam em Cristo um pouco de  consolação. Quando olham a Sagrada Família e vêem a presença tranquilizadora de José, estas mães choram pelas suas famílias privadas de um pai: esta ausência alimenta  medo, ansiedade e preocupação”.

CRIANÇAS SÍRIAS – LAPRESSE

 “Da mesma maneira os homens, desempregados ou exaustos pela fadiga de procurar o sustento para os seus entes queridos, vêem em são José um homem que soube tomar conta da sua família, nos momentos de necessidade, de fome e de perigo, até mesmo fugindo, numa viagem como refugiados, para o Egito” – observa Nassar, insistindo na imagem de um moderno “presépio sírio”.

 Os pastores e os seus rebanhos também “falam dos pastores sírios que perderam o seu gado nesta guerra” e até “mesmo os cães dos pastores mostram simpatia pela sorte dos animais domésticos da Síria, que vagueiam por entre as ruínas e se alimentam de restos de cadáveres ou de lixo”.

 No ano passado, a comunidade católica maronita recebeu de presente uma nova igreja, construída no bairro de Kachkoul, na periferia leste de Damasco, e dedicada aos bem-aventurados Irmãos Massabki, mártires da capital síria, mortos em 1860. Aquele foi “um autêntico presente de Natal: um oásis de oração e um sinal de alegria e de esperança no meio de um mundo de violência, de intolerância e de medo” – lembra o bispo.

Hoje, para a população prostrada pelo conflito, pela insegurança e pela violência, ” a luz de Cristo é a única que traz consolação e esperança. A sua proximidade com a humanidade, expressa no mistério da Encarnação, infunde a coragem para vencer a morte e a confiança num futuro de paz, perdão e compaixão” – observa.

Aquela paz que os sírios batizados, nas suas celebrações de Natal, em igrejas que estarão lotadas apesar dos perigos e dos bombardeios, invocam e desejam para o Oriente Médio e também para a Europa, hoje marcada por novos atos de trágica violência contra civis inermes. “A nossa comunidade, ferida pelo sofrimento, está aprendendo, com a ação da graça de Deus, a tirar o bem mesmo do mal, experimentando todos os dias compaixão e solidariedade para com os outros”. Um espírito que pode servir de exemplo para todos os cristãos, em todas as latitudes.

Paolo Affatato

Fonte: http://www.lastampa.it/2016/12/20/vaticaninsider/ita/nel-mondo/samir-nassar-il-bambino-ges-ha-molti-compagni-in-siria-NcuTusrgP9yGrX7WNtEtzJ/pagina.html

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>