Panamá Papers coloca online dados de mais de 200 mil empresas

Os dados ficaram acessíveis online às 15h (horário de Brasília) no site offshoreleaks.icij.org. A lista traz milhares de empresas de fachada, fundações e fundos criados em 21 paraísos fiscais pelo mundo.

A informação é publicada por BBC Brasil, 09-05-2016.

 

Quando o escândalo veio à tona, cerca de 11 milhões de documentos confidenciais foram vazados, revelando a forma como algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo, incluindo diversos chefes de Estado, usam paraísos fiscais.

A posse de contas offshore em si não é ilegal, desde que declarada ao Fisco. Mas o sistema muitas vezes serve para ocultar fortunas, evadir impostos ou lavar dinheiro obtido por meio de corrupção.

Os documentos divulgados pertencem ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca e dão indícios de como a empresa teria ajudado clientes a evitar sanções e pagamento de impostos e a lavar dinheiro. O escritório nega as acusações e afirma que opera há 40 anos legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime.

O vazamento foi feito por uma pessoa cuja identidade não foi revelada.

Na semana passada, o escritório Mossack Fonseca emitiu uma ordem chamada “pare e desista”, para tentar evitar que o banco de dados fosse tornado público, mas a organização que possui os documentos –o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês)– parece ter decidido seguir em frente mesmo assim.

Interesse público

O ICIJ afirma que o banco de dados disponibilizado nesta segunda-feira não é uma espécie de depósito de dados, como o Wikileaks.

“O banco de dados não inclui registros de contas bancárias e transações financeiras, e-mails ou outras trocas de informações, dados de passaportes ou números de telefone. Estão sendo publicadas informações selecionadas e limitadas de interesse público.”

Ainda nesta segunda-feira, 300 economistas assinaram uma carta com um apelo a líderes mundiais para que coloquem fim aos paraísos fiscais, argumentando que eles só beneficiam indivíduos ricos e multinacionais, ampliando a desigualdade social.

“A existência de paraísos fiscais não colabora com a riqueza de todos ou o bem-estar global, não são ferramentas econômicas úteis”, afirma a carta.

 

Desigualdade

Na semana passada, a pessoa responsável pelo vazamento divulgou um depoimento citando a “desigualdade de renda” como um dos motivos que a levou a divulgar os dados.

“Fracassaram bancos, reguladores do sistema financeiro e autoridades fiscais. Foram tomadas decisões que acabaram poupando os ricos e controlando apenas os cidadãos de renda baixa ou média”, afirmou.

A pessoa disse ainda que nunca trabalhou para uma agência de espionagem nem para nenhum governo e que ajudou autoridades em troca de imunidade.

Os documentos mostram ligações com 72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo, entre eles ditadores acusados de saquear seus próprios países. Incluem também centenas de políticos, funcionários de diferentes governos, celebridades e esportistas.

A lista traz mais de 200 empresas de fachada, fundações e fundos criados em mais de 20 paraísos fiscais pelo mundo. No Brasil, há menção a parentes ou pessoas ligadas a sete partidos políticos.

No restante da América Latina, são mencionados nos Panamá Papers o presidente argentino, Mauricio Macri, o jogador de futebol Lionel Messi, um primo do presidente do Equador e empresários relacionados ao presidente do México, Enrique Peña Nieto.

BBC

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/554822-panama-papers-coloca-online-dados-de-mais-de-200-mil-empresas

 

 

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