Maria, a “mulher” a mais poderosa do mundo que assustou Stalin

Andrea Tornielli – ROMA –  28/01/2016

Foto: ‘Madonna col bambino’  (Afresco de 1270, na catedral de S. Maria della Bruna)

No livro de Vittorio Messori histórias, aparições e anedotas sobre Nossa Senhora Madonna. Incluindo a “virada religiosa” do ditador em 1941

Tradução do artigo: Orlando F. R. Almeida

Em dezembro passado, a revista “National Geographic” dedicou-lhe a primeira página com um título significativo:  “A mulher mais poderosa do mundo”.

E não estava falando da presidente de um grande país, ou um dirigente de empresa importante. De fato referia-se a Nossa Senhora. A autora da reportagem, Maureen Orth, depois de uma longa viagem pelos lugares símbolo da veneração a Maria, explicava que o adjetivo “poderosa“, não estava relacionado apenas com os milagres atribuídos à Virgem, mas também ao fato de que a imagem e a história de Maria “podem ​​definir a identidade de um País”, como no caso das aparições de Guadalupe no México: até os mexicanos que não se dizem católicos, se declaram de alguma forma “guadalupeños”.

Não é fácil falar da figura de Maria e da sua devoção fora do devocionismo. Mas conseguiu-o Vittorio Messori, jornalista e escritor de raça, formado na sólida escola Turim e autor ‘best-sellers’ mundiais dedicados à historicidade dos Evangelhos.

Em 2008, trinta anos depois do seu primeiro livro que o tornou famoso, “Hipótese sobre Jesus”, Messori publicava “Hipótese sobre Maria” (“Ipotesi su Maria”, Edizioni Ares, 672 pp, 21,50 € – NR), um volume que de que se esgotaram várias reimpressões e que sai agora em edição atualizada com a adição de treze novos capítulos, como sempre sólidos em termos de fontes e documentação.

Quase uma enciclopédia que vasculha história, teologia, aparições e anedotas.

Um dos novos capítulos é dedicado a um fato envolvendo Stalin e que o autor tirou de uma volumosa biografia do ditador da Geórgia, publicada em 1997 em russo e editado por Edvard Radzinsky, um estudioso pertencente à ‘nomenklatura’ cultural soviética.

Sabia-se que Stalin, quando teve de enfrentar a invasão alemã tinha afrouxado um pouco a pressão sobre a perseguida Igreja Ortodoxa a fim de que, em um momento de extrema dificuldade, colaborasse na “grande guerra patriótica “que depois foi vencida também graças ao “general inverno”.

Mas não se conheciam os bastidores dessa decisão, que teria sido resultado não de uma estratégia, mas de um medo. Medo provocado por uma carta vinda do Líbano, entregue pessoalmente a Stalin pelo general Boris Shaposhnikov, Chefe do Estado Maior do Exército Vermelho depois de ter sido um valoroso coronel do exército do Czar, estimado por suas habilidades militares e ainda crente   de coração.

A carta foi escrita por um metropolita ortodoxo russo no Líbano, Elias, que relatava ter visto Nossa Senhora, após três dias de jejum total de comida e de água, passados de joelhos a rezar.

A visão teria dito ao místico monge que Leningrado seria salva

  • se fossem reabertos os mosteiros
  • e as igrejas da Rússia,
  • se os ‘popes’[sacerdotes ortodoxos] que estavam nas prisões soviéticas fossem libertados
  • e se o antigo ícone da Virgem de Kazan fosse levado em procissão a Moscou,  a Stalingrado e a Leningrado que estava sitiada.

O ícone era muito venerado pelo povo russo, devido à sua história rocambolesca : desaparecido de Constantinopla durante a invasão dos tártaros, foi encontrado na cidade tártara de Kazan em 1579, sob os escombros de uma casa destruída pelo fogo que tinha devastado a cidade.

Pois bem, Messori afirma que, por trás da virada “religiosa” de Stalin, entre 1941 e 1942, não houve “só um cálculo político, uma simulação pseudo-devota para envolver o povo na defesa do regime”. Aquela guinada, observa o autor, “com efeito, não foi completamente renegada pelo regime após a vitória”.

A repressão continuou, mas a perseguição foi aliviada e do “plano quinquenal” para a extirpação de fé não se falou mais.

” Uma confirmação indireta de que aconteceu, lembra Messori, foi a atribuição em 1947 ao Metropolita libanês do Prêmio Stalin, o “Nobel Soviético”, concedido a artistas, cientistas, e também àqueles que tivessem prestado “serviços importantes à União Soviética e à causa do socialismo”.

Elias, que não tinha  simpatias comunistas, não quis receber o prêmio, pedindo que o dinheiro fosse  usado para órfãos russos da guerra.

 

Andrea Tornielli

Este artigo foi publicado em 23 de janeiro de 2016 na edição de de Tuttolibri-La Stampa

Fonte: http://www.lastampa.it/2016/01/28/vaticaninsider/ita/recensioni/maria-la-donna-pi-potente-del-mondo-che-fece-paura-a-stalin-5JaiuWJVgE9kOJrcs9WQhP/pagina.html

 

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Comentário do Editor:

Nascido  em 21 de dezembro de 1879 nasceu Iossif (Josef) Vissarionovitch Djougachvili, depois chamado de J. Stalin, estudou na escola religiosa de Gori, depois foi Seminarista ortodoxo no Seminário Maior de Tiflis (hoje Tbilissi), na Geórgia. Tornou-se depois um ditador  sanguinário e um grande perseguidor dos cristãos, tanto ortodoxos como católicos, na Rússia e nos países da Cortina de ferro. Com um projeto bem definido de eliminar a religião para impor o Ateísmo de Estado. – João Tavares 

 

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