“Pirineus Atlânticos”: 60 padres pedem contas ao bispo

Padres da diocese de Bayonne, Lescar e Oloron questionam oficialmente o ministério do seu bispo.

Publicado em 30/11/2016.

Tradução: Orlando Almeida

Des prêtres du diocèse de Bayonne, Lescar et Oloron mettent officiellement en cause le ministère de leur évêque, Marc Aillet

Foto: Marc Aillet © Arquivo Bertrand Lapègue

Estes padres expressam a sua perplexidade diante da condução autoritária da diocese pelo bispo, eles questionam a sua linha tradicionalista e a sua gestão financeira. Eles escreveram às altas autoridades eclesiásticas.

É um fato raríssimo: padres da diocese de Bayonne,Lescar e Oloron põem oficialmente em causa o ministério do seu bispo, Marc Aillet. São 60 os que assinam uma lista de queixas dirigidas às altas autoridades eclesiásticas e contam com o apoio anônimo de outros 30 sacerdotes numa diocese que tem 198 padres em atividade. Eles apresentaram as suas reclamações ao Arcebispo de Bordeaux, à Conferência dos bispos da França assim como ao Núncio Apostólico (ou seja, embaixador do Vaticano na França).

Após estas mensagens aos órgãos superiores, houve um encontro entre uma delegação dos reclamantes e o bispo, em 23 de setembro. O jornal “Sud Ouest” conseguiu um relato desta reunião discreta, que retomao conjunto das reclamações apresentadas pelos padres. Elas evidenciam “um profundo mal-estar” na comunidade cristã.

 

“Reduzidos a um papel de executores”

Esta situação é antes de tudo causada por uma “governança” vertical e muito autoritária de Mons. Aillet. “Qual é a participação dos padres?” – perguntam os signatários. Eles sentem-se “reduzidos a um papel de executores”. Para consolidar seu poder, Marc Aillet impôs, desde a sua chegada, padres vindos “de outros lugares, a maioria formados na corrente tradicionalista da qual provém o prelado. O grupo dos 60 lastima este fato consumado. Da mesma forma, os leigos recrutados para dirigir os “grandes serviços da diocese”: catequese, comunicação, finanças …

 

Marc Aillet en la cathédrale de Bayonne. L’évêque de Bayonne se délecte de polémiques régulières

Marc Aillet en la cathédrale de Bayonne. L’évêque de Bayonne se délecte de polémiques régulières ©jean-daniel chopin

 

Apoio a Putin e a Assad

Os sacerdotes “revoltosos” também denunciam as tomadas de posição “muito típicas” do bispo e dos seus próximos sobre as questões sociais. Eles citam exemplos tais como o apoio a uma “marcha pela vida” (contra o aborto), a Vladimir Putin, a Bashar al-Assad (“como defensor das minorias”), o questionamento da laicidade, “a contestação  direta de responsáveis políticos e do Estado considerado por vezes totalitário”…

 

Gestão financeira em questão

Os sacerdotes questionam também a gestão financeira da diocese. As opções de investimento (novo seminário em particular) não planejadas e o déficit de operação da cúria.

Depois do encontro com Marc Aillet, os emissários dos 60 padres insatisfeitos “todos lamentaram a falta de diálogo”. Até à hora em que escrevemos estas linhas, Marc Aillet não tinha respondido à solicitação do “Sud Ouest”.

Fonte: http://www.sudouest.fr/2016/11/30/pyrenees-atlantiques-60-pretres-demandent-des-comptes-a-l-eveque-2586018-4018.php

 

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 Apelo à demissão de Mons. Marc Aillet (Bayonne)

Pétition : Démission de Mgr Aillet

Redação de GOLIAS

Tradução: Orlando Almeida

Publicação: 03 de fevereiro de 2016

Ver também nosso dossiê em:  GOLIAS MAGAZINE n°157 d’août 2014

Crentes e não crentes, cristão e e não cristãos, nós estamos revoltados pelas várias ações levada a cabo pelo bispo de Bayonne-Lescar et Oloron, desde 2008,  Mgr Marc Aillet. Como último exemplo recente,em pleno “estado de urgência”,  esta mensagem de tweet, de 12 de janeiro, um ano depois dos atentados contra Charlie-Hebdo e l’Hyper Casher : «O Estado pretende proteger os cidadãos contra o Daesh e se engaja numa campanha pro-IVG, condenando inocentes à violência: ilegível! »

 

Várias personalidades governamentais e nacionais expressaram com justa razão a sua indignação depois de ler esta afirmação infame e irresponsável, fonte de confusão ao comparar a política do Governo francês relativamente à IVG [interrupção voluntária da gravidez] com os atos inomináveis perpetrados pelo Estado Islâmico (Daesh – NdR).

Quando muitos dos nossos compatriotas lançam um olhar mais que desconfiado sobre os crentes, parece-nos – como católicos, cristãos, crentes e ateus responsáveis – perigoso, neste período tão conturbado e devido às suas declarações escandalosos, deixar por mais tempo Mons. Marc Aillet à frente da diocese de Bayonne, Lescar e Oloron, que abrange o departamento  dos ‘Pyrénées-Atlantiques’ (670.000 habitantes, 570.000 católicos).

Além disso, no plano católico, e tal como o exige o seu dever episcopal (Vaticano II, Decreto ‘Christus Dominus’, sobre o Múnus pastoral dos Bispos na Igreja, Capítulo I, ‘Papel dos Bispos em relação à Igreja universal’, n. 6), Mons. Marc Aillet rompe a unidade não só com os outros bispos da Igreja universal – que estão longe de partilhar estes pontos de vista particulares – mas sobretudo com a grande maioria dos católicos da França, contrariando assim os artigos 208-223 do Código de Direito Canônico sobre os deveres e os direitos de todos os fiéis. Com efeito, um bispo não pode agir por conta própria, ele tem que “exalar o cheiro das suas ovelhas”, diz o Papa Francisco.

Mas Marc Aillet não está nem nunca esteve nesta linha, o seu episcopado é prova disso.

Uma vez que vivemos tempos incertos devido ao fato religioso interpretado de maneira nauseabunda por grupos extremistas, por causa dessas múltiplas violações do direito da Igreja e do Evangelho de Jesus Cristo – sobre o qual assenta a Igreja Católica e que está na origem do nosso lema nacional “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, ao qual nós católicos, cristãos, crentes e ateus responsáveis somos muito apegados –  pedimos

  • ao Papa Francisco;
  • ao Cardeal Prefeito da Congregação para os Bispos, Mons. Marc Ouellet;
  • ao Núncio Apostólico na França, Mons. Luigi Ventura;
  • e ao Presidente da Conferência dos bispos da França, Mons. Georges Pontier, arcebispo de Marselha,

para  assumirem as suas responsabilidade como nós o fazemos hoje e portanto demitir Marc Aillet do cargo episcopal.

Neste Ano santo da Misericórdia e porque “nenhuma condição humana pode ser um motivo de exclusão do coração do Pai” (Angelus do Papa Francisco, 31/01/16), pedimos fraternalmente ao Bispo de Roma – ‘primus inter pares’ e garante da unidade do colégio episcopal e dos católicos – assim como aos prelados que deverão julgar suas injúrias aos direitos do Homem e ao direito eclesial, para lhe conferirem a qualidade de bispo emérito, como já foi feito com os bispos que protegeram, por exemplo, atos pedófilos perpetrados por clérigos.

Um precedente existe: o cardeal arcebispo de Lyon, Mons. Barbarin, após os ataques de 13 de Novembro de 2015, demitiu das suas funções um padre que atuava na sua diocese, que tinha dito numa pregação que as vítimas e os algozes do Bataclan eram – de qualquer forma – capangas de Satanás … Recluso numa abadia, o primaz das Gálias impôs-lhe o silêncio.

Por fim, nós pedimos ao Papa Francisco que

  • acelere as reformas,
  • particularmente as relativas às nomeações episcopais,
  • instaurando a prática de mais consultas
  • porque “é preciso promover, em todos os níveis da vida eclesial, a justa sinodalidade” (discurso do Papa Francisco à Congregação para a Doutrina da fé, 29/01/16).

O exemplo do bispo de Bayonne, Lescar e Oloron mostra cruamente as carências de um sistema mais que deficiente e que prejudica, por força, a vida da Igreja e o seu reflexo em nossas sociedades.

Assim, os leigos – cristãos e não-cristãos – não podem deixar  de estar associados às nomeações episcopais uma vez que um bispo não é apenas o pastor dos católicos mas também o de todos os não-católicos que vivem no seu território e além dele.  Por esta razão, ele deve parecer-se com eles.

Exortamos portanto Roma a nos dar finalmente, na França, bispos que se pareçam conosco.

 

Assine este apelo em http://www.mesopinions.com/petition/politique/demission-mgr-aillet/18039

 

Fonte: http://golias-news.fr/article6364.html

 

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