Guterres, novo “aliado” do Vaticano na ONU

FRANCESCO PELOSO – 07/10/2016

Tradução: Orlando Almeida Refugees: The Holy See gains a new ally at the UN

O político Português António Guterres (Foto) foi nomeado pelo Conselho de Segurança novo Secretário Geral das Nações Unidas. O seu longo compromisso em favor dos refugiados e dos mais fracos faz dele um interlocutor privilegiado da Santa Sé. O encontro com o Papa em 2013

Antônio Guterres, português, 67 anos, socialista, católico praticante, ex-primeiro-ministro de 1995 a 2002, será o próximo Secretário Geral das Nações Unidas. O seu nome foi de fato indicado por unanimidade e por aclamação na sexta “votação informal” dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU.

Ainda falta uma etapa já agora considerada formal: a ratificação pela assembleia geral. No entanto o acordo encontrado pelos Estados Unidos e pela Rússia em primeiro lugar sobre o seu nome (a nomeação foi anunciada conjuntamente pelos representantes de ambos os países, Samantha Power e Vitaly Churkin) já é por si mesmo um acontecimento de grande relevância política numa época em que a comunidade internacional parece incapaz de convergir para entendimentos e pontos de encontro. Assim, de acordo com o cronograma oficial, na quinta-feira, 13 de outubro, Guterres receberá também a aprovação da Assembleia, e a partir de primeiro de janeiro de 2017 assumirá o cargo.

São lhe reconhecidas várias qualidades, entre as quais a integridade moral, o conhecimento dos cenários internacionais, a capacidade de mediar, a vontade de reformar e dar mais poderes às Nações Unidas, a atenção aos pobres e aos direitos humanos. Mas há um fato nada secundário: Guterres foi por 10 anos, de 2005 a 2015, Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, questão a que dedicou uma parte significativa do seu empenho internacional.

Em 6 de dezembro de 2013, foi também recebido em audiência pelo Papa. No final desse encontro, disse, entre outras coisas:

“A Igreja Católica foi sempre uma voz muito importante na defesa dos direitos dos refugiados e dos migrantes. Uma voz de tolerância, de respeito às diversidades num mundo indiferente, se não hostil, em relação a tudo o que é estrangeiro”. ” Na Europa, assim como nos países em desenvolvimento – acrescentou – há uma nova erupção de xenofobia. O papa Francisco não só indica qual deve ser a doutrina certa para a comunidade cristã, mas é uma testemunha pessoal dela. Além das suas tomadas de posição, da exortação apostólica ‘Evangelii gaudium’, o eco mais forte foi certamente o da sua visita a Lampedusa onde falou com os que sofreram no seu país, na Síria assim como na Eritreia, e sofreram de novo para chegar à Europa“.

“E depois – lembra ainda Guterres – a visita ao Centro Astalli para refugiados, dos jesuítas, em Roma. É um compromisso pessoal que amplifica a sua voz, e dá a ela um outro significado, uma outra força. E para todos nós que lutamos pelos direitos dos refugiados é um enorme apoio e incentivo”.

Em suma, o papa Francisco terá um interlocutor de primeiríssimo plano sobre um dos temas que mais o preocupam, o das migrações, dos refugiados que deixam os seus países por causa de guerras, perseguições, desastres ambientais, pobreza e injustiça.

Pode-se até dizer que, nos últimos 10 anos foi exatamente neste campo que o próximo Secretário Geral da ONU mostrou a própria capacidade. Guterres, durante os anos em que dirigiu o Alto Comissáriado para os Refugiados, reduziu de um terço o pessoal burocrático e administrativo de Genebra, deslocando recursos e homens para as áreas de atuação.

Obviamente teve que enfrentar crises particularmente difíceis como

  • a da Síria,
  • a do Afeganistão,
  • o êxodo das populações da África subsaariana.

E nestes diferentes territórios – frequentemente controladas por governos autoritários, por milícias, ou por grupos armados de vários tipos –  as várias agências da ONU encontraram dificuldades e problemas para levar socorro aos civis.

A nomeação por aclamação foi saudada pelo embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, como “um momento histórico” pela amplitude do consenso alcançado. O que o espera não é um trabalho fácil: a questão das migrações e as crises humanitárias, políticas e militares que a acompanham, estão entre as prioridades não adiáveis de que deverá ocupar-se.

“A minha gratidão – disse Guterres após saber da nomeação – vai para o Conselho de Segurança pela sua confiança, mas também para a Assembleia Geral e para os Estados membros pelo processo de seleção aberto e transparente”; em seguida disse que estava “comovido ao ver a unidade do órgão ONU”, mas falou de si mesmo também comoum construtor de pontes“, expressão que lembra o ensinamento de Francisco.

“Unidade e consenso são absolutamente indispensáveis para que o Conselho de Segurança enfrente os desafios do nosso tempo – continuou ainda – mas é preciso humildade para reconhecer os desafios de hoje e para servir os povos, especialmente os mais vulneráveis, assim como as vítimas de conflitos e pobreza».

 

As relações entre a Santa Sé e as Nações Unidas foram sempre sólidas e, em particular com o papa Francisco, foram estabelecidos pontos de entendimento significativos. O Vaticano também trabalhou em estreita colaboração com o sul-coreano Ban Ki Moon, Secretário cessante da ONU, em questões ambientais.  Ban pediu ao papa para dar apoio ao acordo mundial de Paris – COP 21 – contra as emissões de poluentes (alcançado de fato mais tarde em dezembro de 2015), e Francisco por sua vez desenvolveu uma visão humanística e cristã da globalização, com referências científicas e econômicas, através da encíclica ‘Laudato sì’ que se tornou um texto de referência para aqueles que estão envolvidos na defesa do ambiente e nos cuidados com a “casa comum”.

Por outro lado, Bergoglio, em setembro de 2015, durante o seu discurso nas Nações Unidas, defendeu a causa da reforma do funcionamento das Nações Unidas, cujos mecanismos de voto e de tomada de decisões entraram há muito tempo numa fase de impasse. O próprio Guterres foi escolhido também com a esperança de que seja capaz de desbloquear o processo de reforma do qual se fala faz tempo.

“A experiência destes 70 anos – afirmou o Papa no seu discurso – para além de tudo o que já foi alcançado, demonstra que a reforma e a adaptação aos tempos são sempre necessárias, avançando em direção ao objetivo final de dar a todos os países, sem exceção, uma participação e um peso real e equitativo nas decisões”. “Esta necessidade de uma maior equidade – acrescentou – vale especialmente para os órgãos com efetiva capacidade executiva, como o Conselho de Segurança, os organismos financeiros e os grupos ou mecanismos criados especificamente para enfrentar as crises econômicas”.

Uma visão clara, a do papa Francisco, que associava à necessidade de uma maior capacidade de decisão, a de um reequilíbrio entre superpotências e países menos desenvolvidos.

Quando jovem, Guterres militou nas organizações universitárias católicas e depois nas socialistas, viveu a “revolução dos cravos” de 1974 que marcou o fim da ditadura salazarista e o retorno à democracia, e colaborou   com Mário Soares, um dos líderes históricos do país e do socialismo português. A sua nomeação também traz de volta para a Europa o vértice das Nações Unidas: o último Secretário Geral europeu, de 1971 a 1982, foi o austríaco Kurt Waldheim, do qual mais tarde apareceu um passado de oficial nazista.

 

Francesco Peloso

 

Francesco Peloso 

http://www.lastampa.it/2016/10/07/vaticaninsider/ita/vaticano/guterres-il-nuovo-alleato-del-vaticano-allonu-TsjG9LBehFNKTax1KfTXJJ/pagina.html

 

1 comment to Guterres, novo “aliado” do Vaticano na ONU

  • Caríssimos irmãos e irmãs,
    Meu nome é Divino Roberto Veríssimo. Considerando todo esse contexto apresentado nesse artigo, o propósito da minha comunicação é compartilhar essa obra com vocês:
    Um plano de integração e organização social global das culturas civilizadoras da Terra com a ONU com vista a este fim:
    Conduzir o avanço da ONU de sua formação inicial como um sistema interestadual internacional dotado e limitado pelo contexto dos interesses do pós-guerra de 1945 para sua formação final com esta estrutura e direção de ser:
    Um Estado de Unidade Cultural e de Governança e Civilização Comum da Terra.
    Parte desse plano eu apresentei em Lucknow, na Índia, na 17 Conferência Mundial de Chefes de Justiça em novembro de 2016, realizada na Escola Municipal Montessori na cidade de Lucknow, na Índia.
    Caso interesse a vocês uma obra dessa natureza, por favor me enviem um e-mail para onde eu possa enviar o plano.
    Se observarem os muitos pareceres dos Papas, dos líderes das grandes religiões, cientistas, sociólogos, filósofos e políticos ligados a constituição e aos compromissos da ONU em sua Carta, tratados ou declarações e buscarem uma ação objetiva sobre os seus pareceres, todos teremos realmente que chegar a essa ação:
    O estabelecimento da unidade e direção cultural universal da Terra sobre a política de civilização solicitada pela ONU em sua Carta, suas declarações, tratados e convenções sociais estabelecidas desde a Rio 92 até a Agenda 2030.
    Obrigado pela atenção.

    Divino Roberto Veríssimo

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