Revista francesa diz que Brics têm mais capacidade de agir do que G7

Silvano Mendes – 

Foto – Cidade de Goa acolheu a mais recente reunião de cúpula dos Brics em10/ 2016 

“Os Brics provam sua capacidade de agir, ao contrário do que acontece no G7… os emergentes, que formaram a primeira iniciativa de um coletivo não-ocidental desde a Guerra Fria, contribuirão para escrever a história do século 21”.

Um editorial publicado na edição dessa semana da revista francesa Le Point faz um balanço da atividade dos Brics, grupo formado por
  • Brasil,
  • Rússia,
  • Índia,
  • China
  • e África do Sul.
O texto compara o bloco de países emergentes com o G7, que reúne as principais potências econômicas do planeta.

 O editorialista Nicolas Baverez (Foto) começa sua análise de forma bem pessimista, afirmando que em um momento em que a “desglobalização” avança a pleno vapor, o projeto dos Brics pode parecer algo que já pertence ao passado. 

Segundo ele, “a espetacular ascensão do grupo é algo indissociável do período de globalização triunfante que começou em 1989, com a queda do muro de Berlim, e que terminou com o crash de 2008”.

O texto explica que desde o início desta década, o grupo dos emergentes, com exceção da Índia, está em ponto morto. Um dos exemplos dados é o da China, que vive o final de seus 30 anos de glória, com um crescimento que caiu pela metade em menos de dez anos. “Mas a situação no Brasil, na Rússia e na África do Sul é bem mais preocupante”, comenta o autor.

No caso brasileiro, o texto

  • fala da crise mais severa desde os anos 1930,
  • com um índice de desemprego que praticamente dobrou
  • e uma implosão do sistema político.

Já os russos, que

  • basearam seu modelo econômico na renda proveniente dos combustíveis, que representam 70% das exportações do país,
  • sofrem com a queda dos preços,

enquanto os sul-africanos

  • estagnam com um índice de desemprego que ultrapassa um terço da população.

Mas para o editorialista, a falta de credibilidade dos Brics vai além dessa crise conjuntural, já que a suposta união dos países esconde realidades, potências e interesses fundamentalmente diferentes.

Líderes dos BRICS em trajes indianos

Líderes dos BRICS – Goa 2016 – Foto: https://br.sputniknews.com/noticias/201610196587467-paises-brics-precisam-interagir-intensamente/

Enterrar os Brics seria prematuro

No entanto, apesar do tom fatalista do início do texto, Baverez, que também é editorialista para o jornal de tendência conservadora Le Figaro, diz que seria um erro enterrar o conceito dos Brics. Ele explica que a situação do grupo melhora aos poucos, principalmente graças ao aumento dos preços do petróleo e das matérias-primas, e aposta que a “desglobalização” não vai frear a ascensão do bloco, por uma série de razões.

  • “Eles dispõem de 42% da população mundial,
  • de uma classe média de quase um bilhão e meio de pessoas,
  • além de concentrar 25% da produção do planeta
  • e quase metade das reservas de câmbio, algo que permite alimentar o crescimento a partir da demanda interna”, lista o autor.

Sem esquecer que várias empresas do bloco se destacam como líderes mundiais em setores do futuro, como as chinesas Baidu e Alibaba, no universo digital.

Mas a principal análise do texto é a comparação com o G7, grupo das principais potências econômicas do planeta.

  • “Os Brics provam sua capacidade de agir, ao contrário do que acontece no G7”, alfineta.
  • Para o editorialista, os emergentes, que formaram a primeira iniciativa de um coletivo não-ocidental desde a Guerra Fria, contribuirão para escrever a história do século 21.

“Ao invés de ceder às paixões coletivas e se fechar no protecionismo e no nacionalismo, as democracias devem buscar, no desafio lançado pelos Brics, a energia necessária

  • para reformar,
  • para defender a liberdade política
  • e para restaurar a união, 

se associando às novas potências do Sul na governança da sociedade aberta”, conclui o editorial da revista Le Point.

 

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Silvano Mendes

 Fontes: http://br.rfi.fr/mundo/20161029-revista-francesa-diz-que-brics-tem-mais-capacidade-de-agir-que-g7

http://www.lepoint.fr/editos-du-point/nicolas-baverez/nicolas-baverez-l-histoire-ecrite-par-les-brics-27-10-2016-2079054_73.php

 

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